Escalas para Mensuração
Confira as escalas padronizadas disponíveis para avaliação de mensuração. Instrumentos validados com pontuação estruturada para uso clínico.
Escalas Padronizadas
Big Five Inventory - Versão em Português (BFI)
O Big Five Inventory (BFI), em sua versão brasileira (português do Brasil), é um instrumento de autorrelato destinado a mensurar os cinco grandes fatores de personalidade (Big Five): Extroversão, Amabilidade (Agreeableness), Conscienciosidade, Neuroticismo e Abertura à Experiência. O BFI é uma alternativa gratuita para investigação de personalidade em pesquisa e em interfaces psiquiatria–psicologia (p.ex., estudos sobre associações entre traços e psicopatologia/bem-estar).
Tempo médio de aplicação:
10 a 12 minutos
População-alvo:
Adultos (> 18 anos)
Usos recomendados:
Avaliação dimensional de traços de personalidade em contextos de triagem psicológica e formulação de caso, especialmente quando se deseja descrever padrões relativamente estáveis de funcionamento (p.ex., vulnerabilidade emocional via Neuroticismo, autorregulação via Conscienciosidade, estilo interpessoal via Extroversão/Amabilidade) e relacioná-los a hipóteses transdiagnósticas, planejamento terapêutico e compreensão de dificuldades recorrentes; o instrumento também é indicado para pesquisa e para interfaces com saúde mental (p.ex., estudos de associação entre traços e indicadores clínicos), sempre como componente complementar à entrevista e a outras fontes de informação, já que o estudo não estabelece pontos de corte clínico nem evidencia sensibilidade à mudança para uso como medida primária de monitoramento de progresso.
Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido (EMSSP)
A Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido (EMSSP / MSPSS) avalia suporte social percebido, isto é, o quanto a pessoa percebe que tem recursos emocionais e de interação social disponíveis em sua rede. O modelo teórico do instrumento é multifonte: o suporte é estimado separadamente para Família, Amigos e Outros significativos (pessoa especial/figura relevante).
Tempo médio de aplicação:
4 minutos
População-alvo:
População geral (Instrumento validado para o Brasil com amostras de universitários, trabalhadores e gestantes)
Usos recomendados:
Triagem de vulnerabilidade psicossocial (p.ex., baixa percepção de apoio).
Formulação de caso: mapeamento de fontes específicas de suporte (família vs amigos vs pessoa especial).
Monitoramento: possível reaplicação para acompanhar flutuações percebidas, com cautela porque a estabilidade item a item foi apenas moderada em 14 dias (construto pode mudar).
Pesquisa: instrumento breve e amplamente utilizado para testar relações entre apoio social e desfechos em saúde mental e física.
Questionário Integrado de Avaliação de Superdotação (QIAS)
O Questionário Integrado de Avaliação de Superdotação (QIAS) tem como objetivo avaliar a superdotação em cinco domínios (acadêmico, criativo-produtivo, metafísico-espiritual, sexual e Bulk), buscando uma leitura mais holística do potencial humano, para além do desempenho acadêmico.
Tempo médio de aplicação:
10 a 15 minutos
População-alvo:
Adolescentes e estudantes universitários
Usos recomendados:
Triagem e apoio a decisões educacionais/psicoeducacionais para identificar perfis de altas habilidades em múltiplos domínios, com ênfase no contexto educacional brasileiro.
Boa prática clínica: Embora o artigo use o termo “diagnóstico”, em avaliação psicológica recomenda-se não isolar questionário de autorrelato como diagnóstico final; usar como hipótese/triagem e integrar com entrevista, história de desenvolvimento, dados escolares e testes padronizados.
Limitações importantes do instrumento:
No estudo de construção do instrumento não são reportadas evidências de validade de conteúdo. Além disso, não são apresentadas tabelas de cargas fatoriais, comunalidades, método de extração/rotação, variância explicada por fator explicitada numericamente (apenas referência a figuras), nem os índices de ajustes do modelo.
Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT)
O AUDIT (Alcohol Use Disorder Identification Test) é um instrumento de rastreio desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar padrões de consumo de álcool potencialmente prejudiciais. Avalia o uso nocivo de álcool, sintomas de dependência e consequências adversas do consumo, sendo utilizado em contextos clínicos, organizacionais e comunitários. A versão brasileira validada por Santos et al. (2012) buscou avaliar sua estrutura fatorial, fidedignidade e estabilidade temporal em uma amostra de universitários.
Tempo médio de aplicação
10 a 15 minutos
População-alvo
Adolescentes e adultos da população geral, com uso mais comum entre universitários e pacientes em atenção primária
Contextos recomendados
Triagem em serviços de saúde, psicoterapia, avaliação em programas clínicos e pesquisas populacionais
Usos clínico recomendados
Rastreio precoce de uso problemático de álcool; apoio a decisões clínicas; avaliação em contextos de saúde pública e intervenções breves.
Clinical Impairment Assessment Questionnaire (CIA 3.0)
O Clinical Impairment Assessment Questionnaire (CIA 3.0) é um instrumento de autorrelato composto por 16 itens, desenvolvido para avaliar o grau de comprometimento psicossocial causado por características de transtornos alimentares nos últimos 28 dias. Ele foi desenhado para ser aplicado imediatamente após a avaliação de características atuais de transtornos alimentares (ex.: EDE-Q) para garantir que essas características estejam bem claras na mente do respondente.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos (> 18 anos)
Usos recomendados
Triagem de significância clínica/impacto funcional associado a sintomas de Transtornos Alimentares (complementar ao EDE-Q ou entrevista).
Apoio à decisão de “caso clínico”.
Monitoramento de resposta ao tratamento (sensível à mudança; útil em reavaliações).
Pesquisa/epidemiologia clínica sobre carga funcional dos Transtornos Alimentares (com limitações pela ausência de normas populacionais).
Cocaine Craving Questionnaire – Brief (CCQ-B)
O Cocaine Craving Questionnaire – Brief (CCQ-B) foi desenvolvido por Sussner et al. (2006) como uma versão abreviada do Cocaine Craving Questionnaire-Now (CCQ-Now), originalmente criado por Tiffany et al. (1993). O CCQ-B é uma escala validada para avaliar o craving por cocaína, sendo amplamente utilizada em contextos clínicos e de pesquisa para monitorar o desejo intenso e multidimensional pelo uso da substância; alinhado a componentes como desejo intenso, expectativa de resultado positivo, alívio de abstinência/afeto negativo, intenção/planejamento de uso e dificuldade de controle (o artigo discute esse enquadramento teórico e a relevância clínica do craving para recaída).
Tempo estimado de aplicação
Entre 2 e 4 minutos.
População-alvo
Adultos dependentes de cocaína em contexto de tratamento (internação, ambulatório ou acompanhamento clínico).
Contextos recomendados de uso
Clínica de dependência química, contextos hospitalares, triagem, avaliação do progresso terapêutico, pesquisa científica.
Apoio ao planejamento terapêutico e monitoramento de uma variável associada à manutenção da abstinência e risco de recaída; aplicação em contextos clínicos com usuários de cocaína.
Escala de Ansiedade Social de Liebowitz - versão autoaplicável (LSAS)
O Liebowitz Social Anxiety Scale - Self Report version (LSAS-SR) é uma escala amplamente utilizada para avaliar a ansiedade social e o comportamento de esquiva em diversas situações sociais. Esta escala foi desenvolvida por Michael Liebowitz em 1987 e possui uma versão auto aplicada adaptada para o português brasileiro.
Finalidade do Instrumento:
Avaliação dimensional, triagem, diagnóstico complementar, avaliação de resposta ao tratamento
Objetivo clínico
Mensurar a gravidade da fobia social/transtorno de ansiedade social, diferenciando níveis de medo e evitação em situações sociais e de desempenho.
