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O Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ) avalia a tendência geral e patológica de preocupação excessiva, característica central do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). O construto subjacente é a preocupação como traço disposicional, fundamentado nos modelos cognitivo-comportamentais da ansiedade patológica. Seus principais usos clínicos incluem triagem de TAG, apoio ao diagnóstico diferencial, monitoramento de sintomas e avaliação de resposta a intervenções terapêuticas, sobretudo em contextos de terapia cognitivo-comportamental.
Tempo médio de aplicação
5–10 minutos.
População-alvo
Adultos e jovens adultos; estudo de validação com universitários brasileiros (17–68 anos).
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAG, investigação transdiagnóstica (ex.: preocupação patológica em outros transtornos ansiosos), monitoramento longitudinal de sintomas e resposta ao tratamento cognitivo-comportamental.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 16
Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (1 = “Não me adequo” a 5 = “Extremamente adequado”)
2. Organização em subescalas ou fatores:
Dois fatores principais identificados na AFE:
Preocupação presente (itens afirmativos)
Preocupação ausente (itens negativos)
O fator preocupação ausente foi interpretado como artefato de redação negativa, recomendando-se o uso do escore total.
3. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator 1: Preocupação Presente: Mede a intensidade e frequência da preocupação excessiva.
Itens: 11 itens afirmativos - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11.
Variância explicada: não especificada numericamente, mas é o fator dominante.
Interpretação: escores altos indicam tendência patológica de preocupação.
Fator 2: Preocupação Ausente (artifato metodológico): Representa baixa preocupação, mas principalmente efeito da redação negativa.
Itens: 5 itens negativos (inversos) - 12, 13, 14, 15 e 16.
Interpretação clínica não recomendada isoladamente.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: soma dos itens (16 a 80 pontos).
3.1. Pontos de corte clínico:
O estudo brasileiro de avaliação de eficácia de tratamento (Santos, 2022) utilizou como critério de inclusão uma pontuação ≥ 60 no PSWQ para identificar indivíduos com preocupação elevada, compatível com níveis observados em pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizada. Este ponto de corte não foi estabelecido como uma norma brasileira validada, sendo adotado com base em referência teórica internacional (Clark & Beck, 2012). Após a intervenção, a média do grupo experimental em relação ao instrumento citado foi de 40,75, apresentando uma redução que indica ausência de preocupação patológica.
3.2. Sugestão prática (baseada em referências internacionais e estudo brasileiro):
0-39: Baixo nível de preocupação
40-59: Preocupação moderada
60-80: Alto nível de preocupação (compatível com níveis observados em amostras clínicas de TAG em estudos internacionais - Meyer et al., 1990; Startup & Erickson, 2006; Clark & Beck, 2012).
Atenção: Estas faixas são orientativas e devem ser usadas com cautela, pois não correspondem a normas amplamente validadas na população geral brasileira. Elas são mais adequadas para contextos clínicos de triagem e monitoramento de tratamento de pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), especialmente em populações adultas e jovens adultas universitárias, que foram o foco principal dos estudos de validação. Seu uso em crianças, idosos, populações clínicas com comorbidades graves ou amostras comunitárias deve ser feito somente de forma exploratória e sempre associado a outras fontes de avaliação clínica (Castillo, 2007; Santos, 2022).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Estudos de tratamento com TCC (Santos, 2022) demonstraram redução significativa dos escores pré e pós-intervenção, sugerindo sensibilidade à mudança.
Pode ser usado em monitoramento longitudinal com reaplicações mensais ou trimestrais.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O PSWQ não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico clínico.
Sempre complementar com entrevista clínica estruturada e avaliação de comorbidades.
Existe risco de viés de formulação negativa dos itens.
Limitações em populações não universitárias, devido à amostra de validação.
6. Sugestões para análise clínica:
Escore total elevado: sugere preocupação crônica, compatível com TAG ou outras condições ansiosas.
Subescalas/fatores: usar apenas como suporte interpretativo, não como dimensões independentes.
Intervenções: pode orientar foco em reestruturação cognitiva de ruminações e intolerância à incerteza.
Monitoramento: útil para mensurar progresso terapêutico ao longo de programas de TCC individual ou grupal.
Por favor, leia cada afirmação e escolha a alternativa que melhor representa o quanto cada afirmação se adequa à sua forma de ser. Seja o mais honesto possível.
Meyer TJ, Miller ML, Metzger RL, Borkovec TD. Development and validation of the Penn State Worry Questionnaire. Behav Res Ther. 1990;28(6):487-95.
American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.
Clark, D. A., & Beck, A. T. (2012). The anxiety and worry workbook: The cognitive behavioral solution. New York: Guilford Press.
Borkovec TD. The nature, functions, and origins of worry. In: Davey GCL, Tallis F, editors. Worrying: perspectives on theory, assessment and treatment. Chichester: Wiley; 1994. p. 5-33.
Castillo C, Macrini L, Cheniaux E, Landeira-Fernandez J. Psychometric properties and latent structure of the Portuguese
version of the Penn State Worry Questionnaire. Span J Psychol. 2010;13(1):431-43.
Startup, H. M., & Erickson, T. M. (2006). The Penn State Worry Questionnaire (PSWQ). In G. C. L. Davey & A. Wells (Eds.), Worry and its psychological disorders: Theory, assessment and treatment (pp. 101–119). Chichester: Wiley.
Behar E, Alcaine O, Zuellig AR, Borkovec TD. Screening for generalized anxiety disorder using the Penn State Worry Questionnaire: a receiver operating characteristic analysis. J Behav Ther Exp Psychiatry. 2003;34(1):25-43.
Santos, E. M. S. (2022). Avaliação da eficácia de um protocolo de tratamento cognitivo–comportamental em grupo para transtorno de ansiedade generalizada (Master’s dissertation). Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, RJ, Brasil.