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A Escala de Avaliação da Autoeficácia Geral é uma adaptação da Self-Efficacy Scale de Sherer et al. (1982), desenvolvida para medir a crença geral de um indivíduo na sua capacidade de enfrentar desafios e realizar tarefas. O estudo de adaptação foi realizado no contexto da psicologia da saúde, com foco em jovens universitários portugueses.
Tempo médio de aplicação
8 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica de recursos motivacionais gerais (agência/persistência) e possíveis barreiras autorreferidas à mudança;
Apoio à formulação de caso, identificando padrões de:
dificuldade para iniciar ações e metas;
desistência diante de frustração/erro;
baixa confiança em interações sociais;
Planejamento terapêutico orientado a objetivos, ajudando a selecionar focos como: aumento de agência, treino de persistência/tolerância à frustração e intervenções interpessoais;
Monitoramento de processo/adesão (ex.: engajamento em tarefas, manutenção de esforços), como indicador complementar;
Avaliação complementar em psicologia da saúde, como variável associada a atitudes e comportamentos de saúde e percepção de saúde, apoiando intervenções de promoção de saúde/hábitos.
Uso em pesquisa/serviços clínicos para caracterização de perfil de autoeficácia geral em populações jovens (base amostral do estudo).
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 15 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 4 pontos (frequência dos sintomas nas últimas 2 semanas: 0 a 3 pontos)
Organização: Três subescala: Iniciação e Persistência, Eficácia perante a Adversidade e Eficácia Social.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
IP – Iniciação e Persistência (6 itens: 1, 5, 6, 7, 14, 15)
O que mede: prontidão para iniciar ações, autoconfiança percebida e capacidade percebida de executar/realizar objetivos, com ênfase em engajamento e autoavaliação de competência.
EPA – Eficácia perante a Adversidade (5 itens: 2, 4, 8, 9, 12)
O que mede: persistência e manutenção do esforço diante de frustração, dificuldade e ausência de sucesso imediato (tolerância à adversidade/fracasso).
ES – Eficácia Social (4 itens: 3, 10, 11, 13)
O que mede: expectativas de competência em interações sociais (iniciar/manter amizades e persistir em aproximações sociais).
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo de validação não apresenta pontos de corte validados.
Interpretação recomendada com base apenas no artigo: perfil relativo (comparação entre dimensões) e uso correlacional/criterial (ex.: relação com adesão, hábitos de saúde, desempenho acadêmico), sem rotulação diagnóstica por faixas.
Pontuações mais altas indicam maior percepção de autoeficácia geral, maior resiliência e confiança para enfrentar desafios.
Pontuações baixas sugerem dúvidas sobre a própria capacidade, tendência à desistência diante de dificuldades e menor persistência.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta teste–reteste, RCI, MCID ou evidências de responsividade/sensibilidade à mudança.
Uso em acompanhamento: possível por desenho (autorrelato breve), mas qualquer decisão de “mudança clínica” deve ser prudente e sustentada por múltiplas fontes (entrevista, metas, observação e outros instrumentos).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não usar isoladamente para inferir capacidade real, prognóstico ou “motivação” sem considerar contexto, habilidades objetivas e barreiras ambientais (o próprio texto ressalta que expectativas não bastam sem praxias mínimas e incentivos).
Limitação conceitual: a escala captura crenças generalizadas de competência/persistência; não substitui avaliação de autoeficácia específica (por tarefa/condição clínica).
Limitação amostral: evidência baseada em estudantes (secundário/universidade) de uma região específica; generalizações para outras faixas etárias e contextos clínicos devem ser feitas com cautela.
Sugestões para análise clínica integrada
Formulação de caso:
IP baixo + EPA baixo → hipótese de ciclo “baixa agência → evitação/desistência → reforço de incompetência”; priorizar micro-metas, experimentos comportamentais graduais e estratégias de reforço de domínio.
EPA baixo com IP moderado → início preservado, mas queda frente à frustração; focar tolerância ao erro, reestruturação de crenças sobre falha, treino de persistência e prevenção de recaída em hábitos.
ES baixo com total moderado/alto → recursos gerais preservados, mas vulnerabilidade interpessoal; considerar avaliação complementar (ansiedade social, habilidades sociais, assertividade, suporte social).
Planejamento terapêutico e monitoramento de processo:
IP/EPA podem ser usados como indicadores de barreiras cognitivas motivacionais para adesão (tarefas de casa, exposição, rotina de saúde).
ES como indicador auxiliar para selecionar módulos de intervenção interpessoal (treino de habilidades sociais, exposição social, terapia interpessoal), lembrando a consistência interna mais baixa.
Vai encontrar a seguir um conjunto de afirmações acerca da maneira como você pensa sobre si próprio. Não há respostas certas ou erradas, todas as respostas que der são igualmente corretas. Pense bem na resposta de modo a que ela expresse corretamente a sua maneira de pensar.
Sherer, M., Maddux, J.E., Mercandante, B., Prentice-Dunn, S., Jacobs, B., & Rogers, R.W. (1982). The Self-Efficacy Scale: Construction and validation. Psychological Reports, 51, 663-671.
Schwarzer, R., & Jerusalem, M. (1995). Generalized Self-Efficacy Scale. In J. Weinman, S. Wright & M. Johnston (Eds.). Measures in health psychology: A user’s portfolio. Causal and control beliefs (pp. 35-37). Windsor, Uk: Nfer-Nelson.
Ribeiro, J. L. P. (1994). Adaptação do "Self-Perception Profile for College Students" à População Portuguesa: sua utilização no contexto da psicologia da saúde. In: L. Almeida & I. Ribeiro (Org.). Avaliação Psicológica: Formas e Contextos. Braga: APPORT.
Ribeiro, J. L. P. (s.d.). Adaptação de uma escala de avaliação da auto-eficácia geral [Manuscrito não publicado / texto de congresso disponibilizado online]. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto.
O’Leary, A. (1992). Self-Efficacy and Health: Behavioral and Stress-Physiological Mediation. Cognitive Therapy and Research, 16(2), 229-245.