População-alvo
Adultos e adolescentes a partir dos 18 anos, em contextos clínicos e populacionais, especialmente indivíduos com suspeita ou diagnóstico de transtorno de ansiedade social.
Tempo estimado de aplicação
10 a 15 minutos
Escala de Atenção e Consciência Plenas (MAAS)
A Escala de Atenção e Consciência Plenas (Mindful Attention Awareness Scale - MAAS) é um instrumento que avalia a atenção e a consciência plenas como traço psicológico, com foco na tendência do indivíduo de estar atento e consciente do momento presente, de maneira não automática e não julgadora. É fundamentada no modelo conceitual de mindfulness proposto por Jon Kabat-Zinn e na definição ocidental de atenção plena como uma habilidade metacognitiva voltada à regulação atencional e autorregulação emocional. Clinicamente, o instrumento é útil para monitoramento de estados mentais associados à impulsividade, desatenção, ruminação e estados automáticos de funcionamento, com implicações em saúde mental e bem-estar subjetivo.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 minutos.
População-alvo
Adultos (>18 anos), incluindo população geral, universitários, tabagistas e praticantes de meditação.
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, avaliação de atenção plena como variável transdiagnóstica, apoio ao planejamento terapêutico, pesquisa em saúde mental.
Escala de Autocompaixão (SCS)
A Escala de Autocompaixão (Self-Compassion Scale - SCS) avalia a forma como indivíduos lidam consigo mesmos em situações de sofrimento, fracasso e dificuldade. Fundamenta-se no modelo teórico de Kristin Neff (2003), que compreende três mecanismos centrais (mindfulness versus sobreidentificação, bondade consigo versus autocrítica, senso de humanidade comum versus isolamento), operacionalizados em seis fatores. Clinicamente, busca identificar padrões de autocrítica, autoaceitação e regulação emocional, contribuindo para intervenções em depressão, ansiedade, perfeccionismo e dificuldades relacionais.
Tempo médio de aplicação
6–12 minutos.
População-alvo
Adultos brasileiros (>18 anos), com escolaridade mínima de ensino médio.
Situações recomendadas
Triagem clínica, avaliação transdiagnóstica de padrões de autocrítica e regulação emocional, apoio a intervenções psicoterapêuticas baseadas em mindfulness, monitoramento longitudinal e pesquisa científica.
Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR)
A Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR) avalia a autoestima global, definida como a orientação avaliativa positiva ou negativa que o indivíduo tem de si mesmo. Está fundamentada em modelos teóricos que associam a autoestima ao autoconceito, bem-estar subjetivo, saúde mental, ajustamento emocional e funcionamento adaptativo em contextos de vida diversos. Clinicamente, é utilizada para identificação de níveis de autoestima em crianças, adolescentes e adultos, sendo relevante em processos de triagem, formulação diagnóstica, acompanhamento terapêutico e avaliação de risco psicossocial.
Tempo de aplicação
Aproximadamente 5 a 10 minutos
População-alvo
Crianças (a partir de 10 anos), adolescentes e adultos jovens (até 30 anos)
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico psicológico, avaliação de risco psicossocial, compreensão do funcionamento emocional, monitoramento terapêutico, pesquisa em psicologia do desenvolvimento e da personalidade.
Escala de Avaliação da Autoeficácia Geral (EAAG-15)
A Escala de Avaliação da Autoeficácia Geral é uma adaptação da Self-Efficacy Scale de Sherer et al. (1982), desenvolvida para medir a crença geral de um indivíduo na sua capacidade de enfrentar desafios e realizar tarefas. O estudo de adaptação foi realizado no contexto da psicologia da saúde, com foco em jovens universitários portugueses.
