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O Registro de Automonitoramento de Ansiedade é uma ferramenta estruturada de autorrelato que tem como objetivo principal auxiliar indivíduos no reconhecimento, monitoramento e análise de episódios de ansiedade. Fundamenta-se nos pressupostos da terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente nos modelos de formulação em cinco partes (situação, pensamentos, emoções, reações físicas e comportamentos). Seu uso clínico é voltado à identificação de padrões ansiosos, estímulos associados, explorar as conexões entre pensamentos automáticos negativos (NATs), sensações corporais, respostas e estratégias de enfrentamento, promovendo maior autorregulação emocional e suporte à psicoeducação.
Tempo médio de aplicação
Entre 5 a 10 minutos por episódio registrado.
População-alvo
Adolescentes e adultos, com indicação ampla em contextos clínicos diversos.
Situações recomendadas para uso
Sessões de psicoterapia, intervenções psicoeducativas, programas de regulação emocional, monitoramento entre sessões, formulação de caso e intervenções baseadas em evidências no manejo da ansiedade.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 5 campos principais
Tipo de resposta: respostas abertas + escala numérica (intensidade de ansiedade entre 0 e 100)
Organização em domínios: o instrumento não possui subescalas formais, mas cada campo aborda um aspecto específico do modelo cognitivo-comportamental.
2. Descrição dos campos avaliados:
Situação:
Campo descritivo que solicita a identificação do evento ou contexto no qual a ansiedade ocorreu.
Ajuda a identificar gatilhos situacionais e padrões contextuais.
Emoções e reações corporais (físicas):
Descrição subjetiva das sensações físicas (ex.: taquicardia, sudorese, tremores) e emoções sentidas.
Permite diferenciar aspectos fisiológicos e afetivos da resposta ansiosa.
Intensidade da ansiedade:
Escala de autorrelato de 0 a 100.
Mede a percepção subjetiva da intensidade do episódio ansioso.
Pode ser utilizada em análises longitudinais para verificar variações sintomáticas.
Pensamentos ansiosos:
Identificação de pensamentos automáticos ou crenças ativadas durante a situação.
Campo essencial para acesso a esquemas cognitivos e conteúdo disfuncional.
Respostas de enfrentamento:
Descrição das estratégias utilizadas para lidar com o episódio (evitação, respiração, distração, enfrentamento ativo etc.)
Fornece insumos para avaliação funcional dos comportamentos e planejamento de intervenções.
3. Pontuação:
O instrumento não apresenta pontos de corte validados, pois trata-se de uma ferramenta qualitativa.
A escala de intensidade (0 a 100) pode ser usada de forma exploratória, com base em referências clínicas, da seguinte forma:
Sugestão prática (com base em escala bruta, sem validação formal):
0–30: intensidade leve
31–70: intensidade moderada
71–100: intensidade severa
Essa classificação deve ser usada com cautela e sempre complementada por avaliação clínica e colaborativa com o paciente.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O instrumento pode ser utilizado em monitoramento longitudinal, como parte de intervenções em TCC.
Recomenda-se reaplicação sempre que houver episódio relevante, como parte do plano terapêutico.
Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente. É uma ferramenta de apoio e não um instrumento diagnóstico.
Consideração relevante: se interpretado de forma rígida, sem suporte clínico, pode gerar autocrítica ou evasão.
Deve ser sempre complementado por entrevista clínica e considerado no contexto do vínculo terapêutico.
5. Sugestões para análise clínica:
Pode ser utilizado para identificar gatilhos e padrões cognitivos em transtornos de ansiedade (TAG, fobia social, pânico).
Os registros podem orientar formulações de caso com base no modelo ABC (evento, crenças, consequências) ou no modelo de 5 partes.
Os escores de intensidade podem guiar a avaliação de evolução clínica ao longo das sessões.
Pode ser combinado com escalas quantitativas, como GAD-7 ou DASS-21, para avaliação mais robusta.
Esse registro é um espaço para você olhar com mais cuidado para o que sente e pensa. O(a) profissional que o(a) acompanha terá acesso a seus registros para que juntos possam identificar padrões e construir estratégias que façam sentido para você. Lembre-se de que é um passo importante no caminho para cuidar de si mesmo.
Beck, A.T., Rush, A.J., Shaw, B.F., & Emery, G. (1979). Cognitive Therapy of Depression. New York: Guilford Press.
Barlow, D. H. (2004). Anxiety and its Disorders: The Nature and Treatment of Anxiety and Panic. Guilford Press.