Instrumentos Psicológicos para Ansiedade
Ansiedade é uma das queixas mais frequentes na clínica. O GAD-7 e a HAM-A quantificam a gravidade dos sintomas; o CASO-A30 e a LSAS focam em ansiedade social; a DASS-21 e a HADS permitem avaliar ansiedade junto com depressão. Confira abaixo as escalas e questionários disponíveis.
Instrumentos
Diário de Ataques, Gatilhos e Respostas de Pânico
Objetivo clínico do instrumento
Captar, em tempo real, o ciclo do pânico (situação → sensações corporais/interoceptivas → interpretações catastróficas → respostas comportamentais) e suas condições de contexto, para orientar formulação de caso e intervenções de TCC (psicoeducação, reestruturação cognitiva e exposições interoceptivas/situacionais). Isso se alinha às recomendações da TCC para pânico no Brasil.
Público-alvo
Adultos e adolescentes com ataques de pânico/transtorno do pânico em acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico. Pode ser usado também em grupos TCC.
Finalidade
Monitorar intensidade, frequência e padrões de desencadeamento e manutenção (evitação, comportamentos de segurança), além de estratégias de enfrentamento usadas e fatores protetivos. Complementa a entrevista clínica e a avaliação padronizada.
Fenômeno avaliado
Ataques de pânico e ansiedade antecipatória, com foco em sensações físicas (taquicardia, tontura, dispneia), avaliações catastróficas (“vou morrer”, “vou desmaiar”) e respostas comportamentais (fuga/evitação, busca de garantia).
Como será usado pelo paciente
Preenchimento breve logo após episódios ou crises e no fechamento do dia. Estimula identificação de gatilhos, registro de pensamentos e teste de estratégias TCC entre sessões.
Principais usos clínicos e contextuais
Formular hipóteses funcionais (o que dispara, o que mantém, o que alivia).
Planejar exposições interoceptivas/situacionais e reestruturação cognitiva.
Acompanhar resposta a intervenções e/ou medicação.
Limitações e cuidados
Não substitui avaliação diagnóstica; pode aumentar a vigilância interoceptiva em fases iniciais, usar com psicoeducação para evitar hipervigilância. Integrar com diretrizes clínicas e, quando necessário, avaliação médica (descartar causas clínicas de sintomas).
Diário para Estratégias de Relaxamento
Objetivo clínico do instrumento
Acompanhar, no contexto real do(a) paciente, a prática de técnicas de relaxamento (com foco em respiração diafragmática/respiração lenta) e suas repercussões na ansiedade, tensão corporal e funcionamento diário, para subsidiar formulações de caso e intervenções em TCC/AC. Evidências nacionais e manuais de TCC descrevem a respiração diafragmática e o relaxamento como estratégias de manejo fisiológico da ansiedade e componentes de planos terapêuticos na APS e ambulatórios especializados.
Público-alvo:
Adultos e adolescentes em psicoterapia cognitivo-comportamental com queixas de ansiedade, estresse, pânico, insônia ou somatizações leves/moderadas; aplicável em atenção primária e serviços ambulatoriais.
Finalidade:
Monitorar intensidade subjetiva de ansiedade/tensão, contexto, gatilhos e efeitos percebidos após a prática, além de frequência e qualidade da execução (aderência/tempo/ritmo), permitindo avaliar dose-resposta e ajustar o plano terapêutico. (Base conceitual de registrar “antes/depois” e duração inspirada no recurso anexo, adaptada e expandida para múltiplas dimensões.)
Fenômeno psicológico avaliado:
Autorregulação emocional por vias fisiológicas (ativação parassimpática/queda da hiperexcitação), ansiedade subjetiva, padrões situacionais e comportamentais associados. Revisões brasileiras e diretrizes clínicas descrevem a técnica como redutora de excitação autonômica e útil em planos de cuidado para ansiedade.
Como será usado pelo paciente:
Poderá ser breve e e o tempo pode variar de 3 a 5 minutos; os momentos podem ser combinados (1 ou mais vezes ao dia + após eventos estressantes, ou em dias específicos); será registrado: intensidade antes/depois (0-10), técnica utilizada, tempo de prática, contexto/ gatilhos e efeitos percebidos. (A estrutura “antes/depois” e “tempo” é sustentada pelo objetivo de verificar efeito imediato da prática.)