Tempo médio de aplicação
8 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica de recursos motivacionais gerais (agência/persistência) e possíveis barreiras autorreferidas à mudança;
Apoio à formulação de caso, identificando padrões de:
dificuldade para iniciar ações e metas;
desistência diante de frustração/erro;
baixa confiança em interações sociais;
Planejamento terapêutico orientado a objetivos, ajudando a selecionar focos como: aumento de agência, treino de persistência/tolerância à frustração e intervenções interpessoais;
Monitoramento de processo/adesão (ex.: engajamento em tarefas, manutenção de esforços), como indicador complementar;
Avaliação complementar em psicologia da saúde, como variável associada a atitudes e comportamentos de saúde e percepção de saúde, apoiando intervenções de promoção de saúde/hábitos.
Uso em pesquisa/serviços clínicos para caracterização de perfil de autoeficácia geral em populações jovens (base amostral do estudo).
Escala de Avaliação de Sintomas de Jogo (G-SAS)
A Escala de Avaliação de Sintomas de Jogo (G-SAS) é uma escala de autorrelato composta por 12 itens, criada para avaliar a gravidade dos sintomas relacionados ao jogo patológico e acompanhar mudanças ao longo do tratamento. Não se trata de uma ferramenta diagnóstica, mas sim de uma escala que mede a severidade dos sintomas nas dimensões de urgências, pensamentos e comportamentos relacionados ao jogo, além de impactos emocionais e sociais.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos com quadro clínico de dependência de jogo.
Usos recomendados
Mensurar gravidade atual dos sintomas de jogo patológico (últimos 7 dias) em adultos com quadro clínico estabelecido.
Monitorar progresso terapêutico ao longo do tempo (reaplicação semanal/longitudinal), acompanhando redução/aumento de pensamentos, comportamento e sofrimento/impacto.
Escala De Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos (CES-D)
A CES-D é uma escala de autorrelato desenvolvida para avaliar sintomas depressivos em populações da comunidade. Seu foco é o rastreamento da frequência de sintomas depressivos experimentados na última semana. A escala é fundamentada em um modelo multidimensional da depressão que abrange aspectos afetivos, somáticos, interpessoais e cognitivos, alinhando-se a concepções teóricas clássicas como as de Beck, Zung e Radloff.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 a 10 minutos
População-alvo
Adultos e idosos da comunidade (18 a 103 anos), com versões avaliadas em universitários e idosos brasileiros
Usos recomendados
Triagem e rastreamento de sintomatologia depressiva, estudos epidemiológicos, monitoramento longitudinal de sintomas, avaliação complementar em psicodiagnóstico
Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS)
A Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS) é um instrumento autoaplicável composto por 10 itens, desenvolvido para rastrear a depressão pós-parto. Investiga sintomatologia depressiva no puerpério (últimos 7 dias), com itens que também capturam componentes de ansiedade/ruminação e autoculpabilização. A EPDS foi construída para rastreamento comunitário de depressão pós-natal, minimizando ênfase em sintomas somáticos que podem confundir com alterações fisiológicas do pós-parto.
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Mulheres no pós-parto (e potencialmente durante a gestação, mas o artigo original ressalta necessidade de revalidação para outros contextos).
Usos recomendados:
Triagem/rastreamento de depressão pós-parto em atenção primária e contextos comunitários.
A EPDS funciona melhor como porta de entrada para:entrevista clínica estruturada/semi-estruturada (como no estudo),
avaliação de risco (especialmente item 10),
avaliação funcional (vínculo mãe–bebê, sono, suporte social, violência, estressores),
plano de cuidado escalonado.
Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21)
A DASS-21 (Depression, Anxiety and Stress Scale – 21 itens) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar três estados emocionais negativos: depressão, ansiedade e estresse. Sua construção baseia-se no Modelo Tripartite de Clark e Watson (1991), que diferencia esses estados com base em três componentes: afeto negativo (comum às três condições), afeto positivo reduzido (associado à depressão) e hiperativação fisiológica (associada à ansiedade). O DASS-21 permite a identificação e o monitoramento desses estados emocionais com uso único, evitando a necessidade de aplicar múltiplas escalas.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 minutos
População-alvo
Adultos (18 a 75 anos), inclusive pacientes e cuidadores de serviços ambulatoriais
Usos recomendados
Triagem psicológica, apoio ao diagnóstico diferencial entre ansiedade, monitoramento de sintomas, avaliação pré e pós-intervenção em psicoterapia, pesquisas em saúde mental e psicologia clínica.
