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O Inventário de Sentido do Trabalho (Work and Meaning Inventory - WAMI) foi desenvolvido para mensurar trabalho significativo (meaningful work / sentido do trabalho) como uma experiência subjetiva, positiva e orientada a propósito (ênfase eudaimônica). Avalia os seguintes aspectos: vivência de significado/propósito no trabalho; trabalho como via de construção de sentido/propósito mais amplo e crescimento pessoal e percepção de contribuição do trabalho para algo maior/benefício social.
Tempo médio de aplicação:
5 minutos
População-alvo:
Instrumento voltado a trabalhadores adultos
Usos recomendados:
Pesquisa e diagnóstico organizacional/clima (o artigo brasileiro sugere utilidade para diagnóstico de clima e pesquisa, e alerta para contextos com alto risco de viés de resposta).
Em clínica/saúde mental ocupacional: triagem de recursos/valores no trabalho, formulação de caso (sentido como recurso), e monitoramento (como indicador subjetivo), com ressalva de que não há dados de sensibilidade à mudança nos estudos fornecidos.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 10 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (1 = Totalmente falsa ... 5 = Totalmente verdadeira)
Organização: unidimensional (versão brasileira)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
A versão brasileira do instrumeto encontrou uma estrutura unidimensional, avaliando os seguintes aspectos:
- Avaliação subjetiva de que a carreira/trabalho é significativo, com propósito, valioso e “faz sentido”.
- Trabalho como fonte de crescimento, autocompreensão e construção de sentido mais amplo.
- Percepção de impacto positivo e contribuição social/maior propósito.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Pontos de corte clínico: o estudo não apresenta pontos de corte validados (original e brasileiro).
Recomendação prática clínica: interpretar por mudança intraindivíduo ao longo do tempo, sem rotular categorias diagnósticas.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
RCI/MCID/sensibilidade à mudança: não apresentados nos estudos original e brasileiro.
Reaplicação: viável pela brevidade, mas qualquer inferência de “melhora clínica” deve ser ancorada em: entrevista, mudanças funcionais e medidas adicionais (não há parâmetros de mudança confiável no artigo).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Autorrelato e vieses de resposta: o estudo brasileiro discute vulnerabilidade a desejabilidade social/aquiescência e tendência a respostas positivas em construtos “desejáveis”, sugerindo que isso pode ter reduzido discriminação entre dimensões e afetado thresholds.
Uso em seleção/promoção: o artigo brasileiro não recomenda a versão para processos seletivos/promoção interna ou avaliações que exijam maior controle do escore, justamente por suscetibilidade a vieses.
Generalização: amostra brasileira de conveniência, com concentração regional (Sul/Sudeste) e alta escolaridade; recomenda-se cautela ao generalizar.
6. Sugestões para análise clínica:
Como o WAMI pode ajudar na formulação de caso (exemplos de hipóteses clínicas)
Escore baixo + queixas de exaustão/desânimo: pode indicar que “perda de sentido” funciona como fator de manutenção (reduz motivação e reforça evitamento/apatia), devendo ser explorada a história vocacional, valores, e discrepâncias entre identidade e tarefas.
Escore baixo + baixa autoeficácia ocupacional: no Brasil, WAMI se associa moderadamente à autoeficácia; pode ser útil explorar crenças de competência e contingências no contexto organizacional.
Escore alto + sofrimento: pode sinalizar conflito (ex.: alto propósito, mas condições de trabalho adversas), risco de sobrecarga por hipercompromisso, ou discrepância entre “sentido” e limites/recursos.
Leia cada uma das 10 afirmações a seguir pensando no seu trabalho atual e, para cada item, marque apenas uma alternativa indicando o quanto a frase é verdadeira para você, usando a escala de 1 a 5 (1 = totalmente falsa; 5 = totalmente verdadeira).
Steger, M.F., Dik, B.J., & Duffy, R.D. (2012). Measuring meaningful work: The Work as Meaning Inventory (WAMI). Journal of Career Assessment, 20, 322-337. https://doi.org/10.1177/1069072711436160
Leonardo, M. D. G. L., Pereira, M. M., Valentini, F., de Freitas, C. P. P., & Damásio, B. F. (2019). Adaptação do Inventário de Sentido do Trabalho (WAMI) para o contexto brasileiro. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 20(1), 79-90. https://doi.org/10.26707/1984-7270/2019v20n1p79