Principais usos clínicos e contextuais
Psicoeducação e treino de habilidades (TCC/Protocolo Unificado) com verificação de prática entre sessões.
Base para discutir barreiras de adesão, aperfeiçoar técnica (p. ex., mão no abdome/peito, ritmo lento), e prevenir “uso de segurança” que interfira em exposição.
Limitações e cuidados específicos
Não substitui avaliação clínica; usar combinado com entrevista e outras medidas.
Atenção a hiperventilação/parestesias em transtorno do pânico: orientar respiração lenta diafragmática e interromper se piorar sintomas.
Em condições respiratórias/cardiopulmonares, seguir orientações de saúde e adaptar ritmo/tempo. (Princípio de segurança geral.)
Entrevista para Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
A Entrevista para Transtorno de Ansiedade Generalizada é um instrumento de avaliação projetado para identificar sintomas relacionados ao TAG, pois oferece suporte e direcionamento em processos de acolhimento e direcionamento para avaliação diagnóstica formal. Segundo Kessler et al. (2005), o TAG apresenta prevalência de 3,1% na população geral dos EUA em 12 meses, com alta taxa de comorbidade com outros transtornos ansiosos e depressivos. No cenário clínico, o TAG é caracterizado por preocupação persistente, dificuldades de controle cognitivo sobre pensamentos ansiosos e sintomas somáticos como tensão muscular e insônia (Hofmann, 2022).
Finalidade clínica
Triagem inicial de sintomas de ansiedade generalizada; suporte para formulação de hipótese diagnóstica.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 15 a 20 minutos.
População-alvo
Adultos e adolescentes.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
Entrevista para Transtorno de Ansiedade Social (TAS)
A Entrevista para Transtorno de Ansiedade Social é uma ferramenta de avaliação qualitativa da manifestação de sintomas relacionados ao Transtorno de Ansiedade Social e também utilizada para avaliar a gravidade em adultos ou adolescentes. Este instrumento foca em compreender as experiências do paciente em situações sociais, as reações emocionais e físicas que ocorrem e o impacto que esses sintomas têm na vida diária, fundamentando-se nos critérios diagnósticos descritos no DSM-5 e nas principais manifestações clínicas observadas na prática (Schneier, 2021; Stein et al., 2021).
O Transtorno de Ansiedade Social (DSM-5, APA, 2013) é caracterizado por medo acentuado de situações sociais nas quais o indivíduo possa ser exposto a possíveis situações de avaliação negativa dos outros, com medo de agir de maneira humilhante ou ser rejeitado. Ao avaliar, é necessário considerar e capturar, de maneira estruturada, informações sobre:
Sintomas físicos e emocionais;
Comportamentos de evitação;
Impacto funcional (trabalho, estudo, relações sociais);
Histórico de desenvolvimento e fatores precipitantes;
Estratégias de enfrentamento e busca de tratamento.
Tempo médio de aplicação
15–30 minutos
População-alvo
Adolescentes e adultos (a partir de 13 anos), conforme prevalência descrita em Grant et al. (2005), que destaca início típico na adolescência.
Usos recomendados:
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAS, formulação de caso, acompanhamento qualitativo de progresso terapêutico.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
Entrevista para Transtorno do Pânico (TAG, TAS e Agorafobia)
O instrumento é uma entrevista clínica estruturada destinada a identificar sintomas relacionados ao Transtorno do Pânico (TP), considerando três possíveis outros diagnósticos diferenciais e/ou comórbidos, ou até mesmo para descartá-los quando é o caso: Transtorno de Ansiedade Social (TAS), Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e Agorafobia. Fundamenta-se nos critérios diagnósticos do DSM-5-TR (APA, 2023) para avaliar a presença, frequência e impacto funcional desses transtornos. O objetivo clínico é apoiar triagens diagnósticas, formulações de caso e o planejamento de intervenções terapêuticas baseadas em modelos cognitivo-comportamentais (Hofmann, 2022).
