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O Hypomania Checklist-32 – Versão Brasileira (HCL-32 VB) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para rastrear episódios prévios de hipomania em indivíduos com histórico de episódios depressivos, especialmente naqueles com diagnóstico de depressão maior unipolar, com o objetivo de identificar casos não reconhecidos dentro do espectro bipolar, particularmente o transtorno bipolar tipo II (TB-II). O instrumento baseia-se em uma perspectiva dimensional dos transtornos do humor e visa captar manifestações hipomaníacas subclínicas ou atenuadas que frequentemente não são espontaneamente relatadas pelos pacientes ou são subavaliadas em entrevistas clínicas baseadas nos critérios do DSM-V-TR.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 a 10 minutos.
População-alvo
Adultos entre 18 e 65 anos.
Usos recomendados
Triagem clínica em pacientes com episódios depressivos, avaliação diferencial de depressão resistente ou recorrente, investigação de bipolaridade tipo II, acompanhamento ambulatorial em unidades especializadas em transtornos do humor.
1. Estrutura do instrumento:
Total de itens: 32 perguntas de autorrelato (respostas dicotômicas: “sim” ou “não”), aplicadas com base na recordação de períodos de humor elevado ("altos").
Itens adicionais: 8 perguntas qualitativas/contextuais sobre duração, impacto funcional (vida familiar, social, profissional, lazer) e percepção de terceiros (respostas: positivo, sem impacto, negativo).
A análise fatorial identificou dois fatores principais com base em 27 dos 32 itens. Os 5 itens restantes não apresentaram cargas fatoriais significativas (≥ 0,40) e não foram atribuídos a nenhuma subescala, mas continuam compondo o escore total.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator 1 – Ativação/Elação
Avalia aumento de energia, sociabilidade, autoconfiança, engajamento social, fluência verbal e otimismo.
Composto por 20 itens.
Explica 21,2% da variância total.
Escores elevados indicam maior probabilidade de sintomas hipomaníacos típicos, com predomínio de humor elevado e comportamento expansivo.
Fator 2 – Irritabilidade/Comportamento de risco
Avalia impulsividade, irritabilidade, comportamentos sexuais desinibidos, gastos excessivos, perda de controle e atenção.
Composto por 7 itens.
Explica 10,3% da variância total.
Escores elevados podem indicar traços de disfunção comportamental associados a maior risco funcional e psicossocial.
Itens não agrupados em fatores (não atribuídos)
Itens que não apresentaram carga fatorial ≥ 0,40 em nenhum dos dois fatores principais. Apesar disso, continuam integrando o escore bruto total e podem trazer informações clínicas relevantes de forma complementar.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de pontuação: soma do número de respostas afirmativas (“sim”) aos 32 itens.
Faixa total: 0 a 32 pontos.
Ponto de corte validado:
≥ 18 pontos: indicativo de provável transtorno bipolar (sensibilidade = 0,75; especificidade = 0,58).
Significado Clínico: Um escore ≥ 18 indica que o perfil de sintomas retrospectivos do paciente apresenta uma semelhança estatística significativa com o grupo de portadores de transtorno bipolar.
O instrumento não permite discriminação entre TB-I e TB-II.
O ponto de corte é mais elevado que em outros países (geralmente 14–15), possivelmente por características da amostra brasileira (unidade terciária com pacientes crônicos e resistentes a tratamento).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O instrumento pode ser reaplicado para fins exploratórios ou de monitoramento longitudinal, mas a responsividade clínica ainda não foi formalmente estudada.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico.
Há risco de falsos positivos, especialmente em pacientes com depressão resistente ou sintomas atípicos.
Deve sempre ser complementado por entrevista clínica estruturada (ex.: SCID) e avaliação clínica qualitativa.
Sintomas hipomaníacos podem ser confundidos com traços temperamentais ou respostas situacionais.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores elevados em ambos os fatores sugerem maior probabilidade de bipolaridade, especialmente com predomínio de sintomas expansivos e impulsivos.
A subescala Ativação/Elação pode orientar hipóteses sobre funcionamento interpessoal expansivo, baixa crítica e início leve de quadros hipomaníacos.
A subescala Irritabilidade/Risco é particularmente relevante para casos com comportamentos impulsivos, agitação, irritabilidade ou desregulação afetiva.
Útil para guiar hipóteses clínicas em casos de depressão recorrente, início precoce, história familiar de bipolaridade ou resposta paradoxal a antidepressivos.
Pode ser integrado com instrumentos como o MDQ, entrevistas diagnósticas (SCID, MINI) e dados clínicos longitudinais.
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