Instrumentos Psicológicos para Transdiagnóstico
Confira instrumentos psicológicos, escalas e questionários relacionados a transdiagnóstico. Ferramentas validadas para profissionais de saúde mental.
Instrumentos
Entrevista Baseada em Processos (EBP)
A Entrevista Baseada em Processos (EBP) é uma ferramenta de análise funcional e formulação de caso estruturada para mapear a "rede" de processos psicológicos que sustentam o sofrimento do paciente. Diferente de escalas diagnósticas que buscam sintomas (o que o paciente tem), este instrumento busca identificar mecanismos dinâmicos (o como e o porquê o problema se mantém). Seu objetivo central é transpor as queixas do paciente para os três mecanismos evolutivos de mudança: Variação (repertório), Seleção (função) e Retenção (manutenção).
Público alvo do instrumento
Este instrumento é destinado a profissionais de saúde mental (psicólogos e psiquiatras) para aplicação em pacientes adultos ou adolescentes que já estejam em processo psicoterapêutico ou em fase de avaliação inicial. É uma ferramenta transdiagnóstica, adequada para qualquer quadro clínico (ansiedade, depressão, transtornos de personalidade, etc.), pois foca em processos universais.
Finalidade do instrumento
A finalidade é guiar o terapeuta na construção de uma Formulação de Caso Baseada em Processos. O instrumento disseca a experiência do paciente em 8 dimensões (Atenção, Cognição, Self, Afeto, Comportamento, Motivação, Biofisiologia, Sociocultural), investigando em cada uma delas onde reside a rigidez (falta de variação), qual a função do sintoma (seleção) e o que impede a mudança (retenção).
Qual fenômeno psicológico o instrumento avalia?
O instrumento foi contruído com base na literatura da Terapia Baseada em Processos, que parte do princípio de que todo comportamento humano - incluindo pensamentos, emoções, padrões motivacionais, fisiologia e formas de se relacionar - é influenciado por uma rede dinâmica de processos psicológicos. Especificamente, ele investiga a interação entre dimensões biopsicossociais sob a ótica da ciência evolutiva:
Variação: refere-se à amplitude de respostas possíveis que uma pessoa apresenta em determinadas situações. Envolve investigar o que aparece, o que não aparece e o que se repete com rigidez quando o indivíduo enfrenta suas dificuldades. Aqui buscamos identificar se há flexibilidade suficiente ou se o repertório do cliente está empobrecido, estreito ou disfuncional. Variação descreve o campo das possibilidades.
Seleção: analisa para que essas respostas estão servindo dentro da vida do cliente. Não se trata de moralizar ou julgar, mas de compreender a função que cada padrão cumpre na rede: evitar dor, buscar controle, reduzir ameaça, proteger autoestima, manter vínculos, regular emoções ou preservar previsibilidade. A seleção revela quais respostas ganham força porque produzem consequências imediatas que, mesmo desadaptativas a longo prazo, ajudam o cliente a sobreviver psicologicamente no curto prazo.
Retenção: investiga como e por que certos padrões se mantêm cronicamente na rede, mesmo quando já não fazem sentido ou produzem sofrimento. Aqui observamos ciclos de reforço, hábitos, contextos que mantêm o padrão vivo e mecanismos que fazem com que respostas mais saudáveis, quando surgem, não consigam se estabilizar. Retenção descreve como os padrões se cristalizam.
Quando aplicamos esses três mecanismos a diferentes dimensões da experiência humana - atenção, cognição, self, afeto, comportamento, motivação, biofisiologia, contexto e sociocultural - conseguimos construir uma análise funcional profunda, integrativa e baseada em processos. Essa abordagem revela não apenas o que o cliente faz, pensa ou sente, mas como esses processos se organizam, se retroalimentam e sustentam o sofrimento ao longo do tempo.
A Entrevista foi construída para guiar o terapeuta de forma prática e sistemática por esses três princípios, permitindo identificar mecanismos centrais de manutenção e pontos potenciais de mudança.
Como o instrumento será usado pelo(a) profisisonal
Embora seja uma entrevista guiada pelo terapeuta, o paciente a vivencia como uma investigação colaborativa. O paciente não preenche o formulário sozinho; ele responde a perguntas reflexivas que o ajudam a "olhar para fora" de sua própria experiência e observar a função de seus comportamentos. O processo de responder já funciona como uma intervenção de autoconhecimento e desfusão.