O Transtorno do Pânico (TP) é caracterizado por ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhados de preocupações persistentes sobre a ocorrência de novos ataques ou de mudanças comportamentais desadaptativas associadas, como evitação de situações. Esses ataques envolvem súbitos episódios de medo ou desconforto intenso, geralmente atingindo o pico em minutos, com sintomas como palpitações, sudorese, tremores e sensação de falta de ar (APA, 2023; NIMH, n.d.). O instrumento avalia a frequência, intensidade e impacto funcional desses episódios.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 20 a 30 minutos, dependendo da complexidade das respostas do paciente.
População-alvo
Adolescentes e adultos (não especificado no manual, mas compatível com os transtornos avaliados segundo APA, 2023).
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico diferencial, planejamento terapêutico, monitoramento de evolução clínica, e pesquisa em saúde mental.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
Entrevista Transtorno de Ansiedade de Doença (TAD)
O instrumento "Entrevista para Avaliação de Transtorno de Ansiedade de Doença" visa avaliar preocupações excessivas relacionadas à saúde, típicas do Transtorno de Ansiedade de Doença (DSM-5-TR, 2022). Fundamenta-se nos modelos psicopatológicos de ansiedade somática e preocupações hipocondríacas, conforme descritos por Scarella et al. (2019).
O Transtorno de Ansiedade de Doença, tecnicamente, é caracterizado por uma preocupação persistente e excessiva com a possibilidade de ter ou adquirir uma doença grave, mesmo na ausência de sintomas físicos significativos ou diante de avaliações médicas tranquilizadoras. Os indivíduos apresentam alta ansiedade relacionada à saúde, baixo limiar para preocupações somáticas e exibem comportamentos frequentes de busca de segurança (como consultas médicas repetidas) ou, alternativamente, evitam cuidados médicos por medo de receber um diagnóstico ameaçador. A preocupação é crônica, geralmente superior a seis meses, e causa prejuízo funcional em atividades sociais, profissionais ou outras áreas importantes da vida do indivíduo. Epidemiologicamente, sua prevalência na população geral é estimada entre 0,75% e 3%, com início predominante na vida adulta e um curso usualmente crônico e flutuante. Comorbidades comuns incluem transtornos de ansiedade generalizada, transtornos depressivos e transtorno obsessivo-compulsivo.
Tempo médio de aplicação
20 a 30 minutos (entrevista semi-estruturada)
População-alvo
Adultos (>18 anos), sem restrições de ocupação
Usos recomendados
Triagem clínica exploratória, apoio ao diagnóstico diferencial (particularmente frente a quadros de somatização, TAG e transtornos somatoformes) e formulação de caso em contextos de psicoterapia e psiquiatria.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A)
A Hamilton Anxiety Rating Scale (HAM-A) é uma escala de entrevista clínica de 14 itens para avaliar a gravidade de sintomas de ansiedade, comumente utilizada para TAG e outros quadros ansiosos; foi proposta originalmente por Max Hamilton para quantificar sintomas em pacientes com ansiedade e apoiar pesquisa clínica, não para diagnóstico. O trabalho original enfatiza que a escala descreve e quantifica sintomas (incluindo os somáticos) em pacientes já diagnosticados com estados de ansiedade.
Tipo de aplicação:
Essa escala deve ser preenchida pelo profissional, e não pelo paciente.
Tempo médio de aplicação
O instrumento deve ser aplicado em formato de entrevista: 20 a 30 minutos
População-alvo
Adultos
Usos recomendados
Triagem, monitoramento de gravidade e descrição sindrômica de ansiedade; não substitui entrevista diagnóstica.
Escala de Ansiedade Social de Liebowitz - versão autoaplicável (LSAS)
O Liebowitz Social Anxiety Scale - Self Report version (LSAS-SR) é uma escala amplamente utilizada para avaliar a ansiedade social e o comportamento de esquiva em diversas situações sociais. Esta escala foi desenvolvida por Michael Liebowitz em 1987 e possui uma versão auto aplicada adaptada para o português brasileiro.
Finalidade do Instrumento:
Avaliação dimensional, triagem, diagnóstico complementar, avaliação de resposta ao tratamento
Objetivo clínico
Mensurar a gravidade da fobia social/transtorno de ansiedade social, diferenciando níveis de medo e evitação em situações sociais e de desempenho.
