Diário de Autoeficácia (DA)
O Diário de Autoeficácia é um instrumento idiográfico de automonitoramento diário desenvolvido para avaliar a percepção de capacidade pessoal do paciente em contextos reais de vida. Sua construção deriva de princípios de self-monitoring como etapa essencial da autorregulação e do uso de Ecological Momentary Assessment (EMA) para capturar dados em alta validade ecológica. Além disso, segue os princípios de avaliação idiográfica, personalização e foco em processos descritos no modelo de Process-Based Therapy (PBT), reforçando a observação individualizada de padrões biopsicossociais.
Objetivo Clínico
Monitorar, em tempo real, variações situacionais na percepção de autoeficácia, identificando condições, emoções, comportamentos e pensamentos que aumentam ou reduzem o senso de capacidade do paciente.
Público-alvo
Pacientes em psicoterapia que apresentam dificuldades relacionadas a: baixa autoeficácia; desmotivação; padrões de evitação; crenças de incapacidade; dificuldades em iniciar ou sustentar ações.
Finalidade Clínica
Capturar dados idiográficos sobre quando, onde, como e por que o paciente se percebe mais ou menos eficaz.
Ajudar o profissional a construir formulações funcionais personalizadas.
Auxiliar na identificação de gatilhos, fatores protetivos, falhas de regulação, contextos facilitadores e respostas de coping.
Fenômeno Avaliado
Percepção de Autoeficácia: julgamentos subjetivos sobre a própria capacidade de lidar com demandas, resolver problemas, enfrentar desafios e produzir mudanças (Bandura, 1997).
Como será usado pelo paciente
O paciente responde 1x ao dia ou após eventos relevantes. As perguntas são curtas e centradas no episódio mais significativo do dia.
Principais usos clínicos
Acompanhar progresso semanal.
Ajudar na identificação de padrões (ex.: contextos sociais, demandas cognitivas, emoções específicas).
Guiar intervenções comportamentais (AC, exposição, valores).
Auxiliar no trabalho com crenças de incapacidade.
Informar intervenções TBP voltadas a processos de motivação, atenção, cognição e comportamento.
Limitações e cuidados
Como qualquer autorregistro, pode gerar viés de observação, porém, a literatura indica que o efeito reativo pode ser clinicamente útil, pois o monitoramento aumenta a consciência e promove mudança espontânea.
Não deve ser usado isoladamente para diagnóstico.
Deve ser revisto regularmente para evitar sobrecarga.
A formulação funcional deve ser continuamente atualizada, seguindo os princípios idiográficos da PBT.