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A Escala de Avaliação de Sintomas de Jogo (G-SAS) é uma escala de autorrelato composta por 12 itens, criada para avaliar a gravidade dos sintomas relacionados ao jogo patológico e acompanhar mudanças ao longo do tratamento. Não se trata de uma ferramenta diagnóstica, mas sim de uma escala que mede a severidade dos sintomas nas dimensões de urgências, pensamentos e comportamentos relacionados ao jogo, além de impactos emocionais e sociais.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos com quadro clínico de dependência de jogo.
Usos recomendados
Mensurar gravidade atual dos sintomas de jogo patológico (últimos 7 dias) em adultos com quadro clínico estabelecido.
Monitorar progresso terapêutico ao longo do tempo (reaplicação semanal/longitudinal), acompanhando redução/aumento de pensamentos, comportamento e sofrimento/impacto.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 12 itens
Tipo de resposta: Cada item da escala é pontuado de 0 a 4, com descritores específicos para os extremos (0 = ausência do sintoma e 4 = intensidade máxima do sintoma)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Os itens da G-SAS incluem:
Urgências: intensidade, frequência, duração e controle das urgências de jogar (Itens 1–4);
Pensamentos: frequência, duração e controle dos pensamentos sobre jogo (Itens 5–7);
Comportamento e impacto: tempo gasto jogando, antecipação do ato de jogar, prazer ao vencer, sofrimento emocional (como vergonha ou culpa) e problemas pessoais (financeiros, relacionais ou legais) causados pelo jogo (Itens 8–12).
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
A pontuação total varia de 0 a 48, com a possibilidade de categorizar a gravidade dos sintomas em níveis: leve, moderada, severa ou extrema.
A pontuação total da G-SAS reflete a gravidade dos sintomas de jogo patológico e pode ser categorizada da seguinte forma:
Extrema (41–48): Sintomas graves e persistentes, incluindo urgências frequentes e intensas, pensamentos constantes sobre o jogo, e impactos significativos na vida emocional, financeira ou social.
Severa (31–40): Sintomas ainda intensos, mas com algum nível de controle em momentos específicos. Impactos significativos permanecem em várias áreas da vida.
Moderada (21–30): Sintomas presentes de forma moderada, incluindo urgências e pensamentos relacionados ao jogo que ocorrem regularmente, mas com maior capacidade de controle e menor impacto funcional.
Leve (8–20): Sintomas ocasionais e geralmente sob controle. Os impactos funcionais são leves ou inexistentes.
Sem sintomas (0–7): Pontuação que indica ausência de sintomas ou sintomas mínimos que não afetam a funcionalidade do paciente.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O desenho do estudo original foi adequado para avaliar mudança: aplicações semanais/quinzenais ao longo de tratamento (12–16 semanas) e correlação com medidas externas.
RCI/MCID: o estudo não apresenta RCI (Reliable Change Index), erro padrão de medida para mudança individual, nem MCID.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não usar isoladamente para diagnóstico/triagem; é medida de gravidade/mudança.
Autoaplicação pode reduzir confiabilidade em alguns casos (necessidade de garantir compreensão do respondente).
Recomenda-se checar entendimento no início e consistência de respostas ao longo das semanas.
Possível menor sensibilidade em:
Jogadores crônicos com padrão mais habitual (pouca urge/excitação);
Indivíduos que jogam principalmente para escapar de humor deprimido/solidão/estresse (o instrumento pode não captar tão bem essa função).
6. Sugestões para análise clínica:
Triagem de gravidade e planejamento terapêutico: usar o escore total + leitura por domínios para distinguir “redução de comportamento” (item 8) de “persistência de craving/pensamentos” (itens 1–7), orientando foco em prevenção de recaída mesmo quando o jogo reduz.
Formulação de caso:
Urges/pensamentos altos com consequências ainda moderadas → risco de escalada; priorizar manejo de gatilhos, habilidades de regulação e plano de crise.
Consequências/distress altos (itens 11–12) → priorizar intervenções voltadas a reparação, suporte familiar, manejo financeiro/jurídico e comorbidades afetivas/ansiosas (ainda que o estudo tenha excluído muitos quadros comórbidos).
Combinação com outras fontes: complementar com entrevista clínica, avaliação do padrão de jogo (frequência/valores/ambientes), e escalas diagnósticas/funcionais quando o objetivo for diagnóstico ou avaliação ampla.
Responda com base nos sintomas experimentados nos últimos 7 dias. As perguntas abordam a frequência, duração e intensidade das urgências e pensamentos relacionados ao jogo, além de impactos emocionais e funcionais. É fundamental que leia atentamente cada pergunta e escolha a resposta que melhor descreve sua experiência média durante a última semana.
Kim, S. W., Grant, J. E., Potenza, M. N., Blanco, C., & Hollander, E. (2009). The Gambling Symptom Assessment Scale (G-SAS): A reliability and validity study. Psychiatry Research, 166(1), 76–84. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2007.11.008
Galetti, A. M. (2006). Desenvolvimento e avaliação psicométrica da Escala de Seguimento de Jogadores: uma medida de evolução para jogadores patológicos em tratamento [Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo]. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.