População-alvo
Adultos e adolescentes a partir dos 18 anos, em contextos clínicos e populacionais, especialmente indivíduos com suspeita ou diagnóstico de transtorno de ansiedade social.
Tempo estimado de aplicação
10 a 15 minutos
Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21)
A DASS-21 (Depression, Anxiety and Stress Scale – 21 itens) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar três estados emocionais negativos: depressão, ansiedade e estresse. Sua construção baseia-se no Modelo Tripartite de Clark e Watson (1991), que diferencia esses estados com base em três componentes: afeto negativo (comum às três condições), afeto positivo reduzido (associado à depressão) e hiperativação fisiológica (associada à ansiedade). O DASS-21 permite a identificação e o monitoramento desses estados emocionais com uso único, evitando a necessidade de aplicar múltiplas escalas.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 minutos
População-alvo
Adultos (18 a 75 anos), inclusive pacientes e cuidadores de serviços ambulatoriais
Usos recomendados
Triagem psicológica, apoio ao diagnóstico diferencial entre ansiedade, monitoramento de sintomas, avaliação pré e pós-intervenção em psicoterapia, pesquisas em saúde mental e psicologia clínica.
Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS)
A Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) é um instrumento de triagem psicológica desenvolvido por Zigmond e Snaith (1983), traduzido e adaptado para o Brasil por Botega et al. (1995). Seu objetivo clínico é identificar sintomas de ansiedade e depressão leves, especialmente em contextos hospitalares e não psiquiátricos. A HADS tem sido amplamente utilizada para rastreamento de sofrimento psicológico em diferentes populações, incluindo pacientes clínicos, cirúrgicos, com dor crônica e profissionais da saúde. Teoricamente, baseia-se na distinção entre sintomas psicológicos e somáticos, excluindo itens que possam ser confundidos com manifestações físicas de doenças médicas.
Aplicação
Autoaplicável, duração média de 5 a 10 minutos.
População-alvo
Adultos, incluindo pacientes hospitalares (clínicos, cirúrgicos), pessoas com dor crônica e profissionais da saúde.
Usos recomendados
Triagem psicológica em contextos hospitalares e clínico, avaliação pré-operatória, acompanhamento em dor crônica, avaliação ocupacional e monitoramento em saúde mental.
Generalized Anxiety Disorder (GAD-7)
A Generalized Anxiety Disorder Scale – GAD-7 é um instrumento de autorrelato breve que avalia a presença e a frequência de sintomas relacionados ao transtorno de ansiedade generalizada (TAG), conforme os critérios do DSM-IV. Seu objetivo clínico é rastrear sintomas de ansiedade e identificar possíveis casos com níveis clínicos de ansiedade generalizada. É fundamentada teoricamente na fenomenologia da ansiedade e tem ampla aplicação em contextos clínicos, de saúde pública e pesquisa.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAG, investigação de comorbidades com depressão, planejamento terapêutico, pesquisa em saúde mental e estudos populacionais.
Inventário de Supressão de Pensamentos do Urso Branco (WBSI)
O Inventário de Supressão de Pensamentos do Urso Branco (White Bear Suppression Inventory – WBSI) avalia a tendência individual à supressão de pensamentos indesejados ou intrusivos, um processo psicológico associado a diversos transtornos, como ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), depressão, transtornos do pânico e comportamentos aditivos. A supressão de pensamentos é vista como um mecanismo que, embora inicialmente adaptativo, pode produzir efeitos paradoxais (como o efeito rebote), aumentando a frequência dos pensamentos evitados. O WBSI é fundamentado nos estudos de Wegner sobre os efeitos paradoxais da tentativa de controlar pensamentos.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 minutos
População-alvo
Adultos da população geral, incluindo diferentes níveis de escolaridade
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, avaliação de mecanismos de enfrentamento cognitivo, formulação de caso em transtornos ansiosos e obsessivo-compulsivos, pesquisa em saúde mental
Mental Health Index (MHI-5)
O Mental Health Index-5 (MHI-5), ou Índice de Saúde Mental (ISM-5) é uma subescala do SF-36 composta por 5 itens que avalia sintomas de depressão e ansiedade, funcionando como medida breve de saúde mental para triagem em amostras clínicas e não clínicas. Escores mais altos indicam melhor saúde mental.
