Carregando instrumento...
Última atualização:
A Escala de Atenção e Consciência Plenas (Mindful Attention Awareness Scale - MAAS) é um instrumento que avalia a atenção e a consciência plenas como traço psicológico, com foco na tendência do indivíduo de estar atento e consciente do momento presente, de maneira não automática e não julgadora. É fundamentada no modelo conceitual de mindfulness proposto por Jon Kabat-Zinn e na definição ocidental de atenção plena como uma habilidade metacognitiva voltada à regulação atencional e autorregulação emocional. Clinicamente, o instrumento é útil para monitoramento de estados mentais associados à impulsividade, desatenção, ruminação e estados automáticos de funcionamento, com implicações em saúde mental e bem-estar subjetivo.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 minutos.
População-alvo
Adultos (>18 anos), incluindo população geral, universitários, tabagistas e praticantes de meditação.
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica, avaliação de atenção plena como variável transdiagnóstica, apoio ao planejamento terapêutico, pesquisa em saúde mental.
1. Estrutura do instrumento:
Número de itens: 15 itens, todos contribuindo para o fator; itens 1, 11 e 13 apresentaram cargas abaixo do critério ≥.40 (aprox. .39, .30, .36, respectivamente) e os autores recomendam interpretação cautelosa desses itens.
Formato de resposta: escala Likert de 6 pontos (1 = Quase sempre / 6 = Quase nunca)
Organização: escala unidimensional que mede um único fator de atenção e consciência plenas
2. Descrição da dimensão:
Fator único - Atenção e Consciência Plenas: Avalia a frequência com que o indivíduo atua de forma consciente no momento presente, sem funcionar no "piloto automático". Inclui aspectos de distração, desatenção, impulsividade e pré-ocupações mentais.
Itens: 1 a 15
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Cálculo recomendado: média (soma/15 [mínimo] a 90 [máximo]).
Intervalo da média: 1-6; quanto maior, maior mindfulness.
Cutoffs: O estudo não apresenta pontos de corte validados.
3.1. O que a MAAS (unifatorial) captura clinicamente (leitura funcional dos itens):
Como o instrumento é unidimensional, a interpretação clínica se organiza em um continuum:
Escore mais alto (mais mindfulness): menor frequência de operar no “piloto automático”, maior capacidade de perceber experiências internas (emoções/tensão corporal) e manter atenção no aqui-agora em tarefas rotineiras.
Escore mais baixo (menos mindfulness): maior frequência de distração, automatismos e desatenção a sinais internos (emoções/tensão), sugerindo maior vulnerabilidade a respostas habituais e menor monitoramento atencional no cotidiano.
No estudo brasileiro de validação da MAAS (Barros et al., 2015), não foram definidos pontos de corte clínico. Ou seja, os autores não dizem qual escore indica "atenção plena baixa", "moderada" ou "alta". Alguns estudos internacionais indicam que a maioria dos adultos saudáveis pontua entre 58 e 65 (Brown & Ryan, 2003; MacKillop & Anderson, 2007; Black et al., 2012). A escala também se correlaciona negativamente com sintomas de ansiedade, depressão e impulsividade, e positivamente com bem-estar psicológico e regulação emocional, indicando sua utilidade clínica como marcador de funcionamento atencional e autorregulatório.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Pode ser reaplicado ao longo do tempo em contextos de monitoramento, mas não há recomendação explícita de frequência ideal.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente.
Deve sempre ser complementado por entrevista clínica e outros instrumentos.
Pode apresentar limitações para distinguir diferenças sutis entre meditadores e não meditadores.
Alguns itens apresentam carga fatorial abaixo do ideal e devem ser interpretados com cautela (itens 1, 11, 13).
6. Sugestões para análise clínica:
Escore total baixo pode indicar funcionamento automático elevado, dificuldades de autorregulação e maior vulnerabilidade ao estresse ou impulsividade.
Pode ser útil em formulações de caso que envolvam transtornos de ansiedade, TDAH, depressão, uso de substâncias, entre outros quadros com prejuízo atencional.
Pode orientar a introdução de práticas de mindfulness no plano terapêutico.
Combinações úteis:
Com escalas de bem-estar (ex.: WHO-5)
Com medidas de regulação emocional ou impulsividade (ex.: DERS, BIS-11)
Com escalas de sintomatologia clínica (ex.: DASS-21, GAD-7, PHQ-9) para análise transdiagnóstica
6.1. Convergência com bem-estar (como integrar na formulação):
A MAAS se correlacionou de forma moderada com bem-estar subjetivo e seus componentes (ex.: MAAS–PWBS total r=.47, p<.001), sustentando o uso como indicador de processo relevante em intervenções que visam autorregulação e qualidade de vida, mas não como sinônimo de bem-estar.
Há um conjunto de sentenças a seguir sobre a sua experiência diária. Usando a escala de 1-6, por favor, indique a frequência com que você tem cada experiência, atualmente.
Por favor, responda de acordo com o que realmente reflita a sua experiência, ao invés de o que você pensa que a sua experiência deveria ser. Por favor, pense em cada item separadamente dos outros.
Brown, K. W., & Ryan, R. M. (2003). The benefits of being present: Mindfulness and its role in psychological well-being. Journal of Personality and Social Psychology, 84(4), 822-848. https://doi.org/10.1037/0022-3514.84.4.822
Barros, V. V., Kozasa, E. H., Souza, I. C. W., & Ronzani, T. M. (2015). Evidências de validade da versão brasileira da Escala de Atenção e Consciência Plenas (MAAS). Psicologia: Reflexão e Crítica, 28(1), 87–95. https://doi.org/10.1590/1678-7153.201528110
MacKillop, J., & Anderson, E. J. (2007). Further psychometric validation of the Mindful Attention Awareness Scale (MAAS). Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment, 29(4), 289–293. https://doi.org/10.1007/s10862-007-9045-1