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O Drug Use Disorders Identification Test - Estendido (DUDIT-E) foi desenvolvido para mapear e compreender os aspectos motivacionais e funcionais do uso de substâncias ilícitas ou medicamentos com potencial de abuso, indo além da triagem diagnóstica. O instrumento permite identificar frequência e padrão de uso, valências positivas e negativas associadas ao consumo e níveis de prontidão para mudança (tratamento). Seu uso clínico se insere na segunda etapa de um modelo de avaliação sequencial proposto pelos autores (Berman et al., 2007), após o rastreio inicial e antes da avaliação diagnóstica aprofundada, com foco em planejamento de tratamento, monitoramento motivacional e formulação de caso clínico.
Tipo de aplicação
Instrumento autoaplicável.
Tempo médio de aplicação
10 a 20 minutos.
População-alvo
Adultos e jovens com histórico de uso abusivo de drogas, inclusive em contextos forenses, prisionais, ambulatoriais e de desintoxicação.
Usos recomendados
Avaliação motivacional e clínica do uso de substâncias, acompanhamento terapêutico e mensuração de mudança em programas de reabilitação ou tratamento.
Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 54 itens
Tipo de resposta: As respostas são dadas em formato Likert, variando de intensidade ou frequência (ex.: de “nunca” a “4 vezes por semana ou mais”).
Organização: O DUDIT-E tem quatro seções:
Uso de drogas (D) – frequência de uso de diferentes substâncias;
Aspectos positivos do uso (P) – crenças e ganhos percebidos;
Aspectos negativos do uso (N) – prejuízos físicos, emocionais e sociais;
Prontidão para tratamento (T) – atitudes e intenções de mudança.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Frequência de uso de drogas (9 categorias de substâncias):
Mapeia frequência e variedade do consumo.
Pode gerar índice total (0–45), índice de uso ativo (intensivo) ou mapa visual de padrões de uso.
Escore elevado → uso mais frequente e policonsumo.
P – Aspectos positivos do uso (17 itens):
Mede benefícios percebidos: relaxamento, bem-estar, sociabilidade, aumento de energia, criatividade e alívio emocional.
Quatro dimensões:
Bem-estar emocional — autoestima, alívio de emoções negativas;
Competência individual — sensação de força, criatividade, felicidade;
Bem-estar físico — relaxamento, sono, sensação de “normalidade”;
Competência social — interação e pertencimento grupal.
Pode gerar índice total (0–68).
Escores altos → percepção reforçadora do uso, baixa motivação inicial para mudança.
N – Aspectos negativos do uso (17 itens):
Avalia consequências negativas: ansiedade, prejuízos físicos, sociais e legais.
Quatro dimensões:
Sofrimento individual;
Sofrimento social;
Sofrimento físico;
Violência/criminalidade.
Pode gerar índice total (0–68).
Escores altos → sofrimento e impacto funcional relevante, potencial motivador para mudança.
T – Prontidão para tratamento (10 itens):
Avalia percepção de necessidade de ajuda, confiança no tratamento e disposição para agir.
Três dimensões:
Prontidão para tratamento;
Prontidão para mudança;
Prontidão para ação.
Pode gerar índice total (-4 a +12).
Escores altos → maior engajamento e busca ativa de tratamento.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- O estudo original não fornece pontos de corte clínico normativos.
- Recomenda-se interpretar os escores de forma comparativa entre aplicações (ex.: pré e pós-intervenção) e com base na intensidade de padrões de resposta.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O instrumento é adequado para reaplicações periódicas (mensais ou trimestrais) em contextos de tratamento para avaliar mudança motivacional.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico de transtorno por uso de substâncias.
Deve ser complementado por entrevista clínica, anamnese e outros instrumentos padronizados.
Possibilidade de respostas influenciadas por desejabilidade social, especialmente em contextos forenses.
6. Sugestões para análise clínica:
- Os escores P e N auxiliam na formulação da ambivalência e na identificação de reforços funcionais do uso.
- Os escores de prontidão para tratamento são indicadores de prontidão para mudança e aderência potencial ao tratamento.
- Pode ser integrado com ASSIST para monitorar estágios motivacionais e intensidade do uso.
- Útil na entrevista motivacional e no planejamento de intervenções direcionadas à redução de danos, engajamento e prevenção de recaídas.
Atenção:
1) A pontuação do tabaco (item 10 aqui apresentado) é excluída do cálculo e está incluída no DUDIT-E para fins de observação.
2) Os itens 50 e 51 (referente a percepção de ajuda) não são usados no cômputo dos escores do fator. Entretanto, podem ser interpretados à parte, por se tratar do quanto o sujeito acredita que tem acesso a suporte, se precisar.
3) Os itens 11, 28 e 45 apresentam, antes do itens, o enunciado (rapport). O item propriamente dito é trazido após o separador (--------).
Você responderá a quatro blocos de questões sobre o uso de substâncias, incluindo frequência, efeitos percebidos e suas opiniões sobre o tema. Em cada item, escolha a alternativa que melhor representa sua vivência. Responda com calma e sinceridade, lembrando que não existem respostas certas ou erradas.
A seguir, você encontrará uma lista com diferentes substâncias. Indique com que frequência você faz uso de cada uma delas.
Berman, A. H., Palmstierna, T., Källmén, H., & Bergman, H. (2007). The self-report drug use disorders identification test—extended (DUDIT-E): reliability, validity, and motivational index. Journal of Substance Abuse Treatment, 32(4), 357-369. https://doi.org/10.1016/j.jsat.2006.10.001
Tradução autorizada: Seibel, S., Morais, F. C., & Siervo, E. (2009). DUDIT-E – Versão em Português.