Quais são os principais usos clínicos e contextuais?
Início do tratamento: Para sair de descrições vagas ("estou triste") para mecanismos precisos ("meu afeto triste serve para evitar confrontos sociais").
Estagnação terapêutica: Quando a terapia trava, o instrumento ajuda a identificar qual "nó" da rede (ex: biofisiológico ou cognitivo) está impedindo a evolução.
Planejamento de Intervenção: Permite escolher técnicas cirúrgicas. Se o problema é falta de variação no afeto, usa-se exposição emocional. Se o problema é retenção de hábitos antigos, usa-se manejo de contingências.
Limitações e cuidados específicos para o tipo de instrumento gerado
Não é diagnóstico: Não fornece CIDs ou DSMs.
É interessante que o profissional compreenda sobre Análise Funcional e Terapia Baseada em Processos.
Subjetividade: As respostas dependem da capacidade de insight do paciente no momento.
Escala de Atenção e Consciência Plenas (MAAS)
A Escala de Atenção e Consciência Plenas (Mindful Attention Awareness Scale - MAAS) é um instrumento que avalia a atenção e a consciência plenas como traço psicológico, com foco na tendência do indivíduo de estar atento e consciente do momento presente, de maneira não automática e não julgadora. É fundamentada no modelo conceitual de mindfulness proposto por Jon Kabat-Zinn e na definição ocidental de atenção plena como uma habilidade metacognitiva voltada à regulação atencional e autorregulação emocional. Clinicamente, o instrumento é útil para monitoramento de estados mentais associados à impulsividade, desatenção, ruminação e estados automáticos de funcionamento, com implicações em saúde mental e bem-estar subjetivo.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 minutos.
População-alvo
Adultos (>18 anos), incluindo população geral, universitários, tabagistas e praticantes de meditação.
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, avaliação de atenção plena como variável transdiagnóstica, apoio ao planejamento terapêutico, pesquisa em saúde mental.
Escala de Autocompaixão (SCS)
A Escala de Autocompaixão (Self-Compassion Scale - SCS) avalia a forma como indivíduos lidam consigo mesmos em situações de sofrimento, fracasso e dificuldade. Fundamenta-se no modelo teórico de Kristin Neff (2003), que compreende três mecanismos centrais (mindfulness versus sobreidentificação, bondade consigo versus autocrítica, senso de humanidade comum versus isolamento), operacionalizados em seis fatores. Clinicamente, busca identificar padrões de autocrítica, autoaceitação e regulação emocional, contribuindo para intervenções em depressão, ansiedade, perfeccionismo e dificuldades relacionais.
Tempo médio de aplicação
6–12 minutos.
População-alvo
Adultos brasileiros (>18 anos), com escolaridade mínima de ensino médio.
Situações recomendadas
Triagem clínica, avaliação transdiagnóstica de padrões de autocrítica e regulação emocional, apoio a intervenções psicoterapêuticas baseadas em mindfulness, monitoramento longitudinal e pesquisa científica.
Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR)
A Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR) avalia a autoestima global, definida como a orientação avaliativa positiva ou negativa que o indivíduo tem de si mesmo. Está fundamentada em modelos teóricos que associam a autoestima ao autoconceito, bem-estar subjetivo, saúde mental, ajustamento emocional e funcionamento adaptativo em contextos de vida diversos. Clinicamente, é utilizada para identificação de níveis de autoestima em crianças, adolescentes e adultos, sendo relevante em processos de triagem, formulação diagnóstica, acompanhamento terapêutico e avaliação de risco psicossocial.
Tempo de aplicação
Aproximadamente 5 a 10 minutos
População-alvo
Crianças (a partir de 10 anos), adolescentes e adultos jovens (até 30 anos)
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico psicológico, avaliação de risco psicossocial, compreensão do funcionamento emocional, monitoramento terapêutico, pesquisa em psicologia do desenvolvimento e da personalidade.