Escala de Dificuldades na Regulação Emocional (DERS)
A Escala de Dificuldades na Regulação Emocional (DERS) avalia dificuldades na regulação emocional, um construto transdiagnóstico associado a diversos transtornos psiquiátricos (como depressão, ansiedade, transtornos alimentares, uso de substâncias e transtornos de personalidade). O instrumento foi construído com base na conceituação de Gratz & Roemer (2004), que define regulação emocional como um processo multidimensional envolvendo consciência, compreensão, aceitação emocional, controle comportamental sob afeto negativo e acesso a estratégias eficazes de regulação.
Tempo médio de aplicação
10 a 15 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Uso recomendado
Triagem psicológica, formulação de caso, planejamento terapêutico, monitoramento clínico e pesquisa em saúde mental
Escala de Satisfação com a Vida (SWLS)
A Satisfaction with Life Scale (SWLS) avalia o componente cognitivo do bem-estar subjetivo, medindo a percepção global que o indivíduo tem da própria vida. O construto é fundamentado no modelo de bem-estar subjetivo de Diener, que distingue entre afetos (positivos e negativos) e a satisfação com a vida como julgamento cognitivo. O objetivo clínico da escala é identificar o grau de satisfação global com a vida, sendo útil em triagens, investigações de sofrimento emocional ou de congruência entre valores e realizações pessoais.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 2 minutos
População-alvo
Adultos jovens (18 a 35 anos)
Situações recomendadas
Triagens clínicas breves, monitoramento de mudanças em intervenções psicossociais, apoio ao planejamento terapêutico (foco em metas e motivação)
Escala do Nível de Satisfação com o Relacionamento Amoroso (ENSRA)
A Escala do Nível de Satisfação com o Relacionamento Amoroso (ENSRA) avalia a satisfação global com o relacionamento amoroso, compreendida como uma atitude geral do indivíduo em relação ao seu relacionamento, resultante da avaliação subjetiva do balanço entre aspectos positivos e negativos da relação. O instrumento é fundamentado no Modelo de Investimento do Processo de Comprometimento (Rusbult, 1980; Rusbult et al., 1998), no qual a satisfação constitui um dos principais determinantes do comprometimento e da persistência relacional. No entanto, a ENSRA é conceitual e psicometricamente independente das demais escalas do modelo (comprometimento, investimento e qualidade de alternativas), podendo ser utilizada de forma isolada.
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Adultos envolvidos em relacionamento amoroso comprometido (namoro estável, noivado, casamento ou coabitação)
Usos recomendados:
Triagem clínica em psicoterapia individual ou de casal;
Avaliação inicial da qualidade relacional;
Monitoramento de processos terapêuticos focados em relacionamento;
Pesquisa em psicologia clínica, social e da família.
Escala do Nível de Satisfação com o Relacionamento Amoroso - Revisada (ENSRA-R)
A Escala do Nível de Satisfação com o Relacionamento Amoroso - Revisada (ENSRA-R) avalia a satisfação global com o relacionamento amoroso, compreendida como uma atitude geral do indivíduo em relação ao seu relacionamento, resultante da avaliação subjetiva do balanço entre aspectos positivos e negativos da relação. A ENSRA-R foi proposta com inclusão de itens mais “difíceis” (maior exigência de satisfação elevada) em relação à versão original (ENSRA), visando melhorar a cobertura do traço latente em níveis altos. O instrumento é fundamentado no Modelo de Investimento do Processo de Comprometimento (Rusbult, 1980; Rusbult et al., 1998), no qual a satisfação constitui um dos principais determinantes do comprometimento e da persistência relacional. No entanto, a ENSRA é conceitual e psicometricamente independente das demais escalas do modelo (comprometimento, investimento e qualidade de alternativas), podendo ser utilizada de forma isolada.
