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A Entrevista para Álcool (familiares) é um instrumento qualitativo de coleta de informações indiretas sobre o padrão de uso de álcool de um indivíduo, a partir do relato de seus familiares. Seu principal objetivo é compreender a presença, frequência, intensidade e impacto funcional do uso de álcool sob a perspectiva dos familiares, com ênfase na identificação de comportamentos compatíveis com dependência, prejuízos psicossociais, histórico de uso e fatores contextuais e relacionais associados. O instrumento é orientado por critérios clínicos compatíveis com transtornos por uso de substâncias, alinhando-se ao modelo biopsicossocial e integrando aspectos históricos, familiares, sociais e motivacionais.
Tempo médio de aplicação
20 a 30 minutos (estimado com base no número e complexidade das perguntas)
População-alvo
Familiares de adolescentes ou adultos com suspeita ou diagnóstico de uso problemático de álcool
Usos recomendados
Entrevistas clínicas iniciais, formulação de caso e psicodiagnóstico, triagem em contextos de tratamento, avaliação do contexto familiar e compreensão da rede de apoio
**Instrumento aplicado pelo profissional.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 21 perguntas abertas
Tipo de resposta: Qualitativa (resposta discursiva, sem escalas de pontuação)
Organização: As perguntas são organizadas em blocos temáticos que abordam:
Histórico de uso e contexto inicial (itens 1–3)
Esforços de mudança, desejo, tempo dedicado ao uso (itens 4–6)
Impacto funcional (itens 7–9)
Consequências físicas, psicológicas e comportamentais (itens 10–13)
Fatores familiares, sociais e culturais (itens 14–17)
Expectativas, motivações e percepção de controle (itens 18–21)
2. Descrição de cada dimensão e como interpretá-las:
Histórico e padrão de uso (itens 1–3): Investiga início, tipos de substâncias e padrão atual de uso. Informações fundamentais para estimar gravidade e cronicidade.
Desejo, controle e esforços de mudança (itens 4–6): Permite identificar ambivalência, tentativa de abstinência e desejo intenso de uso - compatíveis com critérios de dependência.
Prejuízo funcional (itens 7–9): Relatos de impacto na vida profissional, social e familiar são indicadores de severidade e comprometimento funcional.
Consequências físicas, mentais e comportamentais (itens 10–13): Investiga tolerância, abstinência e persistência apesar de danos - indicadores-chave de transtorno por uso de álcool.
Fatores de risco e manutenção (itens 14–17): Contextualiza o uso em dinâmicas familiares, sociais e culturais que podem influenciar o comportamento aditivo.
Motivações e percepção de controle (itens 18–21): Oferece informações relevantes sobre crenças do familiar em relação ao uso, expectativas e insight - úteis para planejar intervenções motivacionais.
3. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado de forma isolada para diagnóstico.
Deve sempre ser complementado por entrevista clínica direta com o paciente e outros instrumentos padronizados.
As respostas estão sujeitas a viés de percepção dos familiares (minimização, exagero, julgamentos morais).
Uso indevido pode reforçar estigmas ou dinâmicas familiares disfuncionais se não mediado clinicamente.
4. Sugestões para análise clínica integrada:
Pode ser triangulado com instrumentos padronizados (ex.: AUDIT) e entrevistas motivacionais.
Útil para identificar fatores de manutenção (ex.: reforço social, apoio familiar ambíguo) e barreiras à mudança.
Informações sobre crenças e atitudes familiares podem orientar intervenções psicoeducativas e sistêmicas.
A observação de progressos relatados pela família pode servir como indicador indireto de mudança clínica do paciente.
Construída e desenvolvida por Júlio Cézar Gonçalves do Pinho (CRP-12/17614).