Carregando instrumento...
Última atualização:
A Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido (EMSSP / MSPSS) avalia suporte social percebido, isto é, o quanto a pessoa percebe que tem recursos emocionais e de interação social disponíveis em sua rede. O modelo teórico do instrumento é multifonte: o suporte é estimado separadamente para Família, Amigos e Outros significativos (pessoa especial/figura relevante).
Tempo médio de aplicação:
4 minutos
População-alvo:
População geral (Instrumento validado para o Brasil com amostras de universitários, trabalhadores e gestantes)
Usos recomendados:
Triagem de vulnerabilidade psicossocial (p.ex., baixa percepção de apoio).
Formulação de caso: mapeamento de fontes específicas de suporte (família vs amigos vs pessoa especial).
Monitoramento: possível reaplicação para acompanhar flutuações percebidas, com cautela porque a estabilidade item a item foi apenas moderada em 14 dias (construto pode mudar).
Pesquisa: instrumento breve e amplamente utilizado para testar relações entre apoio social e desfechos em saúde mental e física.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 12 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 7 pontos (1 = “discordo muito fortemente” a 7 = “concordo muito fortemente”).
Organização: 3 subsescalas (Suporte percebido de: Amigos, Família e Outros significativos
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Outros significativos (itens 1, 2, 5, 10)
Conteúdo: percepção de existência de “pessoa especial”/figura de proximidade com disponibilidade, conforto, preocupação afetiva e compartilhamento emocional.
Família (itens 3, 4, 8, 11)
Conteúdo: ajuda emocional, disponibilidade, apoio para lidar com problemas, possibilidade de falar de problemas e apoio para decisões.
Amigos (itens 6, 7, 9, 12)
Conteúdo: apoio em adversidades, disponibilidade, compartilhamento emocional e abertura para falar de problemas.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Subescalas: somar ou calcular a média dos 4 itens de cada fator.
Importante: como o estudo não valida cutoffs, recomenda-se interpretar por perfil (comparando fontes entre si) e por mudança intraindivíduo ao longo do tempo, em vez de rotular níveis clínicos.
Outros significativos
Interpretação de escores altos: indica vínculo percebido estável e acessível fora (ou além) de família/amigos; pode refletir relacionamento íntimo, mentor, cuidador, ou outra figura central.
Interpretação de escores baixos: sugere lacuna em figura de apoio “especial”, possível isolamento em vínculos íntimos, ou conflito/instabilidade relacional (hipótese clínica a ser investigada).
Família
Escores altos: percepção de base familiar suportiva (potencial fator protetor em estresse acadêmico, transições, adoecimento).
Escores baixos: hipótese de apoio familiar percebido como insuficiente, distância/ruptura, conflito, ou baixa abertura comunicacional. Clinicamente, pode orientar exploração de história familiar, autonomia, dependência e rede alternativa.
Amigos
Escores altos: indica rede de pares percebida como responsiva, frequentemente relevante em fases de maior individuação.
Escores baixos: pode sinalizar isolamento social, dificuldades de habilidades sociais, baixa integração a grupos, ou contexto ambiental adverso (mudança de cidade, sobrecarga, etc.).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta índices de sensibilidade à mudança (p.ex., RCI/MCID).
Há evidência de estabilidade moderada item a item em 14 dias (kappa ponderado ~0,36–0,52), o que sugere que:
o construto pode flutuar (apoio percebido é sensível a eventos e estados), e/ou
há erro de medida esperado em aplicações consecutivas.
Para monitoramento terapêutico, a reaplicação pode ser útil, mas mudanças pequenas devem ser interpretadas com cautela (preferir tendências e convergência com entrevista e funcionamento).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não usar isoladamente para conclusões diagnósticas: trata-se de medida de recurso psicossocial (fator protetor/risco), não de psicopatologia.
Generalização limitada: a amostra foi de universitários da área da saúde de uma única região; o próprio artigo recomenda novos estudos com outras populações e testes de invariância (sexo/minorias).
Em contexto clínico, é essencial integrar com entrevista, dados de contexto (moradia, rede real vs percebida, eventos recentes), e eventualmente instrumentos complementares de sintomas/funcionamento.
6. Sugestões para análise clínica:
Perfil multifonte (principal ganho clínico):
Discrepância Família baixa / Amigos alta pode sugerir reorganização de apego e suporte por pares (ou afastamento familiar) — relevante em transições (universidade, emancipação).
Amigos baixos com Família alta pode sugerir suporte primário familiar, mas baixa integração social/pertencimento no grupo de pares.
Outros significativos muito baixo pode apontar ausência de figura íntima/central percebida; útil para explorar solidão, padrões de vínculo e suporte específico em crises.
Formulação de caso: escores baixos persistentes podem ser conceituados como fator mantenedor de estresse/ansiedade/depressão (por menor amortecimento), mas isso deve ser testado clinicamente (o estudo original mostrou correlações negativas com sintomas de depressão/ansiedade; no artigo brasileiro, esta evidência convergente específica não foi o foco).
Planejamento terapêutico:
Ampliar suporte pode envolver intervenções em habilidades sociais, ativação comportamental social, psicoeducação familiar, trabalho com rede e plano de crise (quem acionar em cada tipo de necessidade).
A subescala mais baixa pode orientar a prioridade: p.ex., Amigos → intervenções de inserção social; Família → comunicação e limites; Outros significativos → vínculos íntimos/apoio emocional específico.
A seguir, leia cada uma das afirmações e indique o quanto ela é verdadeira para você neste momento; não há respostas certas ou erradas, então responda com sinceridade. Se ficar em dúvida, selecione a opção que mais se aproxima do que você sente, considerando seu apoio percebido de família, amigos e de uma pessoa especial/importante.
Zimet, G. D., Dahlem, N. W., Zimet, S. G., & Farley, G. K. (1988). The multidimensional scale of perceived social support. Journal of personality assessment, 52(1), 30-41. https://doi.org/10.1207/s15327752jpa5201_2
Brugnoli, A. V. M., Gonçalves, T. R., Silva, R. C. D. D., & Pattussi, M. P. (2022). Evidências de validade da Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido (EMSSP) em universitários. Ciência & Saúde Coletiva, 27, 4223-4232. https://doi.org/10.1590/1413-812320222711.08592022
Sousa W. P, S. da., de Oliveira, M. A. M., Lira, E. C. S, Santos, S. C. M., Calvo, B. F., & Maia, E. M. C. (2019). Validez de Contenido de la Versión Brasileña de la Multidimensional Scale of Perceived Social Support (MSPSS). Revista Científica de Psicología Eureka, 16(2),240-265.
https://psicoeureka.com.py/publicacion/16-3/articulo/10
Gabardo-Martins, L. M. D., Ferreira, M. C., & Valentini, F. (2017). Propriedades psicométricas da escala multidimensional de suporte social percebido. Trends in Psychology, 25, 1873-1883. https://doi.org/10.9788/TP2017.4-18Pt