Como corrigir e interpretar a UCLA-BR
Metodologia de correção, faixas de pontuação e interpretação da Escala Brasileira de Solidão (UCLA-BR) — conteúdo educativo e de referência para profissionais de saúde mental.
Última atualização:
Sobre a UCLA-BR
A Escala Brasileira de Solidão (UCLA-BR) avalia a intensidade subjetiva da solidão. O construto é fundamentado no Modelo de Discrepância Cognitiva, segundo o qual a solidão decorre da percepção de que os relacionamentos sociais efetivamente vivenciados são insuficientes ou inadequados em comparação com os relacionamentos desejados. Essa avaliação envolve: componente cognitivo: percepção de insuficiência, superficialidade ou inadequação dos vínculos; e componente afetivo: sentimentos de tristeza, vazio, exclusão, carência e desconexão emocional.
Portanto, a escala não mede simplesmente o número de contatos sociais nem o isolamento social objetivo. Uma pessoa pode apresentar solidão mesmo estando cercada por outras pessoas, assim como pode permanecer sozinha sem experimentar solidão, caso essa condição não seja percebida negativamente.
Tempo médio de aplicação:
7 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
Mensuração da intensidade da solidão; triagem de dificuldades relacionadas à conexão social; avaliação clínica complementar; investigação da relação entre solidão, sintomas depressivos e suporte social percebido; pesquisas epidemiológicas e psicossociais.
Como pontuar a UCLA-BR
- 1
Some os itens
Some os pesos das respostas de cada item, respeitando os itens de pontuação reversa quando houver.
- 2
Aplique o método de cálculo
Aplique o método de cálculo do instrumento e de cada subescala, quando existirem.
- 3
Localize a pontuação na faixa
Localize a pontuação total na faixa de interpretação correspondente — validada para a população brasileira.
- Número de itens
- 20 itens
- Faixa teórica de pontuação
- 0 – 60 pontos
Faixas de pontuação e o que indicam
As faixas seguem a validação para a população brasileira — consulte as referências.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 20 itens
Tipo de resposta: As respostas são fornecidas em escala de frequência de quatro pontos que varia de nunca (0) a frequentemente (3).
Organização: Unidimensional (intensidade da solidão)
2. Descrição do construto:
O instrumento avalia a intensidade subjetiva da solidão, entendida como a percepção de que os relacionamentos sociais disponíveis são insuficientes, inadequados ou emocionalmente pouco satisfatórios. Seus itens investigam sentimentos de falta de companhia, exclusão, isolamento, incompreensão, superficialidade dos vínculos, ausência de pessoas a quem recorrer e dificuldade de aproximação ou comunicação. A escala não mede apenas o isolamento social objetivo, pois uma pessoa pode sentir-se solitária mesmo estando acompanhada, e produz um escore global no qual pontuações mais altas indicam maior intensidade de solidão percebida.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
A pontuação total corresponde à soma das respostas dos 20 itens.
A pontuação pode ser dividida nos seguintes pontos de corte:
0 – 22 = Solidão mínima
23 – 35 = Solidão leve
36 – 47 = Solidão moderada
48 – 60 = Solidão intensa
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Os estudos não apresentam: teste-reteste da versão brasileira; estabilidade temporal; índice de mudança confiável — RCI; diferença mínima clinicamente importante — MCID; responsividade ao tratamento; frequência recomendada de reaplicação.
Assim, o estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. A reaplicação pode ser realizada de forma exploratória, mantendo condições semelhantes de administração, mas mudanças pequenas no escore não devem ser automaticamente interpretadas como melhora ou piora clinicamente confiável. A interpretação deve considerar simultaneamente relato do paciente, funcionamento cotidiano, eventos de vida e mudanças qualitativas nas relações.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Os pontos de corte são brasileiros e foram derivados empiricamente por TRI, mas não foram estabelecidos a partir de: diagnóstico clínico externo; entrevista estruturada; análise ROC; sensibilidade e especificidade; identificação de “solidão patológica”. Portanto, as faixas representam níveis dimensionais de intensidade, e não categorias diagnósticas. O escore 36 não deve ser tratado como comprovação de transtorno, nem os escores inferiores como exclusão de sofrimento clinicamente relevante.