Tipo de aplicação
Instrumento autoaplicável pelo paciente.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos (18 a 88 anos) da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao psicodiagnóstico, monitoramento em intervenções e pesquisa em saúde mental.
Monitoramento Diário de Ansiedade Generalizada - Avaliação Ecológica Momentânea (EMA-AG)
Objetivo clínico
A versão EMA da GAD-7 visa monitorar as flutuações diárias dos sintomas de ansiedade generalizada, capturando a intensidade do nervosismo, a dificuldade de relaxar e a presença de preocupações persistentes no cotidiano do paciente. Diferente da escala original, que é uma medida retrospectiva (últimas 2 semanas) e diagnóstica, esta versão EMA é uma ferramenta idiográfica de alta validade ecológica, focada em identificar gatilhos, variações de estado e a resposta imediata a intervenções terapêuticas.
Utilização na prática
Tempo médio de aplicação: Menos de 1 minuto por registro.
População-alvo: Adultos em acompanhamento psicoterápico ou psiquiátrico que apresentam queixas de ansiedade.
Situações recomendadas: Monitoramento de progresso clínico, identificação de padrões de piora (ex.: ansiedade matinal vs. noturna), avaliação de eficácia medicamentosa e auxílio na conceitualização de caso.
Validade da Escala
A GAD-7 original apresenta excelentes propriedades psicométricas, com um Alfa de Cronbach em torno de 0.92 e alta sensibilidade (89%) e especificidade (82%) para o diagnóstico de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada).
Nota importante: A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
Estrutura do instrumento
Número de itens: 5 itens de sintomas + 2 itens contextuais opcionais.
Tipo de resposta: Escala visual analógica/linear de 0 a 10 (0 = "Nada"; 10 = "Extremamente").
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje, até agora".
Frequência recomendada: 1 vez ao dia (preferencialmente ao final do dia).
Usos recomendados (versão EMA)
Análise de Tendência: Observar se a média de ansiedade diária diminui ao longo das semanas de tratamento.
Identificação de Gatilhos: Cruzar picos de ansiedade com eventos estressantes relatados.
Engajamento Terapêutico: Facilitar o autorrelato preciso, reduzindo o viés de memória da sessão semanal.
Complementação: A EMA oferece o "filme" do dia a dia, enquanto a GAD-7 original oferece a "foto" da gravidade quinzenal.
Monitoramento Diário de Ansiedade Social - Avaliação Ecológica Momentânea (EMA-AS)
Objetivo clínico
O Monitoramento Diário de Ansiedade Social (EMA-AS) avalia as flutuações diárias de sintomas de ansiedade e comportamentos de evitação em contextos sociais. Fundamentado nos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e na validade ecológica da EMA, o instrumento visa identificar padrões de reatividade a situações de interação e desempenho. Enquanto a escala LSAS-SR original é uma medida retrospectiva de severidade clínica (padrão-ouro), a versão EMA é uma medida idiográfica de alta resolução temporal para acompanhar a dinâmica dos sintomas no "mundo real".
Utilização prática
Tempo médio: < 2 minutos.
População-alvo: Adultos em acompanhamento clínico com queixas de ansiedade social ou fobia social.
Situações recomendadas: Monitoramento de progresso terapêutico, identificação de hierarquias de exposição in vivo, acompanhamento de intervenções farmacológicas e análise funcional de comportamentos de segurança.
Validade psicométrica (escala original x EMA)
A escala original LSAS-SR apresenta propriedades psicométricas excelentes na versão brasileira, com consistência interna (alfa de Cronbach) entre 0,90 e 0,96 e estabilidade teste-retest de 0,81.
Nota Importante: A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
Estrutura do instrumento EMA
Itens: 7 itens (5 de sintomas, 2 contextuais).
Resposta: Escala linear de 0 (Nada/Nunca) a 10 (Máximo possível).
Organização: Bloco único de aplicação diária.
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje até agora".
