Instrumentos Psicológicos para Dependência
Confira instrumentos psicológicos, escalas e questionários relacionados a dependência. Ferramentas validadas para profissionais de saúde mental.
Instrumentos
Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT)
O AUDIT (Alcohol Use Disorder Identification Test) é um instrumento de rastreio desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar padrões de consumo de álcool potencialmente prejudiciais. Avalia o uso nocivo de álcool, sintomas de dependência e consequências adversas do consumo, sendo utilizado em contextos clínicos, organizacionais e comunitários. A versão brasileira validada por Santos et al. (2012) buscou avaliar sua estrutura fatorial, fidedignidade e estabilidade temporal em uma amostra de universitários.
Tempo médio de aplicação
10 a 15 minutos
População-alvo
Adolescentes e adultos da população geral, com uso mais comum entre universitários e pacientes em atenção primária
Contextos recomendados
Triagem em serviços de saúde, psicoterapia, avaliação em programas clínicos e pesquisas populacionais
Usos clínico recomendados
Rastreio precoce de uso problemático de álcool; apoio a decisões clínicas; avaliação em contextos de saúde pública e intervenções breves.
Avaliação Ecológica Momentânea Diária para Dependência Tecnológica (EMA)
A Avaliação Ecológica Momentânea Diária para Dependência Tecnológica (EMA – Ecological Momentary Assessment) é um instrumento que visa mensurar, em tempo real e ao longo do dia, os padrões de uso e os efeitos subjetivos do uso de tecnologias digitais. O instrumento tem como foco a identificação de possíveis padrões de dependência, impulsividade no uso e consequências emocionais relacionadas ao uso de tecnologia. É fundamentado no modelo de autorregulação e nos princípios da avaliação ecológica momentânea, uma abordagem empírica para monitorar fenômenos psicológicos no contexto natural e cotidiano.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 2 a 5 minutos por aplicação diária.
População-alvo
Adolescentes e adultos usuários frequentes de tecnologias digitais.
Situações recomendadas para uso
Monitoramento em tempo real durante intervenções, apoio ao planejamento terapêutico em casos de uso problemático de tecnologia.
Cocaine Craving Questionnaire – Brief (CCQ-B)
O Cocaine Craving Questionnaire – Brief (CCQ-B) foi desenvolvido por Sussner et al. (2006) como uma versão abreviada do Cocaine Craving Questionnaire-Now (CCQ-Now), originalmente criado por Tiffany et al. (1993). O CCQ-B é uma escala validada para avaliar o craving por cocaína, sendo amplamente utilizada em contextos clínicos e de pesquisa para monitorar o desejo intenso e multidimensional pelo uso da substância; alinhado a componentes como desejo intenso, expectativa de resultado positivo, alívio de abstinência/afeto negativo, intenção/planejamento de uso e dificuldade de controle (o artigo discute esse enquadramento teórico e a relevância clínica do craving para recaída).
Tempo estimado de aplicação
Entre 2 e 4 minutos.
População-alvo
Adultos dependentes de cocaína em contexto de tratamento (internação, ambulatório ou acompanhamento clínico).
Contextos recomendados de uso
Clínica de dependência química, contextos hospitalares, triagem, avaliação do progresso terapêutico, pesquisa científica.
Apoio ao planejamento terapêutico e monitoramento de uma variável associada à manutenção da abstinência e risco de recaída; aplicação em contextos clínicos com usuários de cocaína.
Entrevista para Álcool
A Entrevista para Álcool é um instrumento clínico de rastreamento qualitativo que investiga padrões, contextos e impactos do uso de álcool. Seu objetivo é auxiliar na formulação de hipóteses diagnósticas relacionadas ao transtorno por uso de álcool (TUA), levantar dados sobre histórico de consumo, consequências funcionais, fatores de risco e motivações subjetivas. O instrumento é fundamentado em diretrizes contemporâneas da literatura sobre dependência de álcool, com foco nos critérios diagnósticos reconhecidos por manuais como o DSM-5.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 20 a 30 minutos, dependendo da extensão das respostas.
