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O Inventário de Supressão de Pensamentos do Urso Branco (White Bear Suppression Inventory – WBSI) avalia a tendência individual à supressão de pensamentos indesejados ou intrusivos, um processo psicológico associado a diversos transtornos, como ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), depressão, transtornos do pânico e comportamentos aditivos. A supressão de pensamentos é vista como um mecanismo que, embora inicialmente adaptativo, pode produzir efeitos paradoxais (como o efeito rebote), aumentando a frequência dos pensamentos evitados. O WBSI é fundamentado nos estudos de Wegner sobre os efeitos paradoxais da tentativa de controlar pensamentos.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 minutos
População-alvo
Adultos da população geral, incluindo diferentes níveis de escolaridade
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, avaliação de mecanismos de enfrentamento cognitivo, formulação de caso em transtornos ansiosos e obsessivo-compulsivos, pesquisa em saúde mental
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 15
Tipo de resposta: escala do tipo Likert (formato original de 5 pontos, embora o estudo brasileiro não tenha especificado o formato exato adotado na versão adaptada)
Organização em subescalas ou fatores: A escala não apresenta subdivisão fatorial ou dimensões específicas. Na literatura internacional, o WBSI já foi analisado como unidimensional e também com soluções multifatoriais em estudos posteriores, mas tais estruturas não foram testadas na versão brasileira. Ou seja, o instrumento é considerado unidimensional, avaliando um único construto psicológico.
2. Descrição do fator geral:
O WBSI é um inventário unidimensional, que avalia a tendência geral do indivíduo a tentar evitar, bloquear ou eliminar pensamentos indesejados, intrusivos ou perturbadores. Isso engloba pensamentos repetitivos, tentativas de controle mental, evitação cognitiva e estratégias de distração. Todos os 15 itens contribuem para esse fator único.
Importante: a estrutura unidimensional é assumida com base na proposta original de Wegner & Zanakos (1994), mas não foi testada empiricamente na amostra brasileira apresentada no estudo de Talask et al. (2018).
2.1 Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs)
Método de cálculo do escore: soma simples dos 15 itens
Valores mínimo e máximo possíveis: não especificado na adaptação brasileira, mas na versão original cada item é pontuado de 1 a 5 - escore total entre 15 e 75.
Pontos de corte clínico: O estudo não apresenta pontos de corte validados, mas pode-se sugerir com base na versão original da escala. Com isso, sugere-se cautela na interpretação dos resultados, pois as pontuações cadastradas não apresenta validade local.
3. Mudança clínica e sensibilidade:
Ainda não há evidência de que o instrumento possa ser utilizado para monitoramento longitudinal no Brasil.
4. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O instrumento não deve ser utilizado de forma isolada para fins diagnósticos.
A avaliação deve ser sempre complementada por entrevista clínica e outros dados qualitativos.
O WBSI pode ser mal interpretado em populações com baixa escolaridade, apesar da boa compreensão geral observada na amostra piloto.
O estudo não valida a versão final para uso clínico, tratando-se apenas da etapa de adaptação transcultural.
5. Sugestões para análise clínica:
Escore elevado pode indicar tendência rígida e disfuncional de controle mental, comum em quadros como TOC, TAG e transtornos do humor.
Escore reduzido pode indicar maior aceitação de experiências internas ou estratégias de enfrentamento menos evitativas.
O escore pode ser utilizado para sustentar hipóteses sobre padrões metacognitivos disfuncionais (ex.: fusão pensamento-ação, evitação experiencial).
Pode ser combinado com instrumentos como OCI-R (para avaliar sintomas obsessivo-compulsivos, AAQ-II (para avaliar evitação experiencial) e/ou DERS (para avaliar desregulação emocional)
Intervenções com foco em aceitação e flexibilidade psicológica (ex.: ACT) podem ser indicadas para pacientes com altos escores.
Este questionário tem como objetivo compreender como você lida com pensamentos indesejados ou intrusivos. Para cada afirmação apresentada, marque o número que melhor representa o quanto você concorda com ela, usando uma escala de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Não há respostas certas ou erradas; o importante é responder de forma honesta, com base no que você sente ou percebe no seu dia a dia.
Wegner, D. M., & Zanakos, S. (1994). Chronic thought suppression. Journal of Personality, 62(4), 615-640.
Talask, G. et.al (2018). White Bear Suppression Inventory: translation and cross-cultural adaptation to Brazilian Portuguese. Trends in Psychiatry and Psychotherapy, 40(1). https://doi.org/10.1590/2237-6089-2017-0082
Nabors, L., Toledano-Toledano, F., Workman, B. (2022). White Bear Suppression Inventory (WBSI). In: Medvedev, O.N., Krägeloh, C.U., Siegert, R.J., Singh, N.N. (eds) Handbook of Assessment in Mindfulness Research. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-030-77644-2_76-1
Özdemir, P. G., Kirli, U., Isçik, M., & Tapan, S.. (2020). The role of thought suppression in conversion disorder in relation to depression, symptom interpretation and sleep hygiene: a case-control study. Archives of Clinical Psychiatry (são Paulo), 47(3), 59–64. https://doi.org/10.1590/0101-60830000000233