Escala de Avaliação da Autoeficácia Geral (EAAG-15)
A Escala de Avaliação da Autoeficácia Geral é uma adaptação da Self-Efficacy Scale de Sherer et al. (1982), desenvolvida para medir a crença geral de um indivíduo na sua capacidade de enfrentar desafios e realizar tarefas. O estudo de adaptação foi realizado no contexto da psicologia da saúde, com foco em jovens universitários portugueses.
Tempo médio de aplicação
8 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica de recursos motivacionais gerais (agência/persistência) e possíveis barreiras autorreferidas à mudança;
Apoio à formulação de caso, identificando padrões de:
dificuldade para iniciar ações e metas;
desistência diante de frustração/erro;
baixa confiança em interações sociais;
Planejamento terapêutico orientado a objetivos, ajudando a selecionar focos como: aumento de agência, treino de persistência/tolerância à frustração e intervenções interpessoais;
Monitoramento de processo/adesão (ex.: engajamento em tarefas, manutenção de esforços), como indicador complementar;
Avaliação complementar em psicologia da saúde, como variável associada a atitudes e comportamentos de saúde e percepção de saúde, apoiando intervenções de promoção de saúde/hábitos.
Uso em pesquisa/serviços clínicos para caracterização de perfil de autoeficácia geral em populações jovens (base amostral do estudo).
Escala de Dificuldades na Regulação Emocional (DERS)
A Escala de Dificuldades na Regulação Emocional (DERS) avalia dificuldades na regulação emocional, um construto transdiagnóstico associado a diversos transtornos psiquiátricos (como depressão, ansiedade, transtornos alimentares, uso de substâncias e transtornos de personalidade). O instrumento foi construído com base na conceituação de Gratz & Roemer (2004), que define regulação emocional como um processo multidimensional envolvendo consciência, compreensão, aceitação emocional, controle comportamental sob afeto negativo e acesso a estratégias eficazes de regulação.
Tempo médio de aplicação
10 a 15 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Uso recomendado
Triagem psicológica, formulação de caso, planejamento terapêutico, monitoramento clínico e pesquisa em saúde mental
Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11)
O BIS-11 (Barratt Impulsiveness Scale – 11ª edição) é um instrumento de autorrelato que avalia impulsividade como um traço multidimensional, integrando aspectos de tomada de decisão rápida, dificuldade de inibir respostas automáticas e baixa orientação ao futuro. O modelo teórico original (Barratt) postula três componentes principais: Impulsividade Motora, Impulsividade Atencional e Não Planejamento. No Brasil, estudos confirmaram predominantemente uma estrutura de dois fatores: Falta de Controle Inibitório e Falta de Planejamento.
Principais usos clínicos:
Apoio ao diagnóstico diferencial em transtornos por uso de substâncias, TDAH, transtornos de personalidade (ex.: borderline, antissocial), transtorno explosivo intermitente e comportamento suicida.
Monitoramento de mudanças ao longo do tratamento psicoterápico e/ou farmacológico.
Pesquisa em personalidade e impulsividade em populações gerais e clínicas.
Tempo médio de aplicação
10–15 minutos.
População-alvo
Adultos (18–84 anos).
Usos recomendados
Triagem, avaliação diagnóstica, formulação de caso, acompanhamento terapêutico, pesquisa acadêmica.
Escala Multidimensional de Perfeccionismo (EMP)
A Escala Multidimensional de Perfeccionismo apresentada por Robert L. Leahy no livro Vença a depressão antes que ela vença você (Beat the Blues Before They Beat You) é um instrumento informal de uso clínico e psicoeducativo, destinado a facilitar a identificação e o manejo de aspectos do perfeccionismo associados à depressão.
A escala foi desenvolvida pelo próprio Leahy a partir de sua experiência clínica com pacientes deprimidos que apresentavam traços marcantes de perfeccionismo e foi concebida com base nos principais modelos conceituais de perfeccionismo multidimensional, especialmente os trabalhos de Hewitt & Flett e de Frost et al., que descrevem facetas como padrões excessivamente elevados, medo de cometer erros, necessidade de aprovação e autocrítica.
Objetivos do instrumento
Psicoeducativo: auxiliar pacientes a reconhecer de maneira estruturada como o perfeccionismo influencia seu humor, autoestima e funcionamento diário.