População-alvo
Adultos em contexto de triagem clínica, psicodiagnóstico, intervenção breve ou acompanhamento terapêutico.
Usos recomendados
Entrevistas iniciais em psicoterapia, formulação de caso clínico e psicodiagnóstico, avaliação de risco em serviços de saúde mental, acompanhamento de pacientes em tratamento para dependência química.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
Entrevista para Álcool (familiares)
A Entrevista para Álcool (familiares) é um instrumento qualitativo de coleta de informações indiretas sobre o padrão de uso de álcool de um indivíduo, a partir do relato de seus familiares. Seu principal objetivo é compreender a presença, frequência, intensidade e impacto funcional do uso de álcool sob a perspectiva dos familiares, com ênfase na identificação de comportamentos compatíveis com dependência, prejuízos psicossociais, histórico de uso e fatores contextuais e relacionais associados. O instrumento é orientado por critérios clínicos compatíveis com transtornos por uso de substâncias, alinhando-se ao modelo biopsicossocial e integrando aspectos históricos, familiares, sociais e motivacionais.
Tempo médio de aplicação
20 a 30 minutos (estimado com base no número e complexidade das perguntas)
População-alvo
Familiares de adolescentes ou adultos com suspeita ou diagnóstico de uso problemático de álcool
Usos recomendados
Entrevistas clínicas iniciais, formulação de caso e psicodiagnóstico, triagem em contextos de tratamento, avaliação do contexto familiar e compreensão da rede de apoio
**Instrumento aplicado pelo profissional.
Escala de Autoeficácia para Abstinência de Drogas (EAAD)
A Escala de Autoeficácia para Abstinência de Drogas (EAAD) é uma medida de autorrelato, originada da Drug Abstinence Self-Efficacy Scale (DASE) de DiClemente et al. (1994) e adaptada para o Brasil para avaliação de pessoas com dependência de cocaína e crack. Sua finalidade é mensurar o nível de confiança do indivíduo em permanecer abstinente em diferentes situações de risco. A EAAD auxilia, ainda, a compreensão de situações de risco para recaída.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos dependentes de cocaína e/ou crack, internados ou em tratamento ambulatorial .
Usos recomendados
Triagem clínica, planejamento terapêutico, psicodiagnóstico em dependência química, monitoramento de tratamento e pesquisa.
Escala de Avaliação de Sintomas de Jogo (G-SAS)
A Escala de Avaliação de Sintomas de Jogo (G-SAS) é uma escala de autorrelato composta por 12 itens, criada para avaliar a gravidade dos sintomas relacionados ao jogo patológico e acompanhar mudanças ao longo do tratamento. Não se trata de uma ferramenta diagnóstica, mas sim de uma escala que mede a severidade dos sintomas nas dimensões de urgências, pensamentos e comportamentos relacionados ao jogo, além de impactos emocionais e sociais.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos com quadro clínico de dependência de jogo.
Usos recomendados
Mensurar gravidade atual dos sintomas de jogo patológico (últimos 7 dias) em adultos com quadro clínico estabelecido.
Monitorar progresso terapêutico ao longo do tempo (reaplicação semanal/longitudinal), acompanhando redução/aumento de pensamentos, comportamento e sofrimento/impacto.
Escala de Dependência Tecnológica (EDTec)
A Escala de Dependência Tecnológica tem como objetivo avaliar a presença e a intensidade de comportamentos associados ao uso disfuncional de tecnologias digitais, especialmente o uso excessivo de dispositivos como smartphones, computadores e acesso à internet. O instrumento é fundamentado em construtos relacionados à dependência comportamental, autorregulação, uso compulsivo e impactos psicossociais associados à tecnologia.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 a 7 minutos
População-alvo
Adultos em geral
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica de uso problemático de tecnologia, formulação de caso, investigação de comorbidades (como ansiedade ou depressão), planejamento terapêutico e monitoramento em contextos de saúde mental e dependências comportamentais.
