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A URICA (University of Rhode Island Change Assessment) para álcool é um instrumento de avaliação da prontidão para mudança segundo o Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente (1983). O Modelo Transteórico (TTM) concebe a mudança comportamental como um processo dinâmico e temporal, dividido em estágios sequenciais. A avaliação da motivação para mudança, independentemente da modalidade de tratamento empregada, é considerada um aspecto fundamental para a seleção e aplicação de intervenções adequadas para os pacientes. A URICA não mede gravidade do uso nem diagnóstico, mas nível motivacional, informando: reconhecimento do problema, ambivalência, disposição para agir e manutenção de mudanças.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos com uso problemático, abuso ou dependência de álcool.
Usos recomendados
Triagem motivacional para programas de cessação do abuso de álcool;
Planejamento de intervenções motivacionais (p. ex., entrevista motivacional, grupos de cessação);
Monitoramento de mudança motivacional em atendimentos individuais ou em grupo, sobretudo em ambulatórios ou serviços especializados.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos (1 = “Discordo muito” … 5 = “Concordo plenamente”).
Organização: 4 subescalas (Pré-contemplação; Contemplação; Ação e Manutenção)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Pré-contemplação (PC): Mede o grau em que o sujeito não reconhece o abuso de álcool como problema ou não demonstra intenção de mudar. Inclui negação, minimização e percepção de pressão externa para tratamento.
Contemplação (C): Mede ambivalência, o paciente reconhece prejuízos, pensa seriamente em mudar, busca entender causas e consequências, mas ainda não se comprometeu com a ação.
Ação (A): Mede esforços atuais e comportamentos de mudança (redução de consumo, uso de estratégias de enfrentamento, alteração de rotinas, busca de ajuda).
Manutenção (M): Mede preocupação com prevenção de recaída e esforço para estabilizar mudanças já alcançadas; monitora medo de voltar a fumar, manejo de gatilhos e consolidação de novo estilo de vida.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Escore por subescala: Soma dos 6 itens correspondentes (mínimo 6, máximo 30).
O estudo não apresenta pontos de corte clínicos validados para classificar automaticamente o sujeito em um estágio com base apenas em limiares pré-definidos de escore.
Pré-contemplação (PC):
Escore alto: baixa consciência do problema; resistência; possível coerção externa.
Escore baixo: reconhece o problema.
Contemplação (C):
Escore alto: ambivalência ativa, reflexão, mas sem compromisso firme.
Escore baixo: pouca reflexão ou já avançou para ação.
Ação (A):
Escore alto: já iniciou mudanças, implementando estratégias de enfrentamento.
Escore baixo: ainda sem passos concretos.
Manutenção (M):
Escore alto: foco em prevenção de recaída, continuidade de tratamento.
Escore baixo: mudanças recentes ou instáveis.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo original indica que o instrumento reflete perfis motivacionais distintos e é útil para monitoramento.
Entretanto, não há RCI, MCID, nem dados de sensibilidade à mudança no estudo original e na adpatação brasileira.
A URICA pode ser reaplicada em processos clínicos, mas não possui métricas formais de mudança clínica.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser usada para diagnóstico de abuso ou dependência.
Não substitui entrevista clínica motivacional.
Pode gerar interpretações equivocadas se usada sem integração com contexto clínico.
Estágios não são lineares; retrocessos são esperados.
Deve ser aplicada com clareza sobre sigilo, coerção e ambivalência do cliente.
6. Sugestões para análise clínica:
PC alto: trabalhar consciência do problema → psicoeducação, exploração de impactos, entrevista motivacional focada em ambivalência.
C alto: técnicas de resolução de ambivalência, balanço decisional, análise funcional.
A alto: estratégias de coping, planos de ação, reestruturação ambiental.
M alto: prevenção de recaída, manejo de gatilhos, reforço de autoeficácia.
Por favor, leia cuidadosamente as frases a seguir. Cada afirmação descreve a maneira como você pode pensar (ou não pensar) o seu comportamento com relação ao álcool. Favor indicar o grau que você concorda ou discorda de cada afirmação. Em cada questão, faça sua escolha pensando em como você se sente agora, não como você se sentia no passado nem como gostaria de sentir.
Existem CINCO possíveis respostas para cada um dos itens do questionário: Discordo muito, Discordo, Indeciso, Concordo e Concordo plenamente. Selecione que melhor descreve o quanto você concorda ou discorda de cada afirmação.
McConnaughy, E. A., Prochaska, J. O., & Velicer, W. F. (1983). Stages of change in psychotherapy: Measurement and sample profiles. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, 20(3), 368. https://doi.org/10.1037/h0090198
Oliveira, M. S., Freire, S. F., & Cazassa, M. J. (2007). Validação da versão brasileira da escala URICA para abuso ou
dependência de álcool. Anais do XIX Congresso da ABEAD, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).