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A Escala de Autocompaixão (Self-Compassion Scale - SCS) avalia a forma como indivíduos lidam consigo mesmos em situações de sofrimento, fracasso e dificuldade. Fundamenta-se no modelo teórico de Kristin Neff (2003), que compreende três mecanismos centrais (mindfulness versus sobreidentificação, bondade consigo versus autocrítica, senso de humanidade comum versus isolamento), operacionalizados em seis fatores. Clinicamente, busca identificar padrões de autocrítica, autoaceitação e regulação emocional, contribuindo para intervenções em depressão, ansiedade, perfeccionismo e dificuldades relacionais.
Tempo médio de aplicação
6–12 minutos.
População-alvo
Adultos brasileiros (>18 anos), com escolaridade mínima de ensino médio.
Situações recomendadas
Triagem clínica, avaliação transdiagnóstica de padrões de autocrítica e regulação emocional, apoio a intervenções psicoterapêuticas baseadas em mindfulness, monitoramento longitudinal e pesquisa científica.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 26
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos (1=quase nunca, 5=quase sempre)
Subescalas/fatores: 6 fatores
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
2.1. Autocrítica (Self-Judgment - SJ)
Mede tendência a autocrítica e julgamento negativo.
Itens: 1, 8, 11, 16, 21.
Escores mais altos indicam menor autocrítica e maior aceitação de si diante das falhas.
2.2. Sobreidentificação (Over-Identification - OI)
Avalia dificuldade em se distanciar de emoções negativas, fusão com o sofrimento.
Itens: 2, 6, 20, 24.
Escores altos indicam menor ruminação e maior distanciamento saudável das emoções negativas.
2.3. Humanidade Comum (Common Humanity - CH)
Reflete a percepção de que o sofrimento é parte da experiência humana.
Itens: 3, 7, 10, 15.
Escores altos indicam maior senso de conexão com outros.
2.4. Isolamento (Isolation - I)
Captura sentimentos de isolamento e singularidade do sofrimento.
Itens: 4, 13, 18, 25.
Escores mais altos indicam menor isolamento e maior integração socioemocional.
2.5. Bondade Consigo (Self-Kindness - SK)
Avalia atitudes de apoio e compreensão consigo mesmo.
Itens: 5, 12, 19, 23, 26.
Escores altos refletem autoaceitação e cuidado.
2.6. Mindfulness (M)
Mede capacidade de observar emoções dolorosas com equilíbrio.
Itens: 9, 14, 17, 22.
Escores altos indicam presença de atenção plena.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: média dos itens, após inversão de itens negativos (1,2,4,6,8,11,13,16,18,20,21,24,25)
Calcule a média das respostas dos itens que pertencem a ela. Ex.: Se os itens de Self-Kindness somarem 16 pontos em 4 itens, a média = 4,0.
Em seguida, some todas as 6 médias e divida por 6.
Assim, o escore total = média geral das médias das subescalas.
Os escores das subescalas negativas (Autocrítica, Sobreidentificação e Isolamento) foram invertidos para alinhamento com o sentido do construto. Assim, em todas as subescalas, escores mais altos indicam maior autocompaixão.
3.1. Pontos de corte clínico:
A Escala de Autocompaixão foi bem traduzida e tem boa qualidade no Brasil, mas ainda não temos tabelas oficiais que mostrem quais escores indicam risco clínico.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Pode ser reaplicada em monitoramento longitudinal, em intervalos trimestrais ou semestrais.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizada isoladamente para diagnóstico.
Pode ser influenciada por desejabilidade social (embora correlações internacionais com desejabilidade sejam baixas).
Deve ser complementada com entrevistas clínicas e outras medidas de saúde mental.
6. Sugestões para análise clínica integrada:
Subescalas de Autocrítica, Isolamento e Sobreidentificação apontam maior risco de sofrimento psíquico.
Bondade Consigo e Mindfulness sugerem recursos de coping e regulação emocional.
Em intervenções, subescalas podem guiar foco terapêutico (ex.: redução de autocrítica, promoção de bondade consigo).
Neff, K. D. (2003). Development and validation of a scale to measure self-compassion. Self and Identity, 2, 223-250.
Souza, L. K. de, & Hutz, C. S. (2016). Escala de Autocompaixão. In C. S. Hutz (Ed.), Avaliação em Psicologia Positiva (171-173). São Paulo: CETEPP.
de Souza, L. K., & Hutz, C. S. (2016). Adaptation of the self-compassion scale for use in Brazil: evidences of construct validity. Temas em Psicologia, 24(1), 159-172. https://www.redalyc.org/pdf/5137/513754276008.pdf