Escala de Rastreamento para Dependência de Sexo (SAST)
A Escala de Rastreamento para Dependência de Sexo (SAST) objetiva identificar prováveis casos de dependência de sexo/“comportamento sexual aditivo”, entendida como padrão persistente de perda de controle e manutenção do comportamento a despeito de consequências negativas, tomando como referência critérios diagnósticos adaptados a partir do DSM IV para dependência de sexo.
Tipo de aplicação:
Instrumento autoaplicável
Tempo médio de aplicação
10 a 15 minutos.
População-alvo
Adultos em contextos clínicos e não clínicos (17 a 58 anos).
Usos recomendados
Triagem/rastreamento inicial em serviços clínicos para casos de comportamento sexual aditivo.
Escala de Situações Tentadoras para o Uso de Drogas (ESTUD)
A Escala de Situações Tentadoras para o Uso de Drogas avalia o nível de tentação para uso de drogas ilícitas em situações consideradas de alto risco, de acordo com o modelo cognitivo-comportamental de recaída. Sua função é complementar a avaliação de autoeficácia para abstinência (EAAD), sendo construtos independentes e inversamente correlacionados. A avaliação da tentação é essencial para compreender gatilhos emocionais, sociais e fisiológicos que aumentam a probabilidade de recaída.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos dependentes de cocaína e/ou crack, internados ou em tratamento ambulatorial.
Usos recomendados
Identificação de gatilhos de recaída
Formulação de caso em TCC e modelos motivacionais
Monitoramento de risco de recaída
Planejamento de intervenções de prevenção de recaída
Apoio a decisões clínicas em CAPS AD, internação e ambulatórios especializados.
Histogram of Gaming Behavior (HGB)
O Histogram of Gaming Behavior (HGB) é um instrumento qualitativo de rastreamento clínico, cujo objetivo é avaliar padrões comportamentais relacionados ao uso de jogos digitais, com ênfase na identificação de comportamentos problemáticos ou disfuncionais. O instrumento investiga aspectos relacionados à frequência e duração do uso, impacto na rotina, funcionamento social, emocional e ocupacional, estratégias de compensação e crenças disfuncionais associadas ao jogo. Embora não estruturado sob um modelo teórico explícito, o HGB alinha-se a concepções clínicas e psicopatológicas dos transtornos relacionados a jogos, conforme descritos em manuais como o DSM-5 e CID-11.
Tempo médio de aplicação
5 a 10 minutos, dependendo da extensão das respostas abertas
População-alvo
Sdolescentes e adultos que fazem uso recorrente de jogos digitais
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica inicial, apoio à formulação diagnóstica, exploração qualitativa do comportamento de jogo em contextos de psicodiagnóstico e planejamento terapêutico
Monitoramento Diário de Tentação e Fissura - Avaliação Ecológica Momentânea (EMA-TF)
1) Objetivo clínico
A versão EMA da ESTUD monitora as flutuações da tentação (fissura/craving) em tempo real, capturando a vulnerabilidade do paciente em seu ambiente natural. Fundamentada no Modelo Transteórico e na TCC, a escala avalia como estados internos (emoções, cansaço) e estímulos externos (lugares, pessoas) impactam o impulso de uso. Diferente da versão retrospectiva, esta medida permite identificar padrões de risco diários e a capacidade de autorregulação do paciente.
A ESTUD original é uma medida retrospectiva padronizada para triagem e planejamento. A versão EMA é uma medida idiográfica de monitoramento contínuo, ainda não validada psicometricamente.
2) Utilização prática
Tempo médio de aplicação: 2 a 3 minutos.
População-alvo: Adultos em tratamento para transtornos por uso de substâncias.
Situações recomendadas: Monitoramento longitudinal, prevenção de recaída, identificação de gatilhos específicos e ajuste de estratégias de enfrentamento.
