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O Problematic Internet Use Questionnaire – Short Form – 9 (PIUQ-SF-9), versão brasileira é um instrumento breve de rastreamento de uso problemático de internet (UPI), definido como padrão excessivo e descontrolado associado a prejuízos em saúde física/emocional, relações sociais e funcionamento ocupacional. O instrumento baseia-se no modelo tridimensional do PIUQ (derivado do instrumento original de 18 itens), com três aspectos do UPI: obsessão (preocupação/abstinência), negligência (abandono de atividades/necessidades) e transtorno de controle (dificuldade de controlar o uso).
Tempo médio de aplicação
3 a 5 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem/rastreamento de risco de Uso Problemático de Internet (UPI) em população geral (instrumento breve).
Apoio à avaliação clínica inicial (screening) para levantar hipóteses sobre padrão problemático (perda de controle, prejuízos, sinais tipo abstinência/compulsividade), sempre integrado à entrevista clínica e a outras fontes.
Investigação transdiagnóstica/comorbidades, especialmente em conjunto com indicadores de humor/sintomas depressivos e variáveis comportamentais (tempo online).
Monitoramento longitudinal do risco/sintomatologia por reaplicações (há estabilidade teste–reteste), sem parâmetros de mudança clínica (RCI/MCID) no estudo.
Uso em pesquisa clínica/psicométrica (comparações entre grupos, estudos populacionais e investigação de modelo fatorial), com recomendação de novos estudos em amostras clínicas e adolescentes.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 9 itens
Tipo de resposta: Resposta Likert 1–5: 1=Nunca, 2=Raramente, 3=Algumas vezes, 4=Frequentemente, 5=Sempre/quase sempre.
Organização: Três subescalas (Negligência, Obsessão e Descontrole), mas pontuação pode ser obtida a partir da soma de todos os itens.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
O estudo recomenda interpretar o instrumento à luz de um modelo bifator, em que:
há um Fator Geral (UPI), no qual todos os itens carregam (principal componente interpretável), e
há 3 dimensões específicas (obsessão, negligência, transtorno de controle), com participação menor.
2.1 Fator geral – Uso problemático de internet (UPI)
O que mede: severidade global do padrão problemático (perda de controle, sofrimento, prejuízos e sinais tipo abstinência/compulsividade, conforme conteúdo dos itens).
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Interpretação:
Escore alto sugere maior probabilidade de padrão persistente com prejuízo/sofrimento e necessidade de avaliação clínica detalhada (funcionamento, controle, tempo, consequências e comorbidades).
Escore baixo sugere menor risco, mas não exclui problemas situacionais (ex.: picos por estressores), devendo ser integrado ao contexto.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O artigo não apresenta índices de RCI/MCID nem análises de sensibilidade à mudança clínica.
Há estabilidade teste–reteste moderada (ICC geral=0,73) com reteste em média ~6 meses, o que sugere utilidade para acompanhamento, mas sem parâmetros de mudança confiável não é possível concluir sobre “melhora clinicamente significativa” apenas por variação de escore.
Uso recomendado na prática: monitorar ao longo do tempo como indicador de risco/sintomatologia, sempre triangulando com objetivos terapêuticos, medidas funcionais e relato clínico.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não é instrumento diagnóstico e não há ponto de corte clínico brasileiro validado no estudo; portanto, não deve ser usado isoladamente para rotular “dependência de internet”.
Amostra de validação: conveniência e com alta escolaridade, podendo limitar generalização para perfis com menor escolaridade/acesso e para regiões sub-representadas.
Interpretação de subescalas: devido a ωH baixo nas dimensões específicas, usar subescalas apenas como hipótese descritiva do padrão (ex.: mais negligência vs mais abstinência), priorizando escore total para decisões de risco.
6. Sugestões para análise clínica:
O escore total reflete a gravidade geral do uso problemático da internet, enquanto as subescalas indicam áreas específicas de impacto. Pontuações mais altas sugerem a necessidade de intervenções direcionadas para mitigar os prejuízos relacionados ao uso excessivo da internet.
Demetrovics Z, Szeredi B, Rózsa S. The three-factor model of Internet addiction: the development of the problematic internet use questionnaire. Behav Res Methods. 2008;40(2):563-74.
Yates MB, Spritzer DT, Machado WL. Psychometric properties of the nine-item problematic internet use questionnaire in a Brazilian general population sample. Front Psychiatry. 2021;12:660186.