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Adultos envolvidos em relacionamento amoroso comprometido (namoro estável, noivado, casamento ou coabitação)
Usos recomendados:
Triagem clínica em psicoterapia individual ou de casal;
Avaliação inicial da qualidade relacional;
Monitoramento de processos terapêuticos focados em relacionamento;
Pesquisa em psicologia clínica, social e da família.
Generalized Anxiety Disorder (GAD-7)
A Generalized Anxiety Disorder Scale – GAD-7 é um instrumento de autorrelato breve que avalia a presença e a frequência de sintomas relacionados ao transtorno de ansiedade generalizada (TAG), conforme os critérios do DSM-IV. Seu objetivo clínico é rastrear sintomas de ansiedade e identificar possíveis casos com níveis clínicos de ansiedade generalizada. É fundamentada teoricamente na fenomenologia da ansiedade e tem ampla aplicação em contextos clínicos, de saúde pública e pesquisa.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAG, investigação de comorbidades com depressão, planejamento terapêutico, pesquisa em saúde mental e estudos populacionais.
Inventário de Depressão - A mente vencendo o humor (Greenberger & Padesky)
O Inventário de Depressão – A Mente Vencendo o Humor, adaptado para o contexto brasileiro, auxiliar na identificação e monitoramento de sintomas depressivos com base em uma perspectiva cognitivo-comportamental. O inventário tem como objetivo auxiliar na identificação e monitoramento de sintomas depressivos, incentivando o autoconhecimento e o desenvolvimento de habilidades cognitivas para a modulação do humor. O instrumento busca fornecer dados objetivos sobre o estado de humor atual do paciente, especialmente úteis para formulação de caso, acompanhamento de evolução clínica e planejamento terapêutico individualizado.
O inventário é composto por um conjunto de itens que avaliam sintomas e aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais relacionados à depressão. As respostas são registradas em uma escala de intensidade, que permite ao paciente indicar a frequência ou gravidade com que determinados sintomas estão presentes. A aplicação é simples e pode ser realizada periodicamente para monitorar a evolução do quadro ao longo do tratamento.
O instrumento é uma adaptação clínica e prática, derivada de fundamentos da TCC. Entretanto, não apresenta dados de validação psicométrica sistemática, como consistência interna (alfa de Cronbach), validade de construto ou análises fatoriais. Seu uso deve ser considerado complementar, e não substitutivo, a instrumentos validados formalmente
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos e adolescentes a partir de 16 anos
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, monitoramento do progresso em sessões de TCC, estímulo à autoavaliação e psicoeducação, avaliação pré e pós-intervenção.
Inventário de Fobia Social (SPIN)
O Inventário de Fobia Social (Social Phobia Inventory – SPIN) avalia sintomas associados ao Transtorno de Ansiedade Social (TAS), especificamente nas dimensões de medo, evitação e sintomas fisiológicos diante de situações sociais. Foi desenvolvido com base em critérios diagnósticos do DSM-IV e modelos contemporâneos de ansiedade social, considerando manifestações cognitivas, comportamentais e somáticas.
OBS: Embora o SPIN tenha sido desenvolvido com base nos critérios do DSM-IV, os critérios diagnósticos para o Transtorno de Ansiedade Social permaneceram essencialmente os mesmos no DSM-5 e DSM-5-TR. As dimensões avaliadas pelo instrumento (medo, evitação e sintomas fisiológicos) continuam plenamente compatíveis com a definição diagnóstica atual. As atualizações do DSM-5-TR foram principalmente editoriais e culturais, sem impacto direto na aplicabilidade clínica do SPIN.