Usos recomendados (versão EMA)
Monitoramento longitudinal de flutuações de ansiedade social.
Apoio à formulação idiográfica de caso baseada em dados reais.
Ajuste de metas para tarefas de exposição comportamental.
Identificação de "dias críticos" e gatilhos situacionais específicos.
Complementação da medida global de severidade da LSAS-SR original.
Monitoramento Diário de Ansiedade, Depressão e Estresse - Avaliação Ecológica Momentânea (EMA-DAS)
Objetivo clínico
Esta versão EMA da DASS-21 monitora 12 indicadores fundamentais divididos nos três construtos do modelo tripartite: Depressão (anhedonia, ausência de afeto positivo, desvalorização da vida), Ansiedade (hiperestimulação autonômica, efeitos musculoesqueléticos, pânico) e Estresse (tensão persistente, irritabilidade, baixa tolerância à frustração). O objetivo é capturar o estado emocional diário do paciente e a comorbidade entre esses estados. Enquanto a escala original foca na severidade retrospectiva da última semana, esta versão foca na dinâmica temporal dos sintomas e na identificação de gatilhos ambientais. Fundamenta-se na Psicologia Baseada em Processos (PBT) e na Avaliação Ecológica Momentânea para entender como o indivíduo transita entre esses estados ao longo do dia.
Diferenciação entre a escala original e EMA: A DASS-21 original é uma medida retrospectiva validada para triagem e gravidade. A versão EMA aqui proposta é uma medida idiográfica de alta validade ecológica, destinada ao monitoramento de processos, e ainda não possui validação psicométrica independente.
Utilização prática
Tempo médio de aplicação: ~2 minutos por registro.
População-alvo: Adultos em acompanhamento clínico para transtornos de humor ou ansiedade.
Situações recomendadas: Identificação de picos de estresse, monitoramento de anhedonia diurna, avaliação de resposta imediata a intervenções e engajamento em tarefas de ativação comportamental.
Validade psicométrica (escala original x EMA)
A DASS-21 original apresenta validade de construto sólida no Brasil, com fatores distintos para cada estado. A correlação entre a subescala de Depressão e o BDI é de 0,86; Ansiedade e BAI é de 0,80; e Estresse e ISSL é de 0,74.
Nota: A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
Estrutura do instrumento EMA
Número total de itens: 12 itens de sintomas + 2 contextuais.
Tipo de resposta: Escala linear de 0 (Nada/Nunca) a 10 (Extremo/Sempre).
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje (até agora)"
Frequência recomendada: 1x ao dia (final do dia) para triagem de progresso ou 2x ao dia (manhã/noite) para análise de ciclo circadiano de humor.
Usos recomendados (versão EMA)
Monitoramento longitudinal de estados emocionais reativos.
Apoio à formulação de caso (ex.: identificar se o estresse precede picos de ansiedade).
Avaliação da variabilidade do afeto positivo (vital para o tratamento da depressão).
Monitoramento Diário de Sintomas de Ansiedade - Avaliação Ecológica Momentânea (EMA-HAM-A)
1) Objetivo clínico
Fenômeno avaliado: O monitoramento diário via EMA-HAM-A foca na dinâmica temporal dos estados de ansiedade, capturando a intensidade e a flutuação dos sintomas psíquicos e somáticos ao longo do dia.
Relação com a escala original: A escala original foi desenhada para quantificar o estado clínico de pacientes já diagnosticados com estados de ansiedade neurótica. A versão EMA preserva a estrutura de 13 variáveis (agrupadas em domínios psíquicos e somáticos), mas desloca o foco da gravidade clínica global para a reatividade diária.
Justificativa para uso em EMA: A ansiedade manifesta-se em crises ou flutuações que muitas vezes são subestimadas em avaliações retrospectivas. O uso diário permite identificar padrões de piora (ex.: matinal vs. noturna) e a correlação imediata entre estressores ambientais e a resposta somática.
Utilidade clínica geral: Auxilia na formulação de caso ao distinguir pacientes predominantemente "psíquicos" de "somáticos", permitindo ajustes finos em intervenções farmacológicas (ex.: betabloqueadores para sintomas físicos) ou psicoterápicos (ex.: manejo de preocupações).
