Escalas para Afeto Positivo
Confira as escalas padronizadas disponíveis para avaliação de afeto positivo. Instrumentos validados com pontuação estruturada para uso clínico.
Escalas Padronizadas
Questionário de Sentido de Vida (QSV-BR)
O Questionário de Sentido de Vida (Meaning in Life Questionnaire - MLQ) avalia dois construtos relacionados, porém distintos: Presença de Sentido na vida e Busca de Sentido. No artigo original, “sentido de vida” é definido como o sentido e a significação percebidos a respeito da própria existência; a construção do instrumento dialoga com tradições humanistas, existenciais e eudaimônicas, mas adota uma formulação relativamente aberta, permitindo que cada pessoa use seus próprios critérios de sentido. O objetivo explícito dos autores foi produzir uma medida breve, psicometricamente mais “limpa”, com menos sobreposição de conteúdo com sofrimento psíquico e outras medidas de bem-estar.
Tempo médio de aplicação:
5 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
Triagem ampliada do funcionamento existencial, apoio à formulação de caso, investigação transdiagnóstica de bem-estar/propósito, monitoramento clínico ao longo da psicoterapia e pesquisa em bem-estar.
Escala Breve de Intensidade de Afetos (BIA)
A Escala Breve de Intensidade de Afetos (Short Affect Intensity Scale – Brasil (SAIS-BR) tem como objetivo avaliar a intensidade com que os indivíduos experienciam suas emoções, ou seja, a força subjetiva das respostas emocionais diante de estímulos cotidianos, independentemente da frequência com que essas emoções ocorrem. O construto de intensidade afetiva é concebido como uma característica relativamente estável de temperamento, relacionada ao estilo emocional do indivíduo, influenciando reatividade fisiológica, processamento cognitivo e regulação emocional. A escala não mede valência emocional isoladamente, mas diferencia padrões intensos de vivência emocional positiva, negativa e estados de serenidade. Clinicamente, o instrumento é útil para compreender diferenças individuais na reatividade emocional, um fator relevante em quadros de ansiedade, depressão, transtornos relacionados ao estresse, dificuldades de regulação emocional e padrões transdiagnósticos de vulnerabilidade emocional.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos).
Usos recomendados
Triagem clínica emocional: Uso inicial para mapear padrões gerais de reatividade emocional do indivíduo.
Avaliação de traços afetivos e temperamentais: Compreensão do funcionamento emocional do paciente.
Formulação de caso clínico: Definição de objetivos terapêuticos e seleção de técnicas.
Monitoramento de reatividade emocional em processos terapêuticos: Uso secundário para acompanhamento ao longo do processo terapêutico.
Escala de Afetos Positivos e Negativos (PANAS)
O PANAS (Positive and Negative Affect Schedule) mede dois domínios afetivos amplos e relativamente independentes: Afeto Positivo (PA) — energia, engajamento e alerta — e Afeto Negativo (NA) — angústia subjetiva que abrange estados aversivos como medo, culpa, raiva e nervosismo. Esses domínios são concebidos como dimensões psicobiológicas ortogonais da experiência afetiva.
Tempo médio de aplicação
5 a 10 minutos. O aplicador deve indicar o período de tempo a ser considerado pelo paciente ao responder a escala (p. ex. no último dia, na última semana, no último mês), de acordo com o objetivo clínico.
População-alvo
Faixa etária: 15 a 75 anos
Usos recomendados
O PANAS é recomendado para triagem emocional e monitoramento clínico, permitindo identificar o perfil afetivo de indivíduos com base em dois domínios: Afeto Positivo (PA) e Afeto Negativo (NA). O instrumento é útil no acompanhamento longitudinal de humor e bem-estar. Pode ser aplicado em contextos clínicos, comunitários e de pesquisa, inclusive com populações de baixa escolaridade (versão por entrevista). Apesar de amplamente validado e confiável, não deve ser usado isoladamente para diagnóstico e não possui pontos de corte clínicos brasileiros, devendo ser interpretado de forma contínua e sempre em conjunto com entrevista e outras medidas psicométricas.
Escala de Empatia Básica (EEB)
A Basic Empathy Scale (BES) é um instrumento de autorrelato desenvolvido por Darrick Jolliffe e David P. Farrington para avaliar empatia como um construto bidimensional, composto por empatia afetiva (compartilhar o estado emocional do outro) e empatia cognitiva (compreender o estado emocional do outro). A formulação teórica adotada pelos autores deriva da definição de Cohen e Strayer, centrada em “entender e compartilhar o estado emocional ou contexto emocional de outra pessoa”, com esforço explícito para diferenciar empatia de simpatia e para medir cognição empática de modo mais específico do que escalas anteriores.
Tempo médio de aplicação:
7 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
Triagem dimensional de empatia, investigação transdiagnóstica de funcionamento interpessoal, estudos sobre comportamento pró-social/antissocial, avaliação complementar em casos com hipóteses de dificuldades socioemocionais, e acompanhamento clínico exploratório com cautela metodológica.
Escala de Esperança de Herth (EEH)
A Escala de Esperança de Herth (Herth Hope Index) é um instrumento de autorrelato para mensurar esperança em adultos, com foco em contextos clínicos (doença aguda, crônica e terminal), permitindo triagem/monitoramento de estados de esperança ao longo do tempo.
A esperança é definida como uma força dinâmica multidimensional associada a expectativa confiante (ainda que incerta) de alcançar um bem considerado realisticamente possível e significativo.
Tempo médio de aplicação
1 a 4 minutos
População-alvo
Adultos
Usos recomendados
Triagem clínica e monitoramento longitudinal de esperança (instrumento foi concebido para reaplicações em diferentes intervalos).
Apoio à formulação de caso em cenários de doença crônica/oncologia/diabetes/cuidado paliativo e em cuidadores, como indicador clínico complementar.
Escala de Felicidade Subjetiva (EFS)
A Escala de Felicidade Subjetiva (Subjective Happiness Scale - SHS) avalia felicidade subjetiva global (autoavaliação “molar” do quanto a pessoa se percebe feliz vs. não feliz), alinhada à tradição subjectivist de bem-estar (ênfase na perspectiva do respondente, sem impor uma definição “externa” do que é felicidade).
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Adultos (> 18 anos)
Usos recomendados:
Triagem e rastreio de bem-estar subjetivo global (ex.: em avaliações iniciais, contextos de saúde, psicologia positiva, intervenções breves).
Formulação de caso: indicador sintético da autopercepção de felicidade, útil para contrastar com sintomas (humor, ansiedade, estresse) e com indicadores funcionais.
Monitoramento: por ser breve, pode ser reaplicada para acompanhar tendências ao longo de intervenções (o estudo brasileiro, porém, não traz métricas formais de responsividade/RCI/MCID).
Escala de Saúde Mental Positiva (MHC-SF)
A Escala de Saúde Mental Positiva (adaptação do MHC-SF - Mental Health Continuum – Short Form) é um instrumento de autorrelato para avaliação de saúde mental positiva (bem-estar), entendida como afetos positivos, autodesenvolvimento/funcionamento psicológico e conexão social (modelo de Keyes (2005); continuum de saúde mental).
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo:
Adultos
Usos recomendados:
Pode ser útil para triagem de recursos/funcionamento positivo, formulação de caso, monitoramento e pesquisa, desde que não substitua entrevista e avaliação multimétodos.
Além das escalas padronizadas, existem outros tipos de instrumentos para afeto positivo, como entrevistas clínicas e registros de automonitoramento.
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