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A URICA-24 Tabaco é uma versão brasileira abreviada da University of Rhode Island Change Assessment, voltada especificamente para dependentes de tabaco. Ela deriva do instrumento original de estágios de mudança em psicoterapia desenvolvido por McConnaughy, Prochaska e Velicer (1983), descrevendo a mudança de comportamento como um processo dinâmico que se desenrola através de estágios: Pré-contemplação, Contemplação, Preparação (ou Determinação), Ação e Manutenção. A URICA para tabagistas objetiva Identificar em que estágio motivacional o fumante se encontra.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos em tratamento para tabagismo
Usos recomendados
Triagem motivacional para programas de cessação do tabagismo;
Planejamento de intervenções motivacionais (p. ex., entrevista motivacional, grupos de cessação);
Monitoramento de mudança motivacional em atendimentos individuais ou em grupo, sobretudo em ambulatórios ou serviços especializados para tabagistas.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos (1 = “Discordo Extremamente” … 5 = “Concordo plenamente”).
Organização: 4 subescalas (Pré-contemplação; Contemplação; Ação e Manutenção)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Pré-contemplação (PC): Mede o grau em que o sujeito não reconhece o tabagismo como problema ou não demonstra intenção de mudar. Inclui negação, minimização e percepção de pressão externa para tratamento.
Contemplação (C): Mede ambivalência, o fumante reconhece prejuízos, pensa seriamente em mudar, busca entender causas e consequências, mas ainda não se comprometeu com a ação.
Ação (A): Mede esforços atuais e comportamentos de mudança (redução de consumo, uso de estratégias de enfrentamento, alteração de rotinas, busca de ajuda).
Manutenção (M): Mede preocupação com prevenção de recaída e esforço para estabilizar mudanças já alcançadas; monitora medo de voltar a fumar, manejo de gatilhos e consolidação de novo estilo de vida.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Escore por subescala: Soma dos 6 itens correspondentes (mínimo 6, máximo 30).
O estudo não apresenta pontos de corte clínicos validados para classificar automaticamente o sujeito em um estágio com base apenas em limiares pré-definidos de escore.
Pré-contemplação (PC):
Escore alto (PC): Forte resistência ou baixa consciência de problema, tendência a estar em tratamento por pressão de terceiros (família, médico, sistema judicial) e maior risco de abandono precoce.
Escore baixo (PC): Maior reconhecimento de que há um problema; geralmente compatível com estágios de Contemplação ou posteriores.
Contemplação (C):
Escore alto: Sujeito que pensa muito em parar de fumar, pesa prós e contras, costuma aderir bem a intervenções psicoeducativas e de clarificação de metas, mas pode permanecer “travado” em reflexão prolongada.
Escore baixo: Pouca reflexão ou questionamento sobre o comportamento, o que pode significar verdadeiro desinteresse ou, em alguns casos, transição para Ação (se já tiver mudado recentemente).
Ação (A):
Escore alto: Sujeito está implementando mudanças concretas no padrão de tabagismo (p. ex., já parou ou está em processo de cessação), tende a responder bem a intervenções estruturadas e tarefas de casa.
Escore baixo: Pouca ação efetiva, mesmo que exista consciência do problema; sugere foco terapêutico na resolução de ambivalências, barreiras práticas e autoeficácia.
Manutenção (M):
Escore alto: Sujeito já fez mudanças relevantes (redução intensa ou abstinência), mas ainda se percebe vulnerável e busca apoio para manter ganhos. Geralmente boa indicação para foco em prevenção de recaída, reforço de habilidades e reestruturação de estilo de vida.
Escore baixo: Pouca evidência de manutenção; em fumantes que ainda não mudaram, isso é esperado; em quem já parou, um escore muito baixo pode sinalizar subestimação de risco de recaída.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo brasileiro avaliou pacientes em tratamento individual (8 sessões) e observou redução significativa de Pré-contemplação e aumento de Manutenção após a intervenção, sugerindo que a URICA-Tabaco detecta mudanças motivacionais em poucos encontros.
Não há cálculo de RCI (Reliable Change Index) ou MCID; logo, não há um critério estatístico de “mudança confiável” por indivíduo.
Uso recomendado em monitoramento:
Avaliar na triagem/baseline.
Repetir em momentos-chave (p. ex., início e fim de um bloco de 4–8 sessões, após tentativas de cessação ou recaída), como sugerem discussões sobre dinâmica dos estágios de mudança.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
A própria literatura sobre o instrumento original alerta que dados de desenvolvimento não devem ser usados como normas populacionais amplas; o mesmo raciocínio vale para a normatização da URICA-Tabaco, que é regional e clínica.
A subescala de Pré-contemplação tem fidedignidade baixa na amostra brasileira, o que reduz a precisão para diferenciar indivíduos com níveis próximos de pontuação nesse domínio.
A escala não deve ser usada isoladamente para tomada de decisões clínicas relevantes (p. ex., alta, encaminhamento compulsório). Deve sempre ser complementada por:
Entrevista clínica estruturada ou semiestruturada.
Avaliação de dependência de nicotina.
História de recaídas, comorbidades psiquiátricas (avaliadas no estudo com MINI) e condições médicas.
6. Sugestões para análise clínica:
Como integrar a URICA-24 Tabaco à formulação de caso:
Triagem e formulação inicial:
PC alto: trabalhar engajamento, vínculo e psicoeducação antes de metas de cessação; usar entrevista motivacional focada em ambivalência.
C alto com A baixo: foco em resolução de ambivalências, exploração de obstáculos, construção de plano de ação realista.
Planejamento de intervenção:
A e M altos: priorizar prevenção de recaída, treino de habilidades (controle de estímulos, enfrentamento de craving, manejo de estresse), suporte social.
Monitoramento de progresso:
Aumento de C e A ao longo das sessões, com queda de PC, sugere progresso motivacional, mesmo que a cessação ainda não tenha ocorrido.
Redução de M em ex-fumantes pode sinalizar aumento de risco de recaída, indicando necessidade de reforçar o trabalho de prevenção.
Combinação com outros instrumentos/indicadores:
Junto com escalas de sintomas depressivos/ansiosos e indicadores de suporte social, para ajustar o foco das intervenções comportamentais e farmacológicas.
Com registros de consumo (cigarros/dia, dias de abstinência, tentativas de cessação) para ligar mudança motivacional a mudança comportamental concreta.
Por favor, leia cuidadosamente as frases a seguir. Cada afirmação descreve a maneira como você pode pensar (ou não pensar) o seu comportamento com relação ao tabaco. Favor indicar o grau que você concorda ou discorda de cada afirmação. Em cada questão, faça sua escolha pensando em como você se sente agora, não como você se sentia no passado nem como gostaria de sentir.
Existem CINCO possíveis respostas para cada um dos itens do questionário: Discordo Extremamente, Discordo, Indeciso, Concordo e Concordo Extremamente. Selecione a opção que melhor descreve o quanto você concorda oudiscorda de cada afirmação.
McConnaughy, E. A., Prochaska, J. O., & Velicer, W. F. (1983). Stages of change in psychotherapy: Measurement and sample profiles. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, 20(3), 368. https://doi.org/10.1037/h0090198
Oliveira, M. S., Ludwig, M. W. B., de Moraes, J. F. D., Rodrigues, V. S., & Fernandes, R. S. (2014). Evidências de validade da University of Rhode Island Change Assessment (URICA-24) para dependentes de tabaco. Revista de Ciências Médicas, 23(1), 5-14. https://doi.org/10.24220/2318-0897v23n1a2410
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).