Clínico: servir como ponto de partida para discussões em sessão e formulação de estratégias terapêuticas.
Autoavaliação: estimular a reflexão e o monitoramento subjetivo de mudanças ao longo do tratamento.
Não possui validação psicométrica formal, pois não há estudos publicados demonstrando sua confiabilidade, validade ou normas comparativas. Os escores obtidos não devem ser usados para diagnósticos ou comparações estatísticas com a população geral.
Ferramenta de Avaliação Baseada em Processos
Este instrumento foi desenvolvido para avaliar mudanças funcionais ao longo de dimensões psicológicas centrais, alinhadas ao Modelo Baseado em Processos e aos princípios de variação, seleção e retenção. A escala busca capturar tanto padrões que reduzem saúde mental (itens negativos) quanto padrões que promovem vitalidade e engajamento (itens positivos).
O objetivo é oferecer uma medida sintética, sensível e transdiagnóstica, permitindo identificar quais processos estão melhorando, quais estão piorando e onde a intervenção deve se concentrar.
Inventário de Supressão de Pensamentos do Urso Branco (WBSI)
O Inventário de Supressão de Pensamentos do Urso Branco (White Bear Suppression Inventory – WBSI) avalia a tendência individual à supressão de pensamentos indesejados ou intrusivos, um processo psicológico associado a diversos transtornos, como ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), depressão, transtornos do pânico e comportamentos aditivos. A supressão de pensamentos é vista como um mecanismo que, embora inicialmente adaptativo, pode produzir efeitos paradoxais (como o efeito rebote), aumentando a frequência dos pensamentos evitados. O WBSI é fundamentado nos estudos de Wegner sobre os efeitos paradoxais da tentativa de controlar pensamentos.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 minutos
População-alvo
Adultos da população geral, incluindo diferentes níveis de escolaridade
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, avaliação de mecanismos de enfrentamento cognitivo, formulação de caso em transtornos ansiosos e obsessivo-compulsivos, pesquisa em saúde mental
Monitoramento Diário de Imagem Corporal - Avaliação Ecológica Momentânea (EMA-BI-AA)
Objetivo clínico
O BI-AAQ (EMA) avalia a capacidade do indivíduo de vivenciar pensamentos, sentimentos e sensações corporais difíceis sem tentar evitá-los ou ser controlado por eles no momento presente. Fundamentada na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a versão EMA foca na inflexibilidade psicológica momentânea, capturando como o paciente lida com o desconforto relacionado à imagem corporal em contextos reais e gatilhos diários. Diferente da escala original, que é uma medida retrospectiva de traço, esta versão EMA é uma medida idiográfica de alta validade ecológica, ideal para identificar picos de esquiva experiencial.
Utilização prática
Tempo médio de aplicação: Menos de 1 minuto por registro.
População-alvo: Mulheres e adultos em tratamento para transtornos alimentares, obesidade ou insatisfação corporal severa.
Situações recomendadas: Monitoramento de gatilhos para compulsão alimentar, acompanhamento de progresso em intervenções baseadas em mindfulness e aceitação, e planejamento de sessões com base em eventos da vida real.
Validade psicométrica - EMA
A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar.
4) Diretrizes de Adaptação e Fidelidade ao Construto
Critério de Seleção: Foram mantidos conteúdos que refletem a luta contra pensamentos e a limitação de atividades devido ao corpo, pois estes variam conforme o contexto social e alimentar do dia.
Preservação da Medida Original: A versão EMA mantém o foco no "engajamento com a vida" versus "esquiva do desconforto corporal", garantindo que a essência da flexibilidade psicológica seja o alvo.
Validade Convergente Conceitual: Espera-se que a média da inflexibilidade diária na EMA correlacione-se positivamente com o escore total da BI-AAQ retrospectiva aplicado em sessão.
Estrutura do instrumento EMA
Itens: 6 itens (selecionados por maior carga fatorial e relevância diária) + 2 contextuais.
Tipo de resposta: Escala linear de 0 (Nada verdadeiro) a 10 (Totalmente verdadeiro).
Janela Temporal: "Neste momento" ou "Desde o último registro".