3) Validade psicométrica (escala original x EMA)
A ESTUD original é uma medida retrospectiva padronizada para triagem e planejamento. A versão EMA é uma medida idiográfica de monitoramento contínuo, ainda não validada psicometricamente.
A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
4) Diretrizes de Adaptação
Os itens foram selecionados para garantir cobertura equânime dos 4 fatores originais, adaptando a linguagem para "o dia de hoje" a fim de reduzir o viés de memória e aumentar a validade ecológica.
5) Estrutura do instrumento EMA
Total de itens: 15 itens (12 de sintomas/tentação + 3 contextuais).
Tipo de resposta: Escala linear de 0 a 10.
Janela temporal: “Ao longo do dia de hoje até agora”
Frequência: 1x ao dia (final do dia) ou sob demanda.
**Nota: A EMA complementa a aplicação periódica da ESTUD original para validar a percepção de melhora do paciente.
Problematic Internet Use Questionnaire – Short Form-9 (PIUQ-SF-9)
O Problematic Internet Use Questionnaire – Short Form – 9 (PIUQ-SF-9), versão brasileira é um instrumento breve de rastreamento de uso problemático de internet (UPI), definido como padrão excessivo e descontrolado associado a prejuízos em saúde física/emocional, relações sociais e funcionamento ocupacional. O instrumento baseia-se no modelo tridimensional do PIUQ (derivado do instrumento original de 18 itens), com três aspectos do UPI: obsessão (preocupação/abstinência), negligência (abandono de atividades/necessidades) e transtorno de controle (dificuldade de controlar o uso).
Tempo médio de aplicação
3 a 5 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem/rastreamento de risco de Uso Problemático de Internet (UPI) em população geral (instrumento breve).
Apoio à avaliação clínica inicial (screening) para levantar hipóteses sobre padrão problemático (perda de controle, prejuízos, sinais tipo abstinência/compulsividade), sempre integrado à entrevista clínica e a outras fontes.
Investigação transdiagnóstica/comorbidades, especialmente em conjunto com indicadores de humor/sintomas depressivos e variáveis comportamentais (tempo online).
Monitoramento longitudinal do risco/sintomatologia por reaplicações (há estabilidade teste–reteste), sem parâmetros de mudança clínica (RCI/MCID) no estudo.
Uso em pesquisa clínica/psicométrica (comparações entre grupos, estudos populacionais e investigação de modelo fatorial), com recomendação de novos estudos em amostras clínicas e adolescentes.
Questionário de Processos de Mudança (EMP)
Objetivo Clínico
O Questionário de Processos de Mudança (EMP), denominado EMP na versão brasileira, avalia com que frequência uma pessoa utiliza pensamentos, emoções e ações para modificar comportamentos problemáticos, especialmente relacionados ao uso de drogas ilícitas. Baseia-se no Modelo Transteórico de Mudança (MTT), que descreve a mudança como um processo com estágios motivacionais. O EMP foi desenvolvido para medir 10 processos de mudança, organizados em dois domínios: processos experienciais/cognitivos (mais comuns em estágios iniciais) e processos comportamentais (predominantes em estágios avançados). Seu uso é indicado em contextos clínicos e de pesquisa em dependência química, auxiliando na compreensão de estratégias utilizadas e no planejamento de intervenções.
Tempo médio de aplicação
O EPM é um autorrelato de aplicação rápida (5-10 min)
População-alvo
Adolescentes e adultos usuários de drogas ilícitas, especialmente em tratamento.
Usos recomendados
Triagem e psicodiagnóstico
Avaliação transdiagnóstica de mecanismos de mudança
Monitoramento de progresso terapêutico
Planejamento de intervenção personalizada
Pesquisa clínica em dependência química
Em reaplicações periódicas (a cada 2-4 semanas), permite acompanhar evolução e orientar foco terapêutico. Pacientes com maior uso de processos comportamentais tendem a melhor adesão e menor recaída.
