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O Liebowitz Social Anxiety Scale - Self Report version (LSAS-SR) é uma escala amplamente utilizada para avaliar a ansiedade social e o comportamento de esquiva em diversas situações sociais. Esta escala foi desenvolvida por Michael Liebowitz em 1987 e possui uma versão auto aplicada adaptada para o português brasileiro.
Finalidade do Instrumento:
Avaliação dimensional, triagem, diagnóstico complementar, avaliação de resposta ao tratamento
Objetivo clínico
Mensurar a gravidade da fobia social/transtorno de ansiedade social, diferenciando níveis de medo e evitação em situações sociais e de desempenho.
População-alvo
Adultos e adolescentes a partir dos 18 anos, em contextos clínicos e populacionais, especialmente indivíduos com suspeita ou diagnóstico de transtorno de ansiedade social.
Tempo estimado de aplicação
10 a 15 minutos
A LSAS-SR é composta por 48 itens no total, correspondentes a 24 situações sociais avaliadas em duas dimensões distintas: medo/ansiedade e esquiva/evitação. Assim, a estrutura da escala consta com:
24 itens de "Medo" (ou ansiedade) em situações sociais (itens: 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15, 17, 19, 21, 23, 25, 27, 29, 31, 33, 35, 37, 39, 41, 43, 45 e 47)
24 itens de "Evitação" dessas mesmas situações sociais (itens: 2, 4 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26, 28, 30, 32, 34, 36, 38, 40, 42, 44, 46 e 48)
1.1. Cada item é respondido em uma escala Likert de 4 pontos (0 a 3), onde para medo/ansiedade:
0 = Nenhum(a)
1 = Pouco(a)
2 = Moderado(a)
3 = Profundo(a)
Para evitação/esquiva:
0 = Nunca (0%)
1 = Ocasionalmente (10%)
2 = Frequentemente (33 a 67%)
3 = Geralmente (67 a 100%)
Pontuação
Cada item é pontuado de 0 a 3, separadamente para medo/ansiedade e evitação/esquiva:
Soma-se os 24 itens de medo → Subescala de Medo (0 a 72)
Soma-se os 24 itens de esquiva → Subescala de Esquiva (0 a 72)
Escore total = soma dos 48 itens (0 a 144)
Apresentação final: três escores: medo, esquiva e total
3.1. Pontos de corte sugeridos do valor total (valores internacionais):
< 54 → Sintomas mínimos ou ausência de sintomas clinicamente significativos
55–65 → leve
66–80 → moderado
81–95 → grave
> 95 → muito grave
3.2. Subescalas de Medo e Evitação:
Não há pontos de corte validados para as subescalas de forma isolada (medo: 0–72; esquiva: 0–72). Nem o estudo brasileiro nem os principais estudos internacionais estabeleceram faixas classificatórias para essas dimensões separadamente.
3.3. As subescalas são mais utilizadas para:
- Identificar perfis sintomáticos específicos (ex: medo alto com evitação baixa pode indicar enfrentamento com sofrimento subjetivo)
- Avaliar mudanças ao longo do tempo
- Direcionar o foco terapêutico (por exemplo, quando a evitação for desproporcional ao medo)
3.4. Sugere-se, com base em abordagens clínicas exploratórias, que valores acima de 36 em qualquer subescala (ou seja, metade da pontuação máxima de 72) pode indicar alerta, mas esse critério não é padronizado e deve ser interpretado com cautela e em conjunto com a avaliação clínica.
4.1. Baseia-se na definição de fobia social do DSM-IV, com ênfase em modelos cognitivo-comportamentais da ansiedade social, que destacam medo de avaliação negativa, evitação e hiperativação autonômica.
4.2. Justifica-se teoricamente com base na TCC, considerando os seguintes constructos: ansiedade situacional, evitação comportamental, avaliação negativa, e autorregulação emocional.
5.1. Associação com quadros clínicos:
Escores altos em ambas as subescalas → Ansiedade Social generalizada
Escores altos apenas em subgrupos → Ansiedade Social circunscrita
Baixa esquiva com alto medo → perfil ansioso com enfrentamento (uso para formulações clínicas mais detalhadas)
5.2. Formulação de hipóteses clínicas:
Auxilia na distinção entre ansiedade social e timidez situacional
Apoia decisões sobre necessidade de intervenção terapêutica
Essas faixas devem ser usadas com cautela e sempre integradas à avaliação clínica e contextual. Elas não substituem o julgamento do clínico, mas podem apoiar a formulação de hipóteses e a decisão sobre necessidade de intervenção.
1. Este instrumento avalia o papel que a ansiedade social desempenha na sua vida em várias situações;
2. Leia cada situação cuidadosamente e responda duas questões sobre a mesma;
3. A primeira questão pergunta o quanto você SENTE MEDO OU ANSIEDADE na situação;
4. A segunda questão pergunta com que frequência você EVITA a situação;
5. Caso você encontre uma situação na qual você normalmente não se depara (p. ex., “tentar namorar alguém”, sendo casado); solicitamos que você imagine “o que faria caso você se encontrasse nesta situação”, e então avalie o quanto você temeria esta situação hipotética e com que frequência você tenderia a evitá-la. Por favor, baseie sua avaliação na maneira que as situações afetaram você na ÚLTIMA SEMANA.
Heimberg RG, Horner KJ, Juster HR, Safren SA, Brown EJ, Schneier FR, et al. Psychometric properties of the Liebowitz Social Anxiety Scale. Psychol Med. 1999;29(1):199-212.
Santos, L. F., Loureiro, S. R., Crippa, J. A. S., & Osório, F. L. (2013). Adaptation and initial psychometric study of the self-report version of Liebowitz Social Anxiety Scale (LSAS-SR). International Journal of Psychiatry in Clinical Practice, 17(2), 139–143. https://doi.org/10.3109/13651501.2012.720330
Santos, L. F., Loureiro, S. R., Crippa, J. A. S., & Osório, F. L. (2013). Psychometric validation study of Liebowitz Social Anxiety Scale: Self-reported version for Brazilian Portuguese. PLOS ONE, 8(7), Artigo e70235. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0070235
Heimberg, R. G., & Holaway, R. M. (2000). Examination of the known-groups validity of the Liebowitz Social Anxiety Scale. Depression and Anxiety, 24(7), 447–454.
Osório, F. L. (2013). Social anxiety disorder: From research to practice. Nova Science Publishers.