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A Escala Breve de Intensidade de Afetos (Short Affect Intensity Scale – Brasil (SAIS-BR)) tem como objetivo avaliar a intensidade com que os indivíduos experienciam suas emoções, ou seja, a força subjetiva das respostas emocionais diante de estímulos cotidianos, independentemente da frequência com que essas emoções ocorrem. O construto de intensidade afetiva é concebido como uma característica relativamente estável de temperamento, relacionada ao estilo emocional do indivíduo, influenciando reatividade fisiológica, processamento cognitivo e regulação emocional. A escala não mede valência emocional isoladamente, mas diferencia padrões intensos de vivência emocional positiva, negativa e estados de serenidade. Clinicamente, o instrumento é útil para compreender diferenças individuais na reatividade emocional, um fator relevante em quadros de ansiedade, depressão, transtornos relacionados ao estresse, dificuldades de regulação emocional e padrões transdiagnósticos de vulnerabilidade emocional.
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos).
Usos recomendados
Triagem clínica emocional: Uso inicial para mapear padrões gerais de reatividade emocional do indivíduo.
Avaliação de traços afetivos e temperamentais: Compreensão do funcionamento emocional do paciente.
Formulação de caso clínico: Definição de objetivos terapêuticos e seleção de técnicas.
Monitoramento de reatividade emocional em processos terapêuticos: Uso secundário para acompanhamento ao longo do processo terapêutico.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 20 itens
Tipo de resposta: Escala de frequência de 6 pontos (1 = “Nuca” a 6 = “Sempre”).
Organização: 3 subescalas (Intensidade Positiva, Intensidade Negatica e Serenidade)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Intensidade Positiva: Avalia a intensidade das emoções positivas de alta ativação, como euforia, entusiasmo e energia elevada.
Intensidade Negativa: Mede a força das respostas emocionais negativas, como ansiedade, culpa, vergonha e nervosismo.
Serenidade: Avalia a tendência a vivenciar emoções positivas de baixa ativação, como calma, contentamento e tranquilidade.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Pontuação: Média dos itens por fator
O estudo não apresenta pontos de corte clínico validados.
Intensidade Positiva:
Escore alto: tendência a vivenciar alegria de forma expansiva, intensa e energizada; pode indicar maior expressividade emocional.
Escore baixo: vivência mais moderada ou contida de emoções positivas intensas.
Intensidade Negativa:
Escore alto: elevada reatividade emocional negativa; associado a maior vulnerabilidade a ansiedade, estresse e sofrimento emocional.
Escore baixo: maior estabilidade emocional frente a estímulos negativos.
Serenidade:
Escore alto: perfil emocional mais regulado, estável e com predominância de afeto positivo calmo.
Escore baixo: menor acesso a estados de tranquilidade emocional.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados de teste-reteste, RCI ou MCID.
Não há evidência empírica direta de sensibilidade à mudança clínica.
O instrumento pode ser reaplicado para monitoramento com cautela, sendo mais indicado como medida de traço do que de estado.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico.
Avalia intensidade emocional, não psicopatologia.
Deve ser sempre integrado a entrevista clínica, observação e outros instrumentos.
Escores elevados refletem estilo emocional, não necessariamente disfunção.
6. Sugestões para análise clínica:
Intensidade Negativa elevada: pode orientar intervenções focadas em regulação emocional, manejo de ansiedade e reestruturação cognitiva.
Alta Intensidade Positiva: relevante para compreensão de impulsividade, expressividade emocional e dinâmica interpessoal.
Baixa Serenidade: pode sinalizar dificuldades de autorregulação e necessidade de estratégias de mindfulness, aceitação e relaxamento.
A BIA pode ser combinada com instrumentos de sintomas (ex.: ansiedade, depressão), medidas de regulação emocional e entrevistas clínicas estruturadas para refinar hipóteses diagnósticas e formulações de caso.
As frases a seguir se referem a reações emocionais diante de eventos típicos da vida. Indique como VOCÊ reagiria a esses eventos atribuindo um número da escala para cada item. [Por favor, baseie suas respostas em como VOCÊ reagiria, não em como você acha que uma pessoa deveria reagir].
Geuens, M., & De Pelsmacker, P. (2002). Developing a short affect intensity scale. Psychological Reports, 91(2), 657–670. https://doi.org/10.2466/pr0.2002.91.2.657