Escalas para Ansiedade
Estas são as escalas com pontuação padronizada e pontos de corte definidos para avaliação de ansiedade. O GAD-7 é o mais usado para rastreio rápido; a HAM-A traz avaliação detalhada aplicada pelo clínico; o CASO-A30 e a LSAS cobrem ansiedade social especificamente.
Escalas Padronizadas
Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A)
A Hamilton Anxiety Rating Scale (HAM-A) é uma escala de entrevista clínica de 14 itens para avaliar a gravidade de sintomas de ansiedade, comumente utilizada para TAG e outros quadros ansiosos; foi proposta originalmente por Max Hamilton para quantificar sintomas em pacientes com ansiedade e apoiar pesquisa clínica, não para diagnóstico. O trabalho original enfatiza que a escala descreve e quantifica sintomas (incluindo os somáticos) em pacientes já diagnosticados com estados de ansiedade.
Tipo de aplicação:
Essa escala deve ser preenchida pelo profissional, e não pelo paciente.
Tempo médio de aplicação
O instrumento deve ser aplicado em formato de entrevista: 20 a 30 minutos
População-alvo
Adultos
Usos recomendados
Triagem, monitoramento de gravidade e descrição sindrômica de ansiedade; não substitui entrevista diagnóstica.
Escala de Ansiedade Social de Liebowitz - versão autoaplicável (LSAS)
O Liebowitz Social Anxiety Scale - Self Report version (LSAS-SR) é uma escala amplamente utilizada para avaliar a ansiedade social e o comportamento de esquiva em diversas situações sociais. Esta escala foi desenvolvida por Michael Liebowitz em 1987 e possui uma versão auto aplicada adaptada para o português brasileiro.
Finalidade do Instrumento:
Avaliação dimensional, triagem, diagnóstico complementar, avaliação de resposta ao tratamento
Objetivo clínico
Mensurar a gravidade da fobia social/transtorno de ansiedade social, diferenciando níveis de medo e evitação em situações sociais e de desempenho.
População-alvo
Adultos e adolescentes a partir dos 18 anos, em contextos clínicos e populacionais, especialmente indivíduos com suspeita ou diagnóstico de transtorno de ansiedade social.
Tempo estimado de aplicação
10 a 15 minutos
Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21)
A DASS-21 (Depression, Anxiety and Stress Scale – 21 itens) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar três estados emocionais negativos: depressão, ansiedade e estresse. Sua construção baseia-se no Modelo Tripartite de Clark e Watson (1991), que diferencia esses estados com base em três componentes: afeto negativo (comum às três condições), afeto positivo reduzido (associado à depressão) e hiperativação fisiológica (associada à ansiedade). O DASS-21 permite a identificação e o monitoramento desses estados emocionais com uso único, evitando a necessidade de aplicar múltiplas escalas.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 minutos
População-alvo
Adultos (18 a 75 anos), inclusive pacientes e cuidadores de serviços ambulatoriais
Usos recomendados
Triagem psicológica, apoio ao diagnóstico diferencial entre ansiedade, monitoramento de sintomas, avaliação pré e pós-intervenção em psicoterapia, pesquisas em saúde mental e psicologia clínica.
Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS)
A Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) é um instrumento de triagem psicológica desenvolvido por Zigmond e Snaith (1983), traduzido e adaptado para o Brasil por Botega et al. (1995). Seu objetivo clínico é identificar sintomas de ansiedade e depressão leves, especialmente em contextos hospitalares e não psiquiátricos. A HADS tem sido amplamente utilizada para rastreamento de sofrimento psicológico em diferentes populações, incluindo pacientes clínicos, cirúrgicos, com dor crônica e profissionais da saúde. Teoricamente, baseia-se na distinção entre sintomas psicológicos e somáticos, excluindo itens que possam ser confundidos com manifestações físicas de doenças médicas.
Aplicação
Autoaplicável, duração média de 5 a 10 minutos.
População-alvo
Adultos, incluindo pacientes hospitalares (clínicos, cirúrgicos), pessoas com dor crônica e profissionais da saúde.
Usos recomendados
Triagem psicológica em contextos hospitalares e clínico, avaliação pré-operatória, acompanhamento em dor crônica, avaliação ocupacional e monitoramento em saúde mental.
Generalized Anxiety Disorder (GAD-7)
A Generalized Anxiety Disorder Scale – GAD-7 é um instrumento de autorrelato breve que avalia a presença e a frequência de sintomas relacionados ao transtorno de ansiedade generalizada (TAG), conforme os critérios do DSM-IV. Seu objetivo clínico é rastrear sintomas de ansiedade e identificar possíveis casos com níveis clínicos de ansiedade generalizada. É fundamentada teoricamente na fenomenologia da ansiedade e tem ampla aplicação em contextos clínicos, de saúde pública e pesquisa.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAG, investigação de comorbidades com depressão, planejamento terapêutico, pesquisa em saúde mental e estudos populacionais.
