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A Entrevista para Álcool é um instrumento clínico de rastreamento qualitativo que investiga padrões, contextos e impactos do uso de álcool. Seu objetivo é auxiliar na formulação de hipóteses diagnósticas relacionadas ao transtorno por uso de álcool (TUA), levantar dados sobre histórico de consumo, consequências funcionais, fatores de risco e motivações subjetivas. O instrumento é fundamentado em diretrizes contemporâneas da literatura sobre dependência de álcool, com foco nos critérios diagnósticos reconhecidos por manuais como o DSM-5.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 20 a 30 minutos, dependendo da extensão das respostas.
População-alvo
Adultos em contexto de triagem clínica, psicodiagnóstico, intervenção breve ou acompanhamento terapêutico.
Usos recomendados
Entrevistas iniciais em psicoterapia, formulação de caso clínico e psicodiagnóstico, avaliação de risco em serviços de saúde mental, acompanhamento de pacientes em tratamento para dependência química.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 21 perguntas abertas
Tipo de resposta: respostas discursivas, qualitativas, com base em relato livre
Organização: as questões seguem uma lógica sequencial que abrange:
histórico de uso e padrão atual;
tentativas de cessação;
consequências funcionais;
aspectos psicológicos, sociais e familiares;
percepção subjetiva de controle; motivação para mudança
2. Descrição das dimensões abordadas:
Histórico e padrão de uso (itens 1 a 3):
Avalia início do consumo, uso de outras substâncias e frequência/quantidade atual.
Controle e tentativa de mudança (itens 4 a 6):
Investiga tentativas de parar ou reduzir, tempo investido no uso e presença de craving.
Consequências funcionais (itens 7 a 11):
Examina prejuízos em trabalho, relações, atividades importantes, saúde e comportamentos de risco.
Sinais de dependência (itens 12 a 13):
Tolerância e sintomas de abstinência são questionados de forma qualitativa.
Fatores familiares, culturais e sociais (itens 14 a 17):
Mapeia contexto familiar, atitudes parentais, grupo social e cultura de uso.
Expectativas e motivações (itens 18 a 20):
Analisa o papel atribuído ao álcool na gestão emocional e percepção de controle.
Prontidão para mudança (item 21):
Reflexão final sobre condições percebidas para mudança de comportamento.
3. Interpretação das informações coletadas:
A interpretação é inteiramente qualitativa, sendo orientada pela análise clínica do conteúdo verbal.
O clínico pode codificar temas recorrentes (ex.: uso compulsivo, prejuízos sociais, crenças disfuncionais) para orientar formulações clínicas e hipóteses diagnósticas compatíveis com TUA leve, moderado ou grave conforme DSM-5.
4. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico de TUA.
Risco de uso indevido: simplificação ou julgamento moral baseado em respostas subjetivas.
Deve ser sempre complementado por entrevista clínica livre, avaliação de contexto e, idealmente, aplicação de escalas quantitativas complementares
5. Sugestões para análise clínica:
Os relatos podem informar hipóteses sobre estágio motivacional (pré-contemplação, contemplação, ação etc.).
Subescalas implícitas ajudam a mapear dimensões funcionais afetadas (ex.: trabalho, relações, saúde mental).
Pode ser combinada com o AUDIT para rastreio quantitativo e com escalas de ansiedade/depressão para avaliar comorbidades.
Construída e desenvolvida por Júlio Cézar Gonçalves do Pinho (CRP-12/17614).
American Psychiatric Association. (2023). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR (5ª ed. texto revisado). Artmed Editora