Smartphone Addiction Scale – Long Version (SAS-LV)
A Smartphone Addiction Scale – Long Version (SAS-LV) é um instrumento desenvolvido por Min Kwon e colaboradores em 2013 para avaliar sintomas de uso problemático de smartphones. Trata-se de instrumento de rastreio de padrão de uso de smartphone compatível com o construto de “dependência/uso problemático de smartphone”, ancorado em componentes típicos de adições comportamentais (p.ex., tolerância, abstinência, compulsividade e prejuízo funcional).
Tempo médio de aplicação
10 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Usos recomendados
Triagem / rastreio (screening) de dependência/uso problemático de smartphone (identificar provável caso e indicar necessidade de avaliação clínica complementar).
Teste de Dependência à Nicotina de Fagerström (FTND)
O Teste de Dependência à Nicotina de Fagerström (FTND) é um instrumento breve de rastreamento voltado à dependência física de nicotina/tabaco, operacionalizando principalmente necessidade de reposição de nicotina e padrões comportamentais de consumo (especialmente tabagismo matinal e intensidade diária). O FTND avalia aspectos como o tempo até o primeiro cigarro do dia, a frequência de consumo diário, e o grau de dificuldade em evitar fumar em locais proibidos. Sua aplicação é rápida e direta, sendo usado tanto em contextos clínicos quanto em pesquisas epidemiológicas.
Tempo média de aplicação
3 minutos
População-alvo:
Fumantes adultos (população geral e amostras clínicas)
Usos recomendados:
Triagem e estratificação de gravidade da dependência física à nicotina em diferentes contextos.
Apoio ao planejamento de cessação do tabagismo (histórico e padrão de consumo; necessidade de reposição de nicotina foi uma motivação histórica do instrumento).
Pesquisa e prática clínica: o artigo ressalta que, apesar do uso extenso, ainda há necessidade de estudos mais robustos com entrevistas estruturadas como comparadores para refinar acurácia e pontos de corte por população.
Teste de Identificação de Transtornos pelo Uso de Drogas (Versão Curta) - Drug Use Disorders Identification Test (DUDIT)
O Drug Use Disorders Identification Test (DUDIT) é um instrumento de triagem breve destinado à identificação de padrões problemáticos de uso de drogas ilícitas e medicamentos de uso controlado. Seu propósito é auxiliar profissionais de saúde mental na detecção precoce, avaliação de risco e planejamento de intervenções para transtornos relacionados ao uso de substâncias (exceto álcool).
Tipo de aplicação
O DUDIT pode ser administrado como um questionário de autorrelato ou como uma entrevista oral.
Tempo médio de aplicação
05 a 10 minutos.
População-alvo
Pessoas > 16 anos de idade
Usos recomendados
- Triagem e detecção precoce de transtornos por uso de substâncias
- Apoio ao diagnóstico diferencial (abuso vs. dependência)
- Monitoramento de risco em contextos clínicos e forenses
- Pesquisas epidemiológicas e de saúde pública
Teste de Identificação de Transtornos pelo Uso de Drogas (Versão Estendida) (Drug Use Disorders Identification Test - Extended) (DUDIT-E)
O Drug Use Disorders Identification Test - Estendido (DUDIT-E) foi desenvolvido para mapear e compreender os aspectos motivacionais e funcionais do uso de substâncias ilícitas ou medicamentos com potencial de abuso, indo além da triagem diagnóstica. O instrumento permite identificar frequência e padrão de uso, valências positivas e negativas associadas ao consumo e níveis de prontidão para mudança (tratamento). Seu uso clínico se insere na segunda etapa de um modelo de avaliação sequencial proposto pelos autores (Berman et al., 2007), após o rastreio inicial e antes da avaliação diagnóstica aprofundada, com foco em planejamento de tratamento, monitoramento motivacional e formulação de caso clínico.
