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O Cocaine Craving Questionnaire – Brief (CCQ-B) foi desenvolvido por Sussner et al. (2006) como uma versão abreviada do Cocaine Craving Questionnaire-Now (CCQ-Now), originalmente criado por Tiffany et al. (1993). O CCQ-B é uma escala validada para avaliar o craving por cocaína, sendo amplamente utilizada em contextos clínicos e de pesquisa para monitorar o desejo intenso e multidimensional pelo uso da substância; alinhado a componentes como desejo intenso, expectativa de resultado positivo, alívio de abstinência/afeto negativo, intenção/planejamento de uso e dificuldade de controle (o artigo discute esse enquadramento teórico e a relevância clínica do craving para recaída).
Entre 2 e 4 minutos.
Adultos dependentes de cocaína em contexto de tratamento (internação, ambulatório ou acompanhamento clínico).
Clínica de dependência química, contextos hospitalares, triagem, avaliação do progresso terapêutico, pesquisa científica.
Apoio ao planejamento terapêutico e monitoramento de uma variável associada à manutenção da abstinência e risco de recaída; aplicação em contextos clínicos com usuários de cocaína.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 10 itens
Tipo de resposta: resposta Likert de 7 pontos (1 = “discordo totalmente” a 7 = “concordo totalmente”), respondendo ao “agora” (estado atual).
Organização: Unidimensional
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Os itens abrangem aspectos como desejo de uso, alívio de sintomas de abstinência, e controle percebido sobre o consumo.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
A interpretação do CCQ-B é baseada na pontuação total, que reflete a gravidade do craving. Pontuações mais elevadas indicam maior risco de recaída e maior intensidade de desejo pelo uso de cocaína. Não há subdivisão dos itens em categorias na versão abreviada, o que torna o escore total o principal indicador clínico.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Não são apresentados dados de sensibilidade à mudança, RCI ou MCID, nem intervalos recomendados de reaplicação no estudo de validação brasileira. Na prática clínica, pode ser reaplicado conforme a necessidade de monitoramento (por exemplo, sessões sucessivas ou momentos críticos), mas isso é uma inferência baseada no formato “estado atual” e não uma recomendação validada pelo estudo.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não mensura outros sintomas de abstinência. Não se destina a diagnósticos de transtorno por uso de substância.
O estudo brasileiro é de adaptação transcultural/semântica, não de validação psicométrica completa; portanto, cautela no uso para decisões de alto impacto (p.ex., classificação diagnóstica, elegibilidade) até que estudos brasileiros de fidedignidade/validade sejam publicados.
Uso não deve ser isolado: integrar com entrevista clínica, análise funcional, histórico de uso, comorbidades, contexto de tratamento e outras medidas (autorrelato e/ou indicadores objetivos), especialmente porque craving é flutuante e sensível ao contexto.
6. Sugestões para análise clínica:
Triagem de risco imediato: elevações em itens de intenção (3/9) e prioridade (6/10) podem orientar intervenções de curto prazo (restrição de acesso, plano de enfrentamento, suporte social, manejo de gatilhos).
Formulação cognitivo-comportamental: item 8 (expectativa positiva) e itens de desejo (1/2/5) ajudam a mapear crenças, antecipações e reforçadores; item 4 (resistência) informa autoeficácia e metas graduais.
Planejamento terapêutico: padrões elevados e consistentes podem indicar necessidade de intervenções específicas para craving (ex.: prevenção de recaída, manejo de urgência, habilidades de regulação emocional, estratégias motivacionais).
Monitoramento em tratamento: usar o escore total e, qualitativamente, “quais itens subiram” para identificar gatilhos e ajustar o plano (lembrando que o artigo não oferece métricas de mudança confiável).
Sussner B, Smelson DA, Rodrigues S, Kline A, Losonczy M, Ziedonis D. The validity and reliability of a brief measure of cocaine craving. Drug Alcohol Depend. 2006;83(3):233-7.
Tiffany, S. T., Singleton, E., Haertzen, C. A., & Henningfield, J. E. (1993). The development of a cocaine craving questionnaire. Drug and alcohol dependence, 34(1), 19-28.
Araújo RB, Pedroso RS, Castro MGT. Adaptação transcultural para o idioma português do cocaine craving questionnaire brief. Rev Psiq Clín. 2010;37(5):195-8.
Silveira DX, Fernandes M, Silveira ED, Jorge MR. Cocaine craving questionnaire: assessing craving among cocaine users in Brazil. Psychiatry Res. 2006;142(2-3):257-9.