2) Utilização prática
Tempo médio de aplicação: Aproximadamente 1 a 2 minutos por registro.
População-alvo: Adultos em tratamento para transtornos de ansiedade (TAG, Pânico, Ansiedade Social) ou em investigação de sintomas somáticos sem causa orgânica aparente.
Situações recomendadas de uso: Monitoramento de início de tratamento medicamentoso, identificação de gatilhos contextuais e avaliação da generalização de habilidades de enfrentamento da TCC.
Integração na rotina clínica: Recomenda-se o preenchimento ao final do dia ("ao longo do dia de hoje"). Em sessão, o terapeuta utiliza os gráficos de tendência para explorar os "picos" de ansiedade e o que ocorreu naqueles momentos específicos.
3) Validade psicométrica - EMA
A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada. O deslocamento ocorre da observação clínica externa (heteroavaliação) para o autorrelato momentâneo, o que pode aumentar a percepção de sintomas somáticos pelo paciente.
Diretrizes de Adaptação Psicométrica e Justificativa de Fidelidade ao Construto
Critério de seleção dos itens: Foram mantidos os núcleos das 13 variáveis de Hamilton, adaptando a linguagem de "sintomas clínicos" para "experiências subjetivas diárias".
Fidelidade ao construto: A EMA mantém a equivalência matemática e clínica entre a ansiedade psíquica e a somática, garantindo que o "DNA" do modelo de Hamilton (equilíbrio entre mente e corpo) seja preservado. Em contrapartida, a validade do contruto pode ser alterada pelo fato da mudança na janela temporal das aplicações.
Validade Convergente Conceitual: Espera-se que a média dos escores EMA ao longo de uma semana correlacione-se positivamente com o escore total de uma aplicação tradicional da HAM-A realizada no final dessa mesma semana, caso haja alguma discrepância vale realizar uma boa investigação clínica para compreender o motivo e como o intrumento atual poderá ser adaptado de acordo com o caso.
Mudança de foco do construto: A EMA intensifica a observação da reatividade ansiosa, permitindo ver como o paciente "transita" entre os estados de tensão e relaxamento ao longo das horas.
Estrutura do instrumento EMA
Itens de sintomas: 10 itens (agrupados por afinidade clínica para reduzir fadiga).
Itens contextuais: 2 itens (gatilhos e enfrentamento).
Tipo de resposta: Escala linear de 0 a 10.
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje"
Frequência: 1x ao dia (preferencialmente à noite).
Questionário de Ansiedade Social para Adultos (CASO-A30)
O Questionário de Ansiedade Social para Adultos (CASO-A30) é um inventário de autorrelato desenvolvido para avaliar ansiedade social/fobia social (TAS) em adultos, tanto na população geral quanto em contextos clínicos. Ele deriva do CISO-A (Cuestionário de Interacción Social para Adultos) e foi construído dentro de uma perspectiva cognitivo-comportamental e de habilidades sociais, alinhada ao conceito de TAS descrito no DSM (medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho em que o indivíduo pode sentir vergonha ou ser avaliado negativamente).
Tempo médio de aplicação
8 a 10 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem e avaliação dimensional de ansiedade social em: População geral adulta; universitários; pacientes com TAS em contexto clínico; uso em pesquisa. Apoio à avaliação de resultados de intervenção em habilidades sociais, pelo menos em nível exploratório.
Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ)
O Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ) avalia a tendência geral e patológica de preocupação excessiva, característica central do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). O construto subjacente é a preocupação como traço disposicional, fundamentado nos modelos cognitivo-comportamentais da ansiedade patológica. Seus principais usos clínicos incluem triagem de TAG, apoio ao diagnóstico diferencial, monitoramento de sintomas e avaliação de resposta a intervenções terapêuticas, sobretudo em contextos de terapia cognitivo-comportamental.
Tempo médio de aplicação
5–10 minutos.
População-alvo
Adultos e jovens adultos; estudo de validação com universitários brasileiros (17–68 anos).
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAG, investigação transdiagnóstica (ex.: preocupação patológica em outros transtornos ansiosos), monitoramento longitudinal de sintomas e resposta ao tratamento cognitivo-comportamental.