A UCLA-BR não deve ser utilizada isoladamente para: estabelecer diagnóstico; determinar prognóstico; concluir sobre risco clínico; decidir intervenção sem entrevista; classificar uma pessoa como socialmente isolada; atribuir causa específica à solidão.
As principais limitações dos estudos são: natureza de autorrelato; possível influência de memória, estado emocional e motivação para responder; ausência de estabilidade temporal; ausência de análise por sexo e faixa etária; ausência de normas estratificadas; escolaridade relativamente elevada de parte da amostra; coleta presencial concentrada em Minas Gerais; dependência de coleta online para participantes de outros estados; ausência de confirmação fatorial por CFA; ausência de RMSEA, CFI, TLI ou SRMR; ausência de validação dos pontos de corte contra critério clínico.
6. Sugestões para análise clínica:
A interpretação deve partir da discrepância entre:
contatos sociais desejados;
contatos efetivamente disponíveis;
qualidade emocional percebida nesses contatos;
significado atribuído à experiência de estar só.
Perfis com escores semelhantes podem representar formulações distintas. Por exemplo:
alta carência de companhia pode refletir redução objetiva da rede social;
alta desconexão emocional pode ocorrer mesmo com ampla rede de contatos;
dificuldade de aproximação pode estar associada a habilidades sociais, medo de rejeição ou condições contextuais;
sofrimento por realizar atividades sozinho pode refletir baixa tolerância à autonomia, perdas recentes ou expectativas relacionais não atendidas.
Essas hipóteses são clínicas e devem ser verificadas por entrevista, não inferidas automaticamente a partir do escore.
Os resultados do estudo sustentam a combinação da UCLA-BR com:
medidas de sintomas depressivos;
instrumentos de percepção de suporte social;
entrevista sobre rede de apoio prática e emocional;
indicadores de funcionamento familiar, social, acadêmico ou ocupacional.
| Faixa / interpretação | Pontuação |
|---|---|
Solidão mínima | 0 – 22 |
Solidão leve | 23 – 35 |
Solidão moderada | 36 – 47 |
solidão Intensa | 48 – 60 |
Referências
Barroso, S. M., Andrade, V. S. D., Midgett, A. H., & Carvalho, R. G. N. D. (2016). Evidências de validade da Escala Brasileira de Solidão UCLA. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 65(1), 68-75. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000105
Barroso, S. M., Andrade, V. S. D., & Oliveira, N. R. D. (2016). Escala Brasileira de Solidão: Análises de Resposta ao Item e definição dos pontos de corte. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 65(1), 76-81. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000106
Desenvolvedores
Russell, D., Peplau, L. A., & Cutrona, C. E. (1980). The revised UCLA Loneliness Scale: concurrent and discriminant validity evidence. Journal of personality and social psychology, 39(3), 472. https://doi.org/10.1037/0022-3514.39.3.472
Perguntas frequentes
- Quantos itens tem a UCLA-BR?
- A Escala Brasileira de Solidão (UCLA-BR) é composta por 20 itens.
- Qual é a pontuação total da UCLA-BR?
- A pontuação total da UCLA-BR varia de 0 a 60 pontos.
- Como interpretar a pontuação da UCLA-BR?
- A pontuação é interpretada nas seguintes faixas, validadas para a população brasileira: Solidão mínima (0–22); Solidão leve (23–35); Solidão moderada (36–47); solidão Intensa (48–60). A interpretação é educativa e não substitui o julgamento clínico.
- É possível aplicar e corrigir a UCLA-BR online?
- Sim. Na HumanTrack você aplica a Escala Brasileira de Solidão (UCLA-BR) — e outros instrumentos validados de domínio público — com correção normatizada automática e acompanhamento da evolução do paciente ao longo do tempo, em conformidade com CFP e LGPD. As faixas de interpretação seguem a literatura de validação para a população brasileira.
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