Tipo de aplicação
Instrumento autoaplicável.
Tempo médio de aplicação
10 a 20 minutos.
População-alvo
Adultos e jovens com histórico de uso abusivo de drogas, inclusive em contextos forenses, prisionais, ambulatoriais e de desintoxicação.
Usos recomendados
Avaliação motivacional e clínica do uso de substâncias, acompanhamento terapêutico e mensuração de mudança em programas de reabilitação ou tratamento.
URICA para Drogas Ilícitas (University Rhode Island Change Assessment) (URICA)
A URICA (University Rhode Island Change Assessment) – adaptação brasileira para drogas ilícitas é uma escala de autorrelato que avalia estágios motivacionais de mudança em usuários de substâncias psicoativas ilícitas, com base no Modelo Transteórico de Mudança de Comportamento (MTT): pré-contemplação, contemplação, ação e manutenção. O foco é a motivação para mudar o comportamento de uso de drogas (maconha, cocaína, crack, solventes), especialmente em contexto de tratamento (ambulatorial e internação). Teoricamente, a escala se ancora no MTT, que descreve mudança como processo contínuo em estágios, e foi originalmente construída para uso em psicoterapia e em comportamentos aditivos.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adolescentes (> 13 anos) e adultos usuários de drogas ilícitas em tratamento ambulatorial ou de internação, em contextos de dependência química.
Usos recomendados
Avaliação de estágio motivacional em usuários de drogas ilícitas em:
Triagem em ambulatórios e serviços de internação;
Planejamento e adequação de intervenções motivacionais;
Monitoramento de processos de mudança durante tratamento;
Pesquisa sobre prontidão para mudança e adesão em dependência química.
URICA para Tabagistas (University of Rhode Island Change Assessment) (URICA - Tabaco)
A URICA-24 Tabaco é uma versão brasileira abreviada da University of Rhode Island Change Assessment, voltada especificamente para dependentes de tabaco. Ela deriva do instrumento original de estágios de mudança em psicoterapia desenvolvido por McConnaughy, Prochaska e Velicer (1983), descrevendo a mudança de comportamento como um processo dinâmico que se desenrola através de estágios: Pré-contemplação, Contemplação, Preparação (ou Determinação), Ação e Manutenção. A URICA para tabagistas objetiva Identificar em que estágio motivacional o fumante se encontra.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos em tratamento para tabagismo
Usos recomendados
Triagem motivacional para programas de cessação do tabagismo;
Planejamento de intervenções motivacionais (p. ex., entrevista motivacional, grupos de cessação);
Monitoramento de mudança motivacional em atendimentos individuais ou em grupo, sobretudo em ambulatórios ou serviços especializados para tabagistas.
URICA para Álcool (University of Rhode Island Change Assessment) (URICA - Álcool)
A URICA (University of Rhode Island Change Assessment) para álcool é um instrumento de avaliação da prontidão para mudança segundo o Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente (1983). O Modelo Transteórico (TTM) concebe a mudança comportamental como um processo dinâmico e temporal, dividido em estágios sequenciais. A avaliação da motivação para mudança, independentemente da modalidade de tratamento empregada, é considerada um aspecto fundamental para a seleção e aplicação de intervenções adequadas para os pacientes. A URICA não mede gravidade do uso nem diagnóstico, mas nível motivacional, informando: reconhecimento do problema, ambivalência, disposição para agir e manutenção de mudanças.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos com uso problemático, abuso ou dependência de álcool.
Usos recomendados
Triagem motivacional para programas de cessação do abuso de álcool;
Planejamento de intervenções motivacionais (p. ex., entrevista motivacional, grupos de cessação);
Monitoramento de mudança motivacional em atendimentos individuais ou em grupo, sobretudo em ambulatórios ou serviços especializados.
Escalas Padronizadas para Dependência
Esta categoria inclui 16 escalas padronizadas com pontuação estruturada e pontos de corte validados para avaliação de dependência.
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