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A Escala de Autoeficácia para Abstinência de Drogas (EAAD) é uma medida de autorrelato, originada da Drug Abstinence Self-Efficacy Scale (DASE) de DiClemente et al. (1994) e adaptada para o Brasil para avaliação de pessoas com dependência de cocaína e crack. Sua finalidade é mensurar o nível de confiança do indivíduo em permanecer abstinente em diferentes situações de risco. A EAAD auxilia, ainda, a compreensão de situações de risco para recaída.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Adultos dependentes de cocaína e/ou crack, internados ou em tratamento ambulatorial .
Usos recomendados
Triagem clínica, planejamento terapêutico, psicodiagnóstico em dependência química, monitoramento de tratamento e pesquisa.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: Escala de 5 pontos (0 = “Nada confiante” … 5 = “Extremamente confiante”).
Organização: 4 subescalas (Emoções Negativas, Social/Positivo, Preocupações, Abstinência Impulsos).
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Emoções Negativas:
Confiança para manter abstinência quando exposto a:
tristeza
ansiedade
raiva
frustração
conflitos interpessoais
sensação de descrédito social
Social/Positivo:
Confiança para evitar uso em situações:
sociais
festas, bares
reencontro com pares do uso
acesso a dinheiro
estados de euforia ou celebração
situações onde “ninguém vai ver”
Preocupações:
Confiança diante de:
dor física
cansaço
preocupações com outras pessoas
sonhos com drogas
desconfortos somáticos
Abstinência Impulsos:
Confiança para resistir:
fissura
impulsos súbitos
desejo de testar a força de vontade
estados de abstinência inicial
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de pontuação: Média dos itens por subescala e total.
Os estudos de valiadação não apresentam pontos de corte clínicos validados para risco de recaída.
Emoções Negativas:
Baixa autoeficácia: risco clínico relevante para recaídas motivadas por desregulação emocional.
Alta autoeficácia: bom manejo emocional e habilidade de enfrentamento.
Social/Positivo:
Baixo: risco elevado em ambientes sociais e reforçadores.
Alto: capacidade de manter abstinência mesmo frente à pressão social.
Preocupações:
Baixo: risco relacionado ao uso como forma de “alívio”.
Alto: maior resiliência diante de mal-estar físico.
Abstinência Impulsos:
Baixo: risco de recaídas impulsivas.
Alto: maior controle sobre desejos intensos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Os estudos não fornecem RCI, MCID ou dados de sensibilidade à mudança.
Entretanto, por ser escala de autoeficácia, é teoricamente adequada para monitoramento longitudinal (reaplicações semanais ou mensais são clinicamente justificáveis).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizada isoladamente para diagnóstico.
Necessária conjugação com:
entrevista clínica
análise funcional
histórico de recaídas
instrumentos complementares (ex.: URICA, ASSIST, BDI/BAI, escalas de craving).
Baixa escolaridade pode influenciar compreensão, embora itens sejam simples.
6. Sugestões para análise clínica:
Formulação de caso
Emoções Negativas baixas → foco em regulação emocional.
Social/Positivo baixo → intervenção em habilidades sociais e prevenção de recaída.
Preocupações baixas → manejo de dor/cansaço, técnicas de coping.
Abstinência/Impulsos baixos → protocolos de craving, mindfulness, pharmacoterapia quando indicada.
Subescalas com menor escore devem orientar prioridades de intervenção.
Reaplicações podem indicar evolução da autoeficácia e adequação do tratamento.
A seguir estão listadas algumas situações que levam algumas pessoas a usar drogas ilegais. QUÃO CONFIANTE você se sente em NÃO USAR DROGAS ilegais em cada situação?
Selecione a opção que melhor descreve sua sensação de CONFIANÇA EM NÃO USAR DROGAS em cada situação DURANTE A ÚLTIMA SEMANA.
DiClemente, C. C., Carbonari, J. P., Montgomery, R. P. G. & Hughes, S. O. (1994). The Alcohol Abstinence Self-Efficacy Scale. Journal of Studies on Alcohol, 55, 141-148. https://doi.org/10.15288/jsa.1994.55.141
Freire, S. D. (2009). Evidências de validade da Escala de Auto-Eficácia para Abstinência de Drogas (EAAD) e da Escala de Tentação para Uso de Drogas (ESTUD) em dependentes de cocaína e crack internados. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Faculdade de Psicologia.
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).