O instrumento tem como propósito mapear a experiência subjetiva e contextual da dinâmica do humor, incluindo flutuações, gatilhos, padrões, impacto funcional, percepção de identidade, estratégias de enfrentamento e fatores de bem-estar. Baseia-se em abordagens qualitativas centradas no paciente, recomendadas para transtorno bipolar, depressão recorrente e estados mistos.
Finalidade
Identificar padrões idiossincráticos de mudança de humor ao longo do tempo.
Compreender dimensões subjetivas que não emergem em escalas padronizadas, como: identidade e autoconceito, estigma, relações e pertencimento, impacto ocupacional, manejo cotidiano e ritmo de vida, desafios no sistema de cuidado
Subsidiar formulação de caso, definição de metas terapêuticas e intervenções personalizadas.
Público-alvo
Pessoas com transtorno bipolar tipo I ou II, ciclagem rápida, estados mistos ou ciclotimia.
Pacientes com depressão recorrente que apresentam variações marcantes de humor.
Pode ser usada em adultos em contexto ambulatorial, psicoterapia, pesquisa qualitativa ou triagem clínica mais aprofundada.
Fenômeno psicológico avaliado
Dinâmica temporal e contextual do humor
Regulação emocional e ritmicidade
Identidade, autoconceito e percepção do diagnóstico
Relacionamentos, suporte social e estigma
Funcionamento ocupacional e cotidiano
Estratégias de autorregulação e enfrentamento
Experiências de bem-estar e recuperação
Essas dimensões refletem achados de estudos qualitativos recentes que destacam o papel central de identidade, rotinas, suporte social, autoconsciência e fatores ambientais para o bem-estar e a estabilidade do humor.
Forma de uso pelo paciente
A entrevista é conduzida de modo colaborativo, com perguntas abertas e flexíveis, seguindo recomendações metodológicas de modelos de entrevista para garantir clareza, acessibilidade linguística, coerência e fluxo conversacional natural.
O paciente é convidado a relatar: eventos recentes, exemplos, contextos específicos, percepções corporais, cognitivas e emocionais.
Principais usos clínicos
Formulação de caso
Identificação de gatilhos e fatores protetores.
Monitoramento qualitativo antes de iniciar diários ou RPDs.
Análise longitudinal de mudanças durante intervenções psicoterápicas ou farmacológicas.
Complementação de escalas padronizadas
Construção de plano terapêutico centrado na experiência subjetiva do paciente.
Limitações e cuidados
Não substitui avaliação diagnóstica estruturada.
Não mensura severidade; identifica significados, padrões e contextos.
Pode demandar mais tempo do que entrevistas sintéticas.
Deve ser conduzida por profissional capacitado para manejo de temas sensíveis (ideação suicida, perda funcional, trauma, estigma).