Inventário de Supressão de Pensamentos do Urso Branco (WBSI)
O Inventário de Supressão de Pensamentos do Urso Branco (White Bear Suppression Inventory – WBSI) avalia a tendência individual à supressão de pensamentos indesejados ou intrusivos, um processo psicológico associado a diversos transtornos, como ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), depressão, transtornos do pânico e comportamentos aditivos. A supressão de pensamentos é vista como um mecanismo que, embora inicialmente adaptativo, pode produzir efeitos paradoxais (como o efeito rebote), aumentando a frequência dos pensamentos evitados. O WBSI é fundamentado nos estudos de Wegner sobre os efeitos paradoxais da tentativa de controlar pensamentos.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 minutos
População-alvo
Adultos da população geral, incluindo diferentes níveis de escolaridade
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, avaliação de mecanismos de enfrentamento cognitivo, formulação de caso em transtornos ansiosos e obsessivo-compulsivos, pesquisa em saúde mental
Mental Health Index (MHI-5)
O Mental Health Index-5 (MHI-5), ou Índice de Saúde Mental (ISM-5) é uma subescala do SF-36 composta por 5 itens que avalia sintomas de depressão e ansiedade, funcionando como medida breve de saúde mental para triagem em amostras clínicas e não clínicas. Escores mais altos indicam melhor saúde mental.
Tipo de aplicação
Instrumento autoaplicável pelo paciente.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos (18 a 88 anos) da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao psicodiagnóstico, monitoramento em intervenções e pesquisa em saúde mental.
Questionário de Ansiedade Social para Adultos (CASO-A30)
O Questionário de Ansiedade Social para Adultos (CASO-A30) é um inventário de autorrelato desenvolvido para avaliar ansiedade social/fobia social (TAS) em adultos, tanto na população geral quanto em contextos clínicos. Ele deriva do CISO-A (Cuestionário de Interacción Social para Adultos) e foi construído dentro de uma perspectiva cognitivo-comportamental e de habilidades sociais, alinhada ao conceito de TAS descrito no DSM (medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho em que o indivíduo pode sentir vergonha ou ser avaliado negativamente).
Tempo médio de aplicação
8 a 10 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem e avaliação dimensional de ansiedade social em: População geral adulta; universitários; pacientes com TAS em contexto clínico; uso em pesquisa. Apoio à avaliação de resultados de intervenção em habilidades sociais, pelo menos em nível exploratório.
Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ)
O Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ) avalia a tendência geral e patológica de preocupação excessiva, característica central do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). O construto subjacente é a preocupação como traço disposicional, fundamentado nos modelos cognitivo-comportamentais da ansiedade patológica. Seus principais usos clínicos incluem triagem de TAG, apoio ao diagnóstico diferencial, monitoramento de sintomas e avaliação de resposta a intervenções terapêuticas, sobretudo em contextos de terapia cognitivo-comportamental.
Tempo médio de aplicação
5–10 minutos.
População-alvo
Adultos e jovens adultos; estudo de validação com universitários brasileiros (17–68 anos).
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAG, investigação transdiagnóstica (ex.: preocupação patológica em outros transtornos ansiosos), monitoramento longitudinal de sintomas e resposta ao tratamento cognitivo-comportamental.
Self-reporting Questionnaire (SRQ-20)
O SRQ-20 (Self-Reporting Questionnaire) é um questionário criado pela OMS nos anos 1970 para rastrear sintomas de depressão, ansiedade e transtornos somáticos. Composto por 20 perguntas, ele se destaca por incluir questões sobre sintomas físicos, um ponto fundamental para a identificação adequada de transtornos mentais comuns, especialmente na atenção primária à saúde (APS), onde esses sintomas são frequentemente subdiagnosticados. O SRQ-20 é autoaplicável e de fácil compreensão, podendo ser utilizado mesmo por pessoas com baixo nível de escolaridade ou analfabetas, desde que auxiliadas por um terceiro. Originalmente desenvolvido para APS, o instrumento provou ser útil em diferentes contextos, incluindo escolas, ambientes de trabalho e pesquisas de larga escala.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Indivíduos ≥ 14 anos
Usos recomendados
Rastreamento de transtornos não-psicóticos; apoio à decisão de encaminhamento/avaliação diagnóstica.
Testes de Autoverbalizações na Interação Social (SISST)
O SISST é um instrumento de avaliação cognitiva desenvolvido para mensurar autoverbalizações (self-statements) durante interações sociais. O questionário contém 30 itens, divididos em duas subescalas: autoverbalizações positivas (facilitadoras) e autoverbalizações negativas (inibidoras). A escala foi desenvolvida empiricamente a partir de pensamentos relatados por indivíduos em situações sociais desafiadoras. Os itens foram selecionados através de avaliações de profissionais especializados.
Tempo médio de aplicação:
8 minutos
População-alvo:
Adultos (utilizado originalmente com universitários; no Brasil, aplicado experimentalmente em adultos sem transtornos psiquiátricos)
Usos recomendados:
Triagem cognitiva em ansiedade social;
Avaliação complementar em psicodiagnóstico;
Formulação cognitiva de caso;
Monitoramento de intervenções focadas em reestruturação cognitiva;
Pesquisa clínica e acadêmica.
Além das escalas padronizadas, existem outros tipos de instrumentos para ansiedade, como entrevistas clínicas e registros de automonitoramento.
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