Frequência: 1 ou mais vezes ao dia (especialmente próximo a horários de refeições ou eventos sociais) ou sob demanda.
Questionário das Facetas de Mindfulness (FFMQ-BR)
O Questionário das Facetas de Mindfulness – versão brasileira (FFMQ-BR) é um instrumento autoaplicável de 39 itens que avalia mindfulness disposicional (traço) como um construto multidimensional, originalmente fundamentado no modelo de Baer et al. (2006) (observar, descrever, agir com consciência, não julgar a experiência interna e não reagir à experiência interna). No estudo brasileiro, o objetivo foi traduzir/adaptar culturalmente e produzir evidências iniciais de validade e fidedignidade em amostra adulta brasileira (≥18 anos), incluindo perfis com diferentes níveis de prática meditativa.
Tempo médio de aplicação
15 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Avaliar níveis de mindfulness-traço (perfil dimensional de habilidades/atitudes mindfulness) em adultos em contextos clínicos, incluindo pacientes fumantes em tratamento (uso como componente de avaliação clínica, não diagnóstica);
Apoiar a avaliação/planejamento de intervenções baseadas em mindfulness;
Diferenciar mudanças/efeitos atribuíveis à prática de mindfulness vs. atributos pré-existentes, ajudando o clínico/pesquisador a ter uma medida mais precisa das habilidades efetivamente desenvolvidas por práticas/intervenções;
Mapear relações entre mindfulness e saúde mental/bem-estar como parte da formulação clínica e do acompanhamento de objetivos terapêuticos (o estudo enfatiza o uso do instrumento para examinar relações empíricas entre mindfulness e saúde mental).
Questionário de Aceitação e Ação (AAQ-ll)
O Questionário de Aceitação e Ação-ll (AAQ-II), versão brasileira, é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar flexibilidade psicológica, conceito central da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Ele operacionaliza a inflexibilidade psicológica/evitação experiencial, entendida como a dificuldade em aceitar pensamentos, emoções e memórias dolorosas, prejudicando a ação guiada por valores. Tem como objetivo clínico avaliar o grau de inflexibilidade psicológica, associado a sofrimento emocional e dificuldades de regulação. Fundamenta-se no modelo de flexibilidade psicológica de Hayes et al. (2006).
Tempo de aplicação:
< 5 minutos
População-alvo:
Adultos em geral; trabalhadores da atenção primária em saúde e pacientes em psicoterapia ou psiquiatria.
Usos recomendados:
Triagem clínica, avaliação de processos em psicoterapia (especialmente ACT e TCC de terceira onda), investigação transdiagnóstica, pesquisa em saúde mental e monitoramento de progresso terapêutico.
Questionário de Aceitação e Ação da imagem corporal (BI-AAQ)
O Questionário de Aceitação e Ação da imagem corporal (Body Image-Acceptance and Action Questionnaire (BI-AAQ) é um instrumento desenvolvido para avaliar flexibilidade psicológica diante de pensamentos, sentimentos e sensações relacionados ao corpo e à imagem corporal.
A inflexibilidade psicológica da imagem corporal (pontuações mais baixas) refere-se a um padrão de resposta rígida caracterizado por: (a) tentativas persistentes de evitar ou controlar experiências internas desagradáveis relacionadas ao corpo (peso, forma corporal, sensações de "sentir-se gordo"); (b) fusão cognitiva com pensamentos autodepreciativos sobre a aparência; (c) estreitamento comportamental, com prejuízos na capacidade de viver conforme valores importantes em função da preocupação com a imagem corporal.
Por outro lado, a flexibilidade psicológica da imagem corporal (pontuações mais altas após reversão) indica a habilidade de estar presente com experiências corporais desconfortáveis, aceitá-las sem lutar contra elas, e agir de forma consistente com valores pessoais mesmo diante de insatisfação corporal.
O BI-AAQ fundamenta-se teoricamente no modelo de Inflexibilidade Psicológica proposto pela ACT, que postula que o sofrimento psicológico não decorre primariamente da presença de conteúdos internos negativos (ex.: insatisfação corporal), mas sim da relação inflexível que o indivíduo estabelece com esses conteúdos. Estudos empíricos demonstram que a inflexibilidade da imagem corporal atua como mecanismo de vulnerabilidade e manutenção de transtornos alimentares, compulsão alimentar, busca patológica pela magreza e autocrítica.
