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O instrumento "Entrevista para Avaliação de Transtorno de Ansiedade de Doença" visa avaliar preocupações excessivas relacionadas à saúde, típicas do Transtorno de Ansiedade de Doença (DSM-5-TR, 2022). Fundamenta-se nos modelos psicopatológicos de ansiedade somática e preocupações hipocondríacas, conforme descritos por Scarella et al. (2019).
O Transtorno de Ansiedade de Doença, tecnicamente, é caracterizado por uma preocupação persistente e excessiva com a possibilidade de ter ou adquirir uma doença grave, mesmo na ausência de sintomas físicos significativos ou diante de avaliações médicas tranquilizadoras. Os indivíduos apresentam alta ansiedade relacionada à saúde, baixo limiar para preocupações somáticas e exibem comportamentos frequentes de busca de segurança (como consultas médicas repetidas) ou, alternativamente, evitam cuidados médicos por medo de receber um diagnóstico ameaçador. A preocupação é crônica, geralmente superior a seis meses, e causa prejuízo funcional em atividades sociais, profissionais ou outras áreas importantes da vida do indivíduo. Epidemiologicamente, sua prevalência na população geral é estimada entre 0,75% e 3%, com início predominante na vida adulta e um curso usualmente crônico e flutuante. Comorbidades comuns incluem transtornos de ansiedade generalizada, transtornos depressivos e transtorno obsessivo-compulsivo.
Tempo médio de aplicação
20 a 30 minutos (entrevista semi-estruturada)
População-alvo
Adultos (>18 anos), sem restrições de ocupação
Usos recomendados
Triagem clínica exploratória, apoio ao diagnóstico diferencial (particularmente frente a quadros de somatização, TAG e transtornos somatoformes) e formulação de caso em contextos de psicoterapia e psiquiatria.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 29 perguntas abertas
Tipo de resposta: Resposta aberta (entrevista dirigida)
Organização: Agrupamento temático de questões sobre histórico médico, sintomas físicos, preocupações cognitivas, comportamentos de checagem, impacto funcional e estratégias de enfrentamento.
2. Descrição das subáreas/dimensões:
As perguntas podem ser agrupadas para análise clínica em seis dimensões principais, correspondentes às manifestações do Transtorno de Ansiedade de Doença descritas no DSM-5-TR e por Scarella et al.:
Preocupação Somática e Percepção Corporal (itens 2, 6, 9, 10, 16): Avalia foco excessivo em sensações físicas e sintomas somáticos.
Ansiedade sobre Saúde e Doenças (itens 7, 11, 12, 18, 19, 21): Investiga a intensidade da preocupação e crenças disfuncionais sobre doenças.
Comportamentos de Busca de Reafirmação e Checagem (itens 13, 14, 16, 17, 28): Avalia busca repetitiva por exames, consultas ou informação.
Evitação e Medo de Diagnóstico (itens 15, 25): Investiga comportamentos de evitação relacionados ao medo de confirmação diagnóstica.
Impacto Funcional (itens 8, 24, 25): Avalia prejuízos em trabalho, vida social e estudos.
História e Fatores de Vulnerabilidade (itens 3, 22, 23): Explora experiências passadas que podem ter predisposto ao desenvolvimento do quadro.
3. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não é recomendado o uso isolado. Deve ser complementado por entrevista clínica estruturada, avaliação psicopatológica e, se necessário, instrumentos padronizados de ansiedade geral ou somatização. Isso porque há a possibilidade de haver superestimazação das preocupações somáticas sem diferenciar outras condições médicos ou psiquiátricas.
Construída e desenvolvida por Júlio Cézar Gonçalves do Pinho (CRP-12/17614).
American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed., text rev.; DSM-5-TR). American Psychiatric Association Publishing.
Scarella, T. M., Boland, R. J., & Barsky, A. J. (2019). Illness anxiety disorder: Psychopathology, epidemiology, clinical characteristics, and treatment. Psychosomatic Medicine, 81(5), 398–407. https://doi.org/10.1097/PSY.0000000000000691