Tempo médio de aplicação
5 a 10 minutos
População-alvo
Adultos e jovens adultos; versão brasileira validada com universitários de 18 a 35 anos
Usos recomendados
Triagem de sintomas de fobia social em contexto clínico ou acadêmico, apoio ao diagnóstico de TAS, avaliação da gravidade dos sintomas, monitoramento terapêutico de intervenções farmacológicas e psicoterapêuticas
Inventário de Obsessões e Compulsões - Revisado (OCI-R)
O Inventário de Obsessões e Compulsões - Revisado (Obsessive-Compulsive Inventory – Revised [OCI-R]) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar a intensidade e o desconforto associados a sintomas obsessivo-compulsivos, com base no modelo dimensional do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Fundamenta-se teoricamente em subtipos sintomatológicos do TOC, visando quantificar seis domínios distintos do transtorno: verificação, lavagem, ordenação, acumulação, obsessões e neutralização. O instrumento é amplamente utilizado tanto para triagem quanto para acompanhamento terapêutico.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 a 10 minutos
População-alvo
Adultos com sintomas de TOC, incluindo populações clínicas e não clínicas
Situações recomendadas para uso
Triagem, diagnóstico diferencial, formulação de caso, planejamento e monitoramento terapêutico, e pesquisa clínica
Lista de Sintomas Borderline (BSL-23)
O Borderline Symptom List – versão reduzida (BSL-23) é um instrumento de autorrelato que avalia a gravidade de sintomas associados ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na última semana. Baseia-se no modelo teórico do BSL-95, derivado de critérios do DSM-IV e da entrevista DIB-R, incorporando queixas subjetivas de pacientes para aumentar a validade clínica/ecológica. Fenômeno avaliado: intensidade/gravidade de sintomas borderline (instabilidade afetiva, autoimagem, relações interpessoais, impulsividade e conteúdos internalizantes relacionados), em formato de autorrelato quantitativo de sintomas (foco em “última semana”).
Tempo médio
8 minutos
População-alvo
Adultos; estudo de validação com amostra não clínica brasileira (n=2.682, idade média=26,6 anos)
Usos Recomendados
Triagem e monitoramento de sintomas de TPB, avaliação dimensional de gravidade em contextos clínicos e de pesquisa, formulação de caso e avaliação de mudanças terapêuticas (desde que estudos futuros confirmem sensibilidade ao longo do tempo).
Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9)
O Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) é um instrumento de rastreamento e avaliação da gravidade de sintomas depressivos com base nos critérios diagnósticos do DSM-IV para Episódio Depressivo Maior. Seu objetivo principal é identificar indivíduos com sintomas depressivos clinicamente significativos na população geral e em contextos clínicos, facilitando decisões de triagem e encaminhamento para avaliação diagnóstica especializada.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 20 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem em atenção primária, investigação diagnóstica inicial, estudos epidemiológicos e monitoramento de sintomas depressivos em contextos clínicos e de saúde pública
Posttraumatic Stress Disorder Checklist 5 (PCL-5)
O PCL-5 avalia sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), conforme os critérios B, C, D e E do DSM-5. O instrumento foi desenvolvido para quantificar a gravidade dos sintomas, realizar triagem de casos prováveis de TEPT e monitorar a evolução clínica ao longo do tempo. É fundamentado nos modelos teóricos de resposta ao trauma descritos no DSM-5 e se alinha à nova estrutura dos transtornos relacionados a trauma e estressores.
Tempo médio de aplicação
5 a 10 minutos
População-alvo
Adultos (com base em amostras de validação brasileira com idade ≥ 18 anos)
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TEPT, formulação de caso com base em sintomas traumáticos, planejamento terapêutico, monitoramento de progresso sintomático, e pesquisa clínica e epidemiológica.
Problematic Internet Use Questionnaire – Short Form-9 (PIUQ-SF-9)
O Problematic Internet Use Questionnaire – Short Form – 9 (PIUQ-SF-9), versão brasileira é um instrumento breve de rastreamento de uso problemático de internet (UPI), definido como padrão excessivo e descontrolado associado a prejuízos em saúde física/emocional, relações sociais e funcionamento ocupacional. O instrumento baseia-se no modelo tridimensional do PIUQ (derivado do instrumento original de 18 itens), com três aspectos do UPI: obsessão (preocupação/abstinência), negligência (abandono de atividades/necessidades) e transtorno de controle (dificuldade de controlar o uso).