Registro de Automonitoramento de Ansiedade
O Registro de Automonitoramento de Ansiedade é uma ferramenta estruturada de autorrelato que tem como objetivo principal auxiliar indivíduos no reconhecimento, monitoramento e análise de episódios de ansiedade. Fundamenta-se nos pressupostos da terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente nos modelos de formulação em cinco partes (situação, pensamentos, emoções, reações físicas e comportamentos). Seu uso clínico é voltado à identificação de padrões ansiosos, estímulos associados, explorar as conexões entre pensamentos automáticos negativos (NATs), sensações corporais, respostas e estratégias de enfrentamento, promovendo maior autorregulação emocional e suporte à psicoeducação.
Tempo médio de aplicação
Entre 5 a 10 minutos por episódio registrado.
População-alvo
Adolescentes e adultos, com indicação ampla em contextos clínicos diversos.
Situações recomendadas para uso
Sessões de psicoterapia, intervenções psicoeducativas, programas de regulação emocional, monitoramento entre sessões, formulação de caso e intervenções baseadas em evidências no manejo da ansiedade.
Registro de Automonitoramento de Ansiedade de Saúde
O Registro de Automonitoramento de Ansiedade de Saúde é uma ferramenta baseada nos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e foi projetada para ajudar pacientes a monitorar e compreender os pensamentos, emoções e sensações corporais associados à ansiedade relacionada à saúde. O registro é dividido em quatro seções: situação, pensamentos automáticos sobre a saúde, emoções e sensações corporais. Seu objetivo é ajudar o paciente a identificar padrões de pensamentos e reações que possam estar exacerbando preocupações com a saúde.
Cada campo do formulário permite ao paciente registrar episódios específicos, conectando eventos externos a respostas internas, como cognições negativas e sintomas fisiológicos. O preenchimento regular desse registro proporciona informações relevantes para análise terapêutica e planejamento de estratégias de intervenção.
Self-reporting Questionnaire (SRQ-20)
O SRQ-20 (Self-Reporting Questionnaire) é um questionário criado pela OMS nos anos 1970 para rastrear sintomas de depressão, ansiedade e transtornos somáticos. Composto por 20 perguntas, ele se destaca por incluir questões sobre sintomas físicos, um ponto fundamental para a identificação adequada de transtornos mentais comuns, especialmente na atenção primária à saúde (APS), onde esses sintomas são frequentemente subdiagnosticados. O SRQ-20 é autoaplicável e de fácil compreensão, podendo ser utilizado mesmo por pessoas com baixo nível de escolaridade ou analfabetas, desde que auxiliadas por um terceiro. Originalmente desenvolvido para APS, o instrumento provou ser útil em diferentes contextos, incluindo escolas, ambientes de trabalho e pesquisas de larga escala.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Indivíduos ≥ 14 anos
Usos recomendados
Rastreamento de transtornos não-psicóticos; apoio à decisão de encaminhamento/avaliação diagnóstica.
Testes de Autoverbalizações na Interação Social (SISST)
O SISST é um instrumento de avaliação cognitiva desenvolvido para mensurar autoverbalizações (self-statements) durante interações sociais. O questionário contém 30 itens, divididos em duas subescalas: autoverbalizações positivas (facilitadoras) e autoverbalizações negativas (inibidoras). A escala foi desenvolvida empiricamente a partir de pensamentos relatados por indivíduos em situações sociais desafiadoras. Os itens foram selecionados através de avaliações de profissionais especializados.
Tempo médio de aplicação:
8 minutos
População-alvo:
Adultos (utilizado originalmente com universitários; no Brasil, aplicado experimentalmente em adultos sem transtornos psiquiátricos)
Usos recomendados:
Triagem cognitiva em ansiedade social;
Avaliação complementar em psicodiagnóstico;
Formulação cognitiva de caso;
Monitoramento de intervenções focadas em reestruturação cognitiva;
Pesquisa clínica e acadêmica.
Escalas Padronizadas para Ansiedade
Esta categoria inclui 11 escalas padronizadas com pontuação estruturada e pontos de corte validados para avaliação de ansiedade.
Ver todas as escalas para Ansiedade