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Objetivo clínico do instrumento
Captar, em tempo real, o ciclo do pânico (situação → sensações corporais/interoceptivas → interpretações catastróficas → respostas comportamentais) e suas condições de contexto, para orientar formulação de caso e intervenções de TCC (psicoeducação, reestruturação cognitiva e exposições interoceptivas/situacionais). Isso se alinha às recomendações da TCC para pânico no Brasil.
Público-alvo
Adultos e adolescentes com ataques de pânico/transtorno do pânico em acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico. Pode ser usado também em grupos TCC.
Finalidade
Monitorar intensidade, frequência e padrões de desencadeamento e manutenção (evitação, comportamentos de segurança), além de estratégias de enfrentamento usadas e fatores protetivos. Complementa a entrevista clínica e a avaliação padronizada.
Fenômeno avaliado
Ataques de pânico e ansiedade antecipatória, com foco em sensações físicas (taquicardia, tontura, dispneia), avaliações catastróficas (“vou morrer”, “vou desmaiar”) e respostas comportamentais (fuga/evitação, busca de garantia).
Como será usado pelo paciente
Preenchimento breve logo após episódios ou crises e no fechamento do dia. Estimula identificação de gatilhos, registro de pensamentos e teste de estratégias TCC entre sessões.
Principais usos clínicos e contextuais
Formular hipóteses funcionais (o que dispara, o que mantém, o que alivia).
Planejar exposições interoceptivas/situacionais e reestruturação cognitiva.
Acompanhar resposta a intervenções e/ou medicação.
Limitações e cuidados
Não substitui avaliação diagnóstica; pode aumentar a vigilância interoceptiva em fases iniciais, usar com psicoeducação para evitar hipervigilância. Integrar com diretrizes clínicas e, quando necessário, avaliação médica (descartar causas clínicas de sintomas).
Estrutura do instrumento
7 itens principais (escalas 0-10, múltipla escolha e texto curto).
Aplicação: diária/semana; idealmente logo após eventos e um resumo no fim do dia.
Significado prático das respostas (possibilidades)
Intensidade (0-10): níveis maiores que 7 podem sugerir picos com maior probabilidade de fuga/evitação; acompanhar de perto durante exposições.
Sensações: frequência elevada de sinais cardiorrespiratórios sugere alvo para exposição interoceptiva (p. ex., corridas no lugar, hiperventilação controlada) e psicoeducação sobre ansiedade.
Pensamentos: conteúdos de catástrofe (“infarto”, “desmaio”) orientam reestruturação cognitiva e experimentos comportamentais (p. ex., permanecer com a sensação para observar curva de ansiedade).
Comportamentos de segurança: manutenção do problema por aprendizagem evitativa, alvo para redução gradual durante exposições.
Estratégias de enfrentamento: maior uso de enfrentamento ativo correlaciona com melhora funcional; monitorar substituição de seguranças por enfrentamentos.
Como identificar padrões
Padrões situacionais (locais, horários, companhia).
Padrões interoceptivos (quais sensações disparam mais crenças de catástrofe).
Padrões de manutenção (seguranças específicas que impedem habituação).
Tendência nas escalas (queda progressiva de intensidade/frequência ao longo de semanas).
Mudanças clínicas
Avaliar mudança clinicamente significativa e funcional (retorno a atividades, redução de evitação).
Subescalas/dimensões funcionais (significado clínico)
Emocional/Interoceptiva (item 3 + intensidade): alvos para exposição interoceptiva e regulação.
Cognitiva (item 4): alvos de disputação/reestruturação.
Comportamental (item 5): quantifica evitação/segurança; orienta hierarquias de exposição situacional.
Operacional/Contextual (itens 2 e 7): permite rastrear função e risco (múltiplos episódios diários).
Integração com avaliação clínica
Cruzar com: entrevista diagnóstica, histórico médico (para descartar causas clínicas dos sintomas), e possíveis diretrizes globais e brasileiras.
Cuidados éticos e limitações
Não usar isoladamente para diagnóstico.
Risco de uso indevido: reforço de checagens corporais; mitigue com psicoeducação e foco em enfrentamento.
Complementaridade: sempre com entrevista clínica; pode ser combinado com escalas padronizadas e orientações de diretrizes nacionais.
Sugestões para análise clínica
Use gráficos semanais de intensidade/frequência para avaliar resposta à exposição.
Mapeie situações e sensações “quentes” para montar a hierarquia.
Releia pensamentos automáticos recorrentes e derive crenças centrais.
Combine com tarefas de exposição interoceptiva/situacional planejadas e redução de seguranças.
Este diário ajuda você a entender como os ataques de pânico acontecem no seu dia a dia e o que funciona para lidar com eles. Sempre que notar um pico de ansiedade ou pânico, preencha os itens. No fim do dia, some quantas vezes isso aconteceu.
Não precisa escrever muito, basta registrar o que considera essencial. Na próxima sessão, provavelmente vamos usar essas informações para praticar estratégias e planejar exercícios que ajudem você a retomar suas atividades com segurança.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Nardi, A. E., Quevedo, J., & da Silva, A. G. (2013). Transtorno de pânico: teoria e clínica. Artmed Editora
Beck, J. S. (2013). Terapia cognitivo-comportamental. Artmed Editora