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A Smartphone Addiction Scale – Long Version (SAS-LV) é um instrumento desenvolvido por Min Kwon e colaboradores em 2013 para avaliar sintomas de uso problemático de smartphones. Trata-se de instrumento de rastreio de padrão de uso de smartphone compatível com o construto de “dependência/uso problemático de smartphone”, ancorado em componentes típicos de adições comportamentais (p.ex., tolerância, abstinência, compulsividade e prejuízo funcional).
Tempo médio de aplicação
10 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Usos recomendados
Triagem / rastreio (screening) de dependência/uso problemático de smartphone (identificar provável caso e indicar necessidade de avaliação clínica complementar).
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 33 itens
Tipo de resposta: Os itens são pontuados em uma escala Likert de 1 ("discordo totalmente") a 6 ("concordo totalmente")
Organização: 5 dimensões (versão brasileira)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Perturbação da vida diária: Impactos do uso do smartphone nas atividades diárias.
Antecipação positiva: Emoções positivas associadas ao uso do smartphone.
Abstinência: Sintomas de desconforto ou ansiedade ao ficar sem o smartphone.
Relacionamento orientado ao ciberespaço: Preferência por interações digitais em detrimento das presenciais.
Uso excessivo/Tolerância: Dificuldade em controlar o tempo de uso.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- O estudo não apresenta pontos de corte validados para classificação clínica.
- Escores mais altos indicam maior frequência/intensidade de experiências associadas a uso problemático (prejuízo funcional, sintomas físicos/sono, saliência cognitiva, abstinência/irritabilidade, padrões compulsivos de checagem e priorização do online, dificuldade de controle/autorregulação).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta teste–reteste, RCI ou MCID, portanto não há parâmetros validados no artigo para inferir “mudança clinicamente significativa” ao longo do tempo; ainda assim, a reaplicação pode ser usada como monitoramento descritivo (mesma métrica, mesmo intervalo), com cautela na interpretação de pequenas variações.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não substitui diagnóstico: o próprio estudo posiciona o instrumento para screening.Evidências incompletas no Brasil: ausência de convergência e estabilidade temporal limita decisões de alto impacto baseadas apenas no escore.
Atenção ao contexto: uso elevado pode ser funcional em certos perfis (trabalho, estudo, comunicação), e o foco clínico deve recair em perda de controle + prejuízo + sofrimento.
6. Sugestões para análise clínica:
Perturbação da vida diária alta: priorizar avaliação de prejuízo (sono, dor, produtividade), rotina, manejo de tempo, higiene do sono e intervenções comportamentais.
Abstinência alto: explorar emoções ao ficar sem o aparelho, estratégias de tolerância ao desconforto, prevenção de recaída e treino de habilidades de regulação.
Relacionamento orientado ao ciberespaço alto: avaliar qualidade/quantidade de vínculos presenciais, possíveis padrões de evitação social, solidão e necessidades interpessoais; considerar intervenções focadas em habilidades sociais e reconexão offline.
Antecipação positiva alto: mapear funções reforçadoras (prazer/alívio), construir alternativas de reforço e estratégias de coping.
Uso excessivo/Tolerância alto: foco em autorregulação (metas graduais, monitoramento do uso, controle de estímulos/notificações, planos de implementação “se–então”), alinhado a objetivos do paciente.
Kwon M, Lee JY, Won WY, Park JW, Min JA, Hahn C, et al. Development and validation of a smartphone addiction scale (SAS). PLoS One. 2013;8(2):e56936.
Lin YH, Chiang CL, Lin PH, Chang LR, Ko CH, Lee YH, et al. Proposed diagnostic criteria for smartphone addiction. PLoS One. 2016;11(11):e0163010.
Andrade ALM, Kim DG, Caricati VV, Martins GG, Kirihara IK, Barbugli BC, et al. Validity and reliability of the Brazilian version of the smartphone addiction scale-long version (SAS-LV). Trends Psychol. 2020;37:302-19.