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O Inventário de Obsessões e Compulsões - Revisado (Obsessive-Compulsive Inventory – Revised [OCI-R]) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar a intensidade e o desconforto associados a sintomas obsessivo-compulsivos, com base no modelo dimensional do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Fundamenta-se teoricamente em subtipos sintomatológicos do TOC, visando quantificar seis domínios distintos do transtorno: verificação, lavagem, ordenação, acumulação, obsessões e neutralização. O instrumento é amplamente utilizado tanto para triagem quanto para acompanhamento terapêutico.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 a 10 minutos
População-alvo
Adultos com sintomas de TOC, incluindo populações clínicas e não clínicas
Situações recomendadas para uso
Triagem, diagnóstico diferencial, formulação de caso, planejamento e monitoramento terapêutico, e pesquisa clínica
1. Estrutura do instrumento:
Total de 18 itens
Formato de resposta: escala Likert de 0 (Nem um pouco) a 4 (Extremamente)
Organização em 6 subescalas/fatores, com 3 itens cada
2. Descrição das subescalas:
Verificação (Checking): avalia impulsos repetitivos de verificação para reduzir incerteza ou evitar danos (itens 2, 8, 14)
Lavagem (Washing): mede preocupações com contaminação e compulsões de limpeza (itens 5, 11, 17)
Ordenação (Ordering): investiga a necessidade de simetria ou organização precisa (itens 3, 9, 15)
Acumulação (Hoarding): avalia dificuldades em descartar objetos, mesmo sem valor aparente (itens 1, 7, 13)
Obsessões (Obsessing): foca em pensamentos intrusivos, persistentes e angustiantes (itens 6, 12, 18)
Neutralização (Neutralizing): examina a presença de atos mentais ou comportamentos destinados a anular pensamentos obsessivos (itens 4, 10, 16)
A análise fatorial confirmou essa estrutura de 6 fatores, com cargas elevadas e variância bem distribuída.
OBS: Na validação brasileira do OCI-R, a estrutura fatorial dos itens apresentou diferenças em relação à versão original, com realocação de alguns itens entre subescalas com base nas cargas fatoriais observadas na amostra brasileira.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Cálculo do escore: soma simples dos 18 itens do OCI-R (cada item varia de 0 a 4), resultando em um escore total que pode variar de 0 a 72 pontos.
Estudo brasileiro: O estudo de validação psicométrica da versão brasileira (Souza et al., 2011) não apresenta pontos de corte validados. Os autores reconhecem a necessidade de estudos futuros para definir faixas interpretativas específicas para a população brasileira.
Alguns estudos internacionais (Foa et al., 2002; Huppert et al., 2007; Abramowitz et al., 2006) observaram que pacientes com TOC geralmente apresentam escores médios entre 28 e 33 pontos, enquanto indivíduos sem sintomas clínicos tendem a pontuar abaixo de 15 a 20 pontos. Com base nisso, algumas diretrizes exploratórias têm sido utilizadas para orientar interpretações clínicas dimensionais, especialmente em contextos de triagem ou acompanhamento terapêutico.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O instrumento demonstrou sensibilidade significativa à mudança clínica após 12 sessões de TCC em grupo
Diferença estatística pré/pós-tratamento no escore total do OCI-R (mediana 33,5 → 6,5; p < 0,001)
Correlação com Y-BOCS aumentou após tratamento (r = 0,7), reforçando a responsividade
Pode ser utilizado em monitoramento longitudinal com reaplicações mensais ou conforme o plano terapêutico
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Essas faixas são indicativas e não substituem o julgamento clínico. Devem sempre ser complementadas por entrevista clínica estruturada e avaliação multidimensional, especialmente em contextos diagnósticos.
Pode haver dificuldades de compreensão em pacientes com baixa escolaridade – recomendável supervisão
6. Sugestões para análise clínica:
Escores elevados em Obcessões ou Neutralização sugerem maior impacto cognitivo e emocional
Lavagem e Verificação geralmente vinculam-se a comportamentos ritualísticos mais observáveis
A subescala de Acumulação pode indicar comorbidades específicas ou quadros de difícil adesão
Pode ser combinado com: Y-BOCS (severidade), PHQ-9/GAD7 (comorbidades), DY-BOCS (dimensões)
Útil para identificar domínios prioritários para intervenção (ex.: foco em ERP para subescalas mais elevadas)
As afirmações a seguir referem-se a experiências que muitas pessoas vivenciam diariamente.
Marque analternativa que melhor descreve O QUANTO a experiência descrita tem lhe incomodado ou causado aflição NESTE ÚLTIMO MÊS.
Os números referem-se às seguintes expressões verbais:
0 = Nem um pouco
1 = Um pouco
2 = Moderadamente
3 = Muito
4 = Extremamente
Foa EB, Huppert JD, Leiberg S, Langner R, Kichic R, Hajcak G, Salkovskis PM. The Obsessive-Compulsive Inventory: development and validation of a short version. Psychol Assess. 2002;14(4):485-96.
Huppert, J. D., Walther, M. R., Hajcak, G., Yadin, E., Foa, E. B., Simpson, H. B., & Liebowitz, M. R. (2007). The OCI-R: validation of the subscales in a clinical sample. Journal of anxiety disorders, 21(3), 394–406. https://doi.org/10.1016/j.janxdis.2006.05.006
Souza, F. P., Foa, E. B., Meyer, E., Niederauer, K. G., Raffin, A. L., & Cordioli, A. V. (2008). Obsessive-Compulsive Inventory and Obsessive-Compulsive Inventory-Revised Scales: Translation into Brazilian Portuguese and cross-cultural adaptation. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30(1), 42–46.
Souza, F. P., Foa, E. B., Meyer, E., Niederauer, K. G., & Cordioli, A. V. (2011). Psychometric properties of the Brazilian Portuguese version of the Obsessive-Compulsive Inventory – Revised (OCI-R). Revista Brasileira de Psiquiatria, 33(2), 137–143.
Abramowitz, J. S., & Deacon, B. J. (2006). Psychometric properties and construct validity of the Obsessive-Compulsive Inventory–Revised: Replication and extension with a clinical sample. Journal of Anxiety Disorders, 20(8), 1016–1035.