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O Questionário de Esquemas de Young - Versão Breve - (Young Schema Questionnaire – YSQ - S3) avalia Esquemas Iniciais Desadaptativos (EID), padrões emocionais e cognitivos estáveis que se desenvolvem precocemente e se associam a diversas psicopatologias, especialmente em transtornos de personalidade. Esses esquemas organizam o sentido que a pessoa dá às experiências, mantêm padrões emocionais e comportamentais desadaptativos. A YSQ – S3 visa mapear EID para subsidiar conceituação de caso e intervenção em Terapia do Esquema.
Tempo médio de aplicação
20 a 30 minutos
População-alvo
Adultos da população geral.
Usos recomendados
Pesquisas sobre esquemas, personalidade e psicopatologia. Contextos clínicos de triagem psicológica ampliada (mapeamento de padrões de personalidade e vulnerabilidades); formulação de caso;
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 90 itens
Tipo de resposta: Escala Likert 1–6 (1 = “Completamente falso sobre mim” a 6 = “Me descreve perfeitamente”)
Organização: O modelo organiza os EID em 5 domínios: (1) Desconexão/Rejeição; (2) Autonomia/Desempenho Prejudicados; (3) Limites Prejudicados; (4) Orientação para o Outro; (5) Supervigilância/Inibição.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
- Desconexão/Rejeição: Frustração de expectativas de segurança, estabilidade, carinho, empatia e aceitação.
Subfatores: Desconfiança/Abuso; Privação emocional; Defectividade/Vergonha; Isolamento social/ Alienação e Abandono.
- Autonomia/Desempenho Prejudicados: Sentimentos de incapacidade e dificuldades para atuar de forma independente e com bom desempenho.
Subfatores: Dependência/Incompetência; Vulnerabilidade ao dano ou à doença; Emaranhamento e Fracasso.
- Limites Prejudicados : Deficiência em estabelecer limites, responsabilidade com outros e compromisso com metas.
Subfatores: Arrogo/grandiosidade e Autocontrole/autodisciplina insuficientes.
- Orientação para o Outro: foco excessivo nos desejos/sentimentos alheios, busca de aprovação com supressão de necessidades próprias.
Subfatores: Subjugação; Autossacrifício e Busca de aprovação/Busca de reconhecimento.
- Supervigilância/Inibição: Bloqueio de felicidade/autoexpressão/relaxamento, ênfase em regras rígidas e supressão emocional.
Subfatores: Negativismo/Pessimismo; Inibição emocional; Padrões inflexíveis e Postura punitiva.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- Os estudos de validação brasileira não apresenta pontos de corte validados. Entretanto, a literatura sugere que escores até 4 indicam "esquema desativado" e acima de 4, "esquema ativado".
- A pontuação é obtida pela média dos escores em cada dimensão.
- Escores mais altos (>4) indicam maior ativação do esquema, maior rigidez da crença e maior probabilidade de padrões emocionais/comportamentais associados.
- Escores mais baixos (<4) sugerem que o esquema é pouco saliente ou pouco ativado no momento.
Importante ressaltar que escores elevados não indicam que um indivíduo tem um esquema. Em vez disso, o esquema é uma característica que pode ou não ser ativada em um determinado momento.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Teste–reteste, RCI/MCID e sensibilidade à mudança: não apresentados no estudo brasileiro. Os autores sugerem a necessidade de pesquisas futuras (p.ex., estabilidade temporal, comparação clínicos vs. não clínicos).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
- Não usar isoladamente para diagnóstico; sempre complementar com entrevista clínica, observações e outros instrumentos.
- Ausências no estudo: sem normas brasileiras por subgrupos, sem EFA/CFA na amostra, sem teste–reteste e sem cutoffs clínicos; portanto, interpretar idiograficamente e longitudinalmente quando possível.
6. Sugestões para análise clínica:
Formulação de caso:
Identificar os 3–5 esquemas mais elevados e articulá-los com: história de desenvolvimento (necessidades não atendidas); estilos de enfrentamento (evitação, supercompensação, rendição); sintomas atuais.
Guia para intervenções:
Esquemas de Desconexão e rejeição → foco em reparação emocional, trabalho relacional, técnicas experienciais (cadeira, imaginação).
Esquemas de Autonomia prejudicada → treino de habilidades, exposição a autonomia, reestruturação de crenças de incapacidade.
Esquemas de Limites prejudicados → intervenção em impulsividade, empatia, limites, responsabilidade.
Esquemas de Orientação para o outro → treino de assertividade, trabalho com culpa, diferenciação de self.
Esquemas de Supervigilância e inibição → flexibilização de regras internas, compaixão, aceitação de falibilidade, foco em prazer e espontaneidade.
A seguir há uma lista de afirmações que as pessoas podem utilizar para descrever a si mesmas. Por favor, leia cada afirmação e então a classifique, baseando-se em quão bem ela descreve você ao longo do último ano. Quando você não tiver certeza, baseie sua resposta nos seus sentimentos, e não no que você acredita racionalmente que é verdade.
Atenção:
Alguns dos itens se referem a sua relação com seus pais ou parceiro(s) amoroso(s). Se qualquer um deles já tiver falecido, por favor, responda a esses itens baseando-se na sua relação com eles enquanto eram vivos ou na sua relação com a pessoa que fez esse papel. Se você atualmente não tem um(a) parceiro(a) amoroso(a), mas teve parceiros(as) no passado, responda
ao item baseando-se no parceiro(a) mais significativo que você teve recentemente.
Young, J. E. (2005). Young schema questionnaire – Short form 3 (YSQ-S3). Cognitive Therapy Center of New York.
Souza, L. H., Tavares, M. E. A. M., Machado, W. L., & Oliveira, M. S. (2022). Evidence of Validity for the Brazilian Version of the Young Schema Questionnaire—Short Form (YSQ-S3). Trends in Psychology, 30(2), 225-241. https://doi.org/10.1007/s43076-021-00104-z
Souza, L. H., Damasceno, E. S., Ferronatto, F. G., & da Silva Oliveira, M. (2020). Adaptação Brasileira do Questionário de Esquemas de Young—Versão Breve (YSQ-S3). Avaliação Psicológica, 19(4), 451–460. https://doi.org/10.15689/ap.2020.1904.17377.11
Young, J. (2014). Questionário de Esquemas de Young - Versão Breve (YSQ - S3) [Tradução e adaptação brasileira por L. H. de Souza, E. S. Damasceno, & M. da S. Oliveira]. Schema Therapy Institute. https://www.gaapcc.com/questionarios
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A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).