Tempo médio de aplicação
3 a 5 minutos
População-alvo
Mulheres adultas (> 18 anos)
Usos recomendados
Avaliação de processos transdiagnósticos envolvidos em comportamentos alimentares alvos;
Triagem de risco para transtornos alimentares;
Formulação de caso em TCC/ACT;
Monitoramento de mudança clínica em intervenções voltadas à imagem corporal.
Questionário de Esquemas de Young - Versão Breve (Young Schema Questionnaire) (YSQ – S3)
O Questionário de Esquemas de Young - Versão Breve - (Young Schema Questionnaire – YSQ - S3) avalia Esquemas Iniciais Desadaptativos (EID), padrões emocionais e cognitivos estáveis que se desenvolvem precocemente e se associam a diversas psicopatologias, especialmente em transtornos de personalidade. Esses esquemas organizam o sentido que a pessoa dá às experiências, mantêm padrões emocionais e comportamentais desadaptativos. A YSQ – S3 visa mapear EID para subsidiar conceituação de caso e intervenção em Terapia do Esquema.
Tempo médio de aplicação
20 a 30 minutos
População-alvo
Adultos da população geral.
Usos recomendados
Pesquisas sobre esquemas, personalidade e psicopatologia. Contextos clínicos de triagem psicológica ampliada (mapeamento de padrões de personalidade e vulnerabilidades); formulação de caso;
Questionário de Fusão Cognitiva (CFQ-7)
O Questionário de Fusão Cognitiva (CFQ) avalia o grau em que o comportamento da pessoa está “fundido” com seus pensamentos – isto é, até que ponto pensamentos são tomados como fatos literais e passam a dominar a experiência e a regulação do comportamento. Conceitualmente, está ancorado no modelo de Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e na Relational Frame Theory (RFT), em que a cognitive fusion é um dos processos centrais da inflexibilidade psicológica. O CFQ é um indicador transdiagnóstico de vulnerabilidade: escores mais altos associam-se a maiores níveis de depressão, ansiedade, estresse, ruminação, sintomas gerais e pior qualidade de vida, bem como menor mindfulness, decentering e satisfação com a vida.
Tempo médio de aplicação
3 minutos
População-alvo
Adolescentes (> 15 anos) e adultos de ambos os sexos
Usos recomendados
- Avaliar o processo de fusão cognitiva em formulações de caso ACT/terapias contextuais;
- Auxiliar na triagem e caracterização de pacientes com problemas emocionais diversos (depressão, ansiedade, estresse ocupacional, doenças crônicas etc.);
- Monitorar resposta a intervenções baseadas em ACT, nas quais a redução de fusão é uma meta explícita.
Questionário de Fusão Cognitiva relacionada à Imagem Corporal (CFQ-BI)
O Questionário de Fusão Cognitiva relacionada à Imagem Corporal (CFQ-BI) avalia o nível de fusão cognitiva especificamente relacionado à imagem corporal, isto é, o grau em que pensamentos sobre corpo, forma e aparência são tomados como verdades literais, rígidas e dominantes no comportamento. Fundamenta-se no modelo de Inflexibilidade Psicológica da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), no qual a fusão cognitiva é entendida como um dos principais mecanismos transdiagnósticos presentes em psicopatologias, especialmente nos transtornos alimentares, compulsão alimentar, perfeccionismo corporal e comportamentos disfuncionais relacionados ao corpo.
Tempo médio de aplicação
3 a 5 minutos
População-alvo
Mulhres adultas (> 18 anos)
Usos recomendados
Clinicamente, o CFQ-BI contribui para:
Triagem de risco para transtornos alimentares;
Formulação de caso com foco em processos (ACT);
Monitoramento de processos associados a distorções da imagem corporal;
Avaliação de mecanismos que mantêm restrição alimentar, compulsão e purgação;
Apoio a intervenções focadas em desfusão cognitiva e flexibilização comportamental.
Escalas Padronizadas para Transdiagnóstico
Esta categoria inclui 14 escalas padronizadas com pontuação estruturada e pontos de corte validados para avaliação de transdiagnóstico.
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