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A URICA (University Rhode Island Change Assessment) – adaptação brasileira para drogas ilícitas é uma escala de autorrelato que avalia estágios motivacionais de mudança em usuários de substâncias psicoativas ilícitas, com base no Modelo Transteórico de Mudança de Comportamento (MTT): pré-contemplação, contemplação, ação e manutenção. O foco é a motivação para mudar o comportamento de uso de drogas (maconha, cocaína, crack, solventes), especialmente em contexto de tratamento (ambulatorial e internação). Teoricamente, a escala se ancora no MTT, que descreve mudança como processo contínuo em estágios, e foi originalmente construída para uso em psicoterapia e em comportamentos aditivos.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adolescentes (> 13 anos) e adultos usuários de drogas ilícitas em tratamento ambulatorial ou de internação, em contextos de dependência química.
Usos recomendados
Avaliação de estágio motivacional em usuários de drogas ilícitas em:
Triagem em ambulatórios e serviços de internação;
Planejamento e adequação de intervenções motivacionais;
Monitoramento de processos de mudança durante tratamento;
Pesquisa sobre prontidão para mudança e adesão em dependência química.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos (1 = “Discordo Totalmente” … 5 = “Concordo totalmente”).
Organização: 4 subescalas (Pré-contemplação; Contemplação; Ação e Manutenção)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Pré-contemplação (PC):
O que mede:
Grau de negação, minimização ou ausência de intenção de mudar o comportamento de uso de drogas.
Percepção de que “não tenho um problema” ou de que “não preciso de tratamento”.
Contemplação (C):
O que mede:
Grau de reconhecimento do problema e reflexão sobre consequências do uso de drogas.
Busca de compreensão (“tenho um problema e preciso entender melhor o que está acontecendo”).
Ação (A):
O que mede:
Envolvimento atual em comportamentos ativos de mudança, como interromper ou reduzir consumo, buscar tratamento, evitar contextos de risco, usar estratégias de coping.
Manutenção (M):
O que mede:
Preocupação com prevenir recaídas e consolidar mudanças já realizadas.
Reconhecimento de que, mesmo após mudanças, há risco de retorno ao padrão anterior.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo de validação brasileiro não apresenta pontos de corte clínicos (por exemplo, “baixa/média/alta motivação” ou categorias formais de estágio).
Pré-contemplação (PC):
Escores altos:
Cliente pouco engajado com a ideia de mudança; tende a atribuir o problema a fatores externos ou a outras pessoas.
Maior probabilidade de entrada por coerção (família, justiça, empregador), resistência à psicoterapia, maior risco de abandono precoce.
Escores baixos:
Menor negação; cliente reconhece a existência de um problema e está mais aberto à reflexão e mudança.
Contemplação (C):
Escores altos:
Cliente reconhece prejuízos e pensa em mudar, mas pode estar ambivalente.
Frequentemente relata “sei que faz mal, mas ainda não consigo parar”.
Escores baixos:
Pouca reflexão sobre o problema, mesmo que haja sofrimento em outras áreas.
Em combinação com PC alto, indica padrão mais resistente; com A e M altas, pode indicar cliente mais pragmático, já focado na ação.
Ação (A):
Escores altos:
Cliente já está implementando mudanças concretas (ex.: abstinência recente, redução significativa, aderência a grupo, uso de técnicas terapêuticas).
Forte associação com a Régua de Prontidão, indicando que é a subescala mais ligada à percepção subjetiva de estar pronto para mudar.
Escores baixos:
Pouca ou nenhuma ação efetiva, mesmo com reconhecimento do problema.
O clínico pode observar discursos “intelectualmente conscientes”, mas poucas mudanças observáveis.
Manutenção (M):
Escores altos:
Cliente já experimentou melhorias e está atento a sinais de recaída; costuma referir esforços contínuos para manter abstinência ou uso controlado.
Escores baixos:
Pouca atenção à manutenção; pode indicar fase mais inicial de mudança, ou crença de que o problema está “resolvido” sem necessidade de acompanhamento.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O artigo brasileiro não traz dados de teste–reteste, RCI (Reliable Change Index), MCID ou análises formais de sensibilidade à mudança clínica.
Entretanto, o instrumento é conceitualmente adequado para monitoramento longitudinal da motivação (por exemplo, pré-tratamento, meio e fim de tratamento), especialmente o EP e o padrão relativo entre subescalas.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não usar isoladamente para decisões diagnósticas ou prognósticas:
No estudo brasileiro, a URICA foi usada em conjunto com entrevista clínica estruturada baseada no DSM-IV-TR para determinar abuso/dependência.
Amostra altamente específica (jovens, predominantemente homens, baixa escolaridade, muitos sem trabalho), o que limita a generalização para outros perfis (mulheres, maior escolaridade, contextos não clínicos).
Não há dados de validade fatorial própria da versão brasileira, nem estudos de comparação com outros instrumentos de motivação (além da régua de prontidão).
Resultados devem ser sempre integrados a:
Entrevista clínica e história de uso de substâncias, observações comportamentais e relatos de familiares.
6. Sugestões para análise clínica:
Formulação de caso:
Mapear perfil de estágio:
PC alto + C baixo → foco em consciência de problema e motivação inicial.
C alto + A baixo → foco em ambivalência e “tradução” de discurso em ação.
A alto + M baixo → foco em consolidar mudanças e criar planos estruturados de prevenção de recaída.
Planejamento terapêutico:
Combinar URICA com outros instrumentos de dependência química (p.ex., escalas de gravidade, uso diário de substâncias) para cruzar nível de comprometimento com nível de prontidão.
Utilizar mudanças nos escores de A e M, e na redução de PC, como indicadores auxiliares de progresso, sempre interpretados em conjunto com dados clínicos.
Intervenções orientadas pelas subescalas:
PC alto → entrevista motivacional, psicoeducação, reforço da autonomia, redução de resistência.
C alto → técnicas de decisional balance, explorar valores pessoais, planejar passos concretos.
A alto → reforçar ganhos, treinar habilidades (evitação de gatilhos, coping, resolução de problemas).
M alto → prevenção de recaída, manejo de craving tardio, construção de rede de apoio e projetos de vida.
Por favor, leia cuidadosamente as frases a seguir. Cada afirmação descreve a maneira como você pode pensar (ou não pensar) o seu comportamento com relação às drogas. Favor indicar o grau que você concorda ou discorda de cada afirmação. Em cada questão, faça sua escolha pensando em como você se sente agora, não como você se sentia no passado nem como gostaria de sentir.
Existem CINCO possíveis respostas para cada um dos itens do questionário: Discordo Extremamente, Discordo, Indeciso, Concordo e Concordo Extremamente. Selecione a opção que melhor descreva o quanto você concorda ou discorda de cada afirmação.
McConnaughy, E. A., Prochaska, J. O., & Velicer, W. F. (1983). Stages of change in psychotherapy: Measurement and sample profiles. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, 20(3), 368. https://doi.org/10.1037/h0090198
Szupszynski, K. P. D. R, & Oliveira, M. D. S. (2008). Adaptação brasileira da University of Rhode Island Change Assessment (URICA) para usuários de substâncias ilícitas. Psico-USF, 13, 31-39. https://doi.org/10.1590/S1413-82712008000100005
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).