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O Diário de Autoeficácia para Burnout é um instrumento idiográfico de automonitoramento diário que avalia como o indivíduo percebe sua capacidade de lidar com demandas ocupacionais, cognitivas, emocionais e interpessoais relacionadas ao trabalho. Sua estrutura se apoia na função de self-monitoring como gatilho de autorregulação (Chen et al., 2017), aumentando consciência situacional e guiando mudanças comportamentais. Nos princípios da Terapia Baseada em Processos (TBP), avaliando processos centrais como motivação, atenção, cognição e comportamento de forma idiográfica e contextualizada (Ong et al., 2022). Na compreensão do burnout como síndrome marcada por: exaustão, despersonalização, queda na percepção de autoeficácia.
Objetivo clínico
Avaliar e monitorar variações diárias na eficácia percebida no trabalho, identificar gatilhos de queda, práticas que aumentam eficácia e padrões funcionais associados ao burnout.
Público-alvo
Adultos em acompanhamento psicológico com sintomas de burnout, estresse ocupacional ou sofrimento relacionado ao trabalho.
Finalidade
Monitoramento diário idiográfico de autoeficácia ocupacional
Entender como demandas específicas do dia afetam a percepção de capacidade.
Identificar microcontextos que intensificam exaustão.
Direcionar intervenções comportamentais, cognitivas e processuais.
Permitir formulação idiográfica e monitoramento semana a semana.
Instrumento complementar (não diagnóstico)
Fenômenos avaliados
Autoeficácia ocupacional
Regulação emocional ligada a demandas
Fadiga cognitiva e emocional
Evitação/engajamento
Padrões interpessoais no trabalho (PBT: nível social)
Processos de atenção seletiva ao erro/problema (PBT: atenção)
Fundamentação:
Definição CID-11 da OMS (2022): Burnout como síndrome ocupacional caracterizada por três dimensões: (a) exaustão de energia, (b) distanciamento mental/cinismo, (c) redução da eficácia profissional
Modelo JD-R (Demerouti & Bakker, 2001–2023): Burnout resulta do desequilíbrio entre demandas de trabalho (sobrecarga, conflitos) e recursos (apoio, autonomia, autoeficácia)
Uso pelo paciente
Responder 1 vez ao dia, preferencialmente ao final da jornada de trabalho, ou imediatamente após situações relevantes de estresse.
Limitações
Não substitui entrevista clínica ou avaliação padronizada de burnout.
Risco de sobrecarga caso a frequência não seja monitorada.
Deve ser continuamente revisado em conjunto com o terapeuta.
Estrutura do instrumento
10 itens, escala 0-10, seleção múltipla e texto aberto.
Avaliação para monitoramento diário.
Captura múltiplas dimensões do burnout (TBP: atenção, emoção, motivação, cognição e social).
Significado das respostas
1) Intensidade de autoeficácia (0-10):
Aumento → melhora, retorno à capacidade produtiva.
Redução → possível agravamento do burnout ou exaustão acumulada.
Autoeficácia ocupacional é um construto específico de domínio, referindo-se à crença do indivíduo sobre sua capacidade de executar tarefas específicas no contexto de trabalho
2) Situação mais impactante
Base para análises funcionais diárias
Análise de antecedentes específicos permite identificação de gatilhos idiográficos e personalização de intervenções
3) Gatilhos
Permitem clusterizar padrões de vulnerabilidade ocupacional:
cognitivo (sobrecarga, falta de clareza),
emocional (conflitos, pressão),
ambiental (interrupções, caos organizacional).
4) Emoções
Conectam sintomas de burnout à percepção de capacidade (exaustão → incapacidade).
5) Estratégias
Avaliam repertório e mostram se o paciente está: ampliando coping adaptativo (pausas, pedir ajuda), usando estratégias custo-efetivas, ou preso em ciclos desfuncionais (evitação, ignorar exaustão).
6) Fatores protetivos
Informam sobre condições de saúde ocupacional necessárias para recuperação.
7) Exaustão (0-10)
Variável fundamental: burnout reduz autoeficácia principalmente via exaustão crônica.
Padrões a serem observados
Autoeficácia < 4 por mais de 5 dias seguidos.
Exaustão > 6 correlacionada a quedas na eficácia.
Estratégias predominantemente evitativas.
Relação clara entre conflitos/interrupções e queda de capacidade.
Melhora após pausas ou apoio social (indicador clínico importante).
Mudanças clínicas esperadas
Menos oscilação sobre a percepção da eficácia.
Transição de estratégias evitativas → estratégias funcionais.
Diminuição gradual da influência da exaustão.
Aumento da percepção de competência em tarefas específicas.
Limitações e cuidados
Burnout é multifatorial: combinar com entrevistas, escalas padronizadas e análise de contexto organizacional.
Evitar reforçar hiperprodutividade, foco é saúde, não desempenho.
Este diário foi criado para ajudá-lo a acompanhar como você se sente durante seu dia de trabalho. As questões são simples e diretas. Responda com sinceridade, não existem respostas "certas" ou "erradas". O objetivo é entender melhor seu dia e seus sentimentos.
Tempo de preenchimento: 5 a 7 minutos, preferencialmente ao final do dia.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Chen, J. A., Fearey, E., & Smith, R. E. (2017). A theoretical and empirical review of self-monitoring in self-management and adaptive behavior change. Journal of Behavior Therapy and Mental Health
Ong, C. W., Hayes, S. C., & Hofmann, S. G. (2022). A process-based approach to cognitive behavioral therapy: A theory-based case illustration. Frontiers in Psychology.
Bandura, A. (1997). Self-efficacy: The exercise of control. Freeman
CARVALHO, A. V. D. (2019). Terapia cognitivo-comportamental na síndrome de Burnout: contextualização e intervenções. Novo Hamburgo: Sinopsys.