Tempo médio de aplicação
3 a 5 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem/rastreamento de risco de Uso Problemático de Internet (UPI) em população geral (instrumento breve).
Apoio à avaliação clínica inicial (screening) para levantar hipóteses sobre padrão problemático (perda de controle, prejuízos, sinais tipo abstinência/compulsividade), sempre integrado à entrevista clínica e a outras fontes.
Investigação transdiagnóstica/comorbidades, especialmente em conjunto com indicadores de humor/sintomas depressivos e variáveis comportamentais (tempo online).
Monitoramento longitudinal do risco/sintomatologia por reaplicações (há estabilidade teste–reteste), sem parâmetros de mudança clínica (RCI/MCID) no estudo.
Uso em pesquisa clínica/psicométrica (comparações entre grupos, estudos populacionais e investigação de modelo fatorial), com recomendação de novos estudos em amostras clínicas e adolescentes.
Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ)
O Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ) avalia a tendência geral e patológica de preocupação excessiva, característica central do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). O construto subjacente é a preocupação como traço disposicional, fundamentado nos modelos cognitivo-comportamentais da ansiedade patológica. Seus principais usos clínicos incluem triagem de TAG, apoio ao diagnóstico diferencial, monitoramento de sintomas e avaliação de resposta a intervenções terapêuticas, sobretudo em contextos de terapia cognitivo-comportamental.
Tempo médio de aplicação
5–10 minutos.
População-alvo
Adultos e jovens adultos; estudo de validação com universitários brasileiros (17–68 anos).
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAG, investigação transdiagnóstica (ex.: preocupação patológica em outros transtornos ansiosos), monitoramento longitudinal de sintomas e resposta ao tratamento cognitivo-comportamental.
Smartphone Addiction Scale – Long Version (SAS-LV)
A Smartphone Addiction Scale – Long Version (SAS-LV) é um instrumento desenvolvido por Min Kwon e colaboradores em 2013 para avaliar sintomas de uso problemático de smartphones. Trata-se de instrumento de rastreio de padrão de uso de smartphone compatível com o construto de “dependência/uso problemático de smartphone”, ancorado em componentes típicos de adições comportamentais (p.ex., tolerância, abstinência, compulsividade e prejuízo funcional).
Tempo médio de aplicação
10 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Usos recomendados
Triagem / rastreio (screening) de dependência/uso problemático de smartphone (identificar provável caso e indicar necessidade de avaliação clínica complementar).
Testes de Autoverbalizações na Interação Social (SISST)
O SISST é um instrumento de avaliação cognitiva desenvolvido para mensurar autoverbalizações (self-statements) durante interações sociais. O questionário contém 30 itens, divididos em duas subescalas: autoverbalizações positivas (facilitadoras) e autoverbalizações negativas (inibidoras). A escala foi desenvolvida empiricamente a partir de pensamentos relatados por indivíduos em situações sociais desafiadoras. Os itens foram selecionados através de avaliações de profissionais especializados.
Tempo médio de aplicação:
8 minutos
População-alvo:
Adultos (utilizado originalmente com universitários; no Brasil, aplicado experimentalmente em adultos sem transtornos psiquiátricos)
Usos recomendados:
Triagem cognitiva em ansiedade social;
Avaliação complementar em psicodiagnóstico;
Formulação cognitiva de caso;
Monitoramento de intervenções focadas em reestruturação cognitiva;
Pesquisa clínica e acadêmica.
Além das escalas padronizadas, existem outros tipos de instrumentos para mensuração, como entrevistas clínicas e registros de automonitoramento.
Ver todos os instrumentos para MensuraçãoArtigos Relacionados
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