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A Escala de Situações Tentadoras para o Uso de Drogas avalia o nível de tentação para uso de drogas ilícitas em situações consideradas de alto risco, de acordo com o modelo cognitivo-comportamental de recaída. Sua função é complementar a avaliação de autoeficácia para abstinência (EAAD), sendo construtos independentes e inversamente correlacionados. A avaliação da tentação é essencial para compreender gatilhos emocionais, sociais e fisiológicos que aumentam a probabilidade de recaída.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos dependentes de cocaína e/ou crack, internados ou em tratamento ambulatorial.
Usos recomendados
Identificação de gatilhos de recaída
Formulação de caso em TCC e modelos motivacionais
Monitoramento de risco de recaída
Planejamento de intervenções de prevenção de recaída
Apoio a decisões clínicas em CAPS AD, internação e ambulatórios especializados.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: Escala de 5 pontos (0 = “Nada tentado” … 5 = “Extremamente tentado”).
Organização: 4 subescalas (Emoções Negativas, Social/Positivo, Preocupações, Abstinência Impulsos).
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Emoções Negativas:
Tentação para manter abstinência quando exposto a:
tristeza
ansiedade
raiva
frustração
conflitos interpessoais
sensação de descrédito social
Social/Positivo:
Tentação para evitar uso em situações:
sociais
festas, bares
reencontro com pares do uso
acesso a dinheiro
estados de euforia ou celebração
situações onde “ninguém vai ver”
Preocupações:
Tentação diante de:
dor física
cansaço
preocupações com outras pessoas
sonhos com drogas
desconfortos somáticos
Abstinência Impulsos:
Tentação para resistir:
fissura
impulsos súbitos
desejo de testar a força de vontade
estados de abstinência inicial
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de pontuação: Média dos itens por subescala e total.
Os estudos de valiadação não apresentam pontos de corte clínicos validados para risco de recaída.
Emoções Negativas:
Escore alto: risco aumentado de recaída por desregulação emocional; sugere necessidade de intervenção em manejo de emoções, TCC, DBT, mindfulness.
Escore baixo: boa capacidade atual de lidar com emoções sem recorrer ao uso.
Social/Positivo:
Escore alto: risco significativo em contextos sociais; indica necessidade de treinar habilidades de recusa, redes sociais protetivas, planejamento de exposição.
Escore baixo: boa proteção em situações sociais.
Preocupações:
Escore alto: risco relacionado a sintomas físicos e estressores; pode exigir manejo médico, psicoeducação e técnicas de regulação fisiológica.
Escore baixo: bom funcionamento em estados físicos adversos.
Abstinência/Impulso:
Escore alto: presença de craving significativo e impulsividade; recomenda intervenções de manejo de fissura, monitoramento intensivo e técnicas de controle de estímulos.
Escore baixo: baixo risco relacionado a sintomas fisiológicos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados de sensibilidade à mudança, RCI ou MCID.
Indica, porém, que a escala é adequada para monitoramento longitudinal por sua estrutura simples e fidedignidade estável.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
- Não utilizar a escala isoladamente. Deve sempre ser integrada a avaliação clínica, entrevista motivacional, história de uso e avaliação de risco.
- Itens podem gerar reatividade em pacientes com fissura elevada; recomenda-se supervisão clínica durante a aplicação.
- Não substitui avaliação diagnóstica.
6. Sugestões para análise clínica:
Altos escores em Emoções Negativas + Abstinência/Impulso: risco de recaída emocional → priorizar TCC, regulação emocional e plano de crise.
Altos escores em Social/Positivo: foco em habilidades sociais, prevenção de recaída por exposição e restruturação de ambiente.
Altos escores em Preocupações: investigar sintomas físicos, sobrecarga familiar e estressores contextuais.
Integrar com EAAD, pois a correlação inversa ajuda a visualizar desequilíbrios entre tentação e autoeficácia.
Associar com: ASSIST, URICA, BDI/BAI, escalas de craving, entrevistas motivacionais e histórico funcional de uso.
A seguir estão listadas algumas situações que levam algumas pessoas a usar drogas ilegais. QUAL A SUA TENTAÇÃO para USAR DROGAS ilegais em cada situação? Marque a opção que melhor descreve seus sentimentos de TENTAÇÃO PARA USAR DROGAS em cada situação DURANTE A ÚLTIMA SEMANA.
DiClemente, C. C., Carbonari, J. P., Montgomery, R. P. G. & Hughes, S. O. (1994). The Alcohol Abstinence Self-Efficacy Scale. Journal of Studies on Alcohol, 55, 141-148. https://doi.org/10.15288/jsa.1994.55.141
Freire, S. D. (2009). Evidências de validade da Escala de Auto-Eficácia para Abstinência de Drogas (EAAD) e da Escala de Tentação para Uso de Drogas (ESTUD) em dependentes de cocaína e crack internados. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Faculdade de Psicologia.
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).