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A Escala de Dificuldades na Regulação Emocional (DERS) avalia dificuldades na regulação emocional, um construto transdiagnóstico associado a diversos transtornos psiquiátricos (como depressão, ansiedade, transtornos alimentares, uso de substâncias e transtornos de personalidade). O instrumento foi construído com base na conceituação de Gratz & Roemer (2004), que define regulação emocional como um processo multidimensional envolvendo consciência, compreensão, aceitação emocional, controle comportamental sob afeto negativo e acesso a estratégias eficazes de regulação.
Tempo médio de aplicação
10 a 15 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Uso recomendado
Triagem psicológica, formulação de caso, planejamento terapêutico, monitoramento clínico e pesquisa em saúde mental
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 36
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos (de “quase nunca” a “quase sempre”)
Organização em subescalas: 6 fatores (multidimensional)
2. Descrição das subescalas:
2.1. Não aceitação das emoções (Non-Acceptance)
Mede reações negativas às emoções (culpa, vergonha, raiva de sentir)
6 itens - 11, 12, 21, 23, 25, 29
Altos escores indicam dificuldades em aceitar emoções desagradáveis
2.2. Dificuldade em manter metas (Goals)
Avalia prejuízo na concentração e execução de tarefas sob estresse emocional
5 itens - 13, 18, 20, 26, 33
Escores altos apontam para prejuízos funcionais em tarefas do dia a dia
2.3. Impulsividade (Impulse)
Avalia a dificuldade em controlar comportamentos impulsivos durante estados emocionais negativos
6 itens - 3, 14, 19, 24, 27, 32
Escores altos indicam risco aumentado de comportamentos desadaptativos
2.4. Consciência emocional (Awareness)
Reflete a capacidade de perceber e prestar atenção às próprias emoções
5 itens - 2, 6, 8, 10, 17, 34
Escores altos indicam baixa percepção emocional
Escores baixos indicam pouca percepção emocional; subescala mostrou menor correlação com fator geral
2.5. Estratégias (Strategies)
Mede a percepção de ineficácia ou falta de estratégias para regular emoções
8 itens - 15, 16, 22, 28, 30, 31, 35, 36
Escores elevados sugerem desesperança e baixa autoeficácia regulatória
2.6. Clareza emocional (Clarity)
Refere-se à dificuldade em identificar, compreender e nomear o que se sente
5 itens - 1, 4, 5, 7, 9
Escores baixos sugerem confusão emocional e alexitimia
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: Média dos escores brutos (total e por subescala)
3.1. Pontos de corte clínico:
Os estudos brasileiros não apresentam pontos de corte validados, mas no geral, escores mais altos indicam maior dificuldade de desregulação.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Pode ser reaplicado em intervalos mensais ou ao final de ciclos terapêuticos (ex.: 8 a 12 sessões)
A DERS é potencialmente sensível a mudanças terapêuticas, principalmente quando usado em intervenções baseadas em DBT
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico clínico
Requer complementação com entrevista clínica, dados qualitativos e outros instrumentos
A subescala Awareness apresenta menor validade fatorial, podendo ser interpretada com cautela
Pouco adequado para populações com baixa escolaridade (maioria dos participantes tinham ensino superior)
6. Sugestões para análise clínica:
Escores altos em Strategies e Non-Acceptance sugerem vulnerabilidade ao sofrimento emocional mais crônico
Subescalas Strategies e Goals indicam maior prejuízo funcional e podem direcionar metas terapêuticas de ativação comportamental e desenvolvimento de habilidades
Subescalas Impulse e Non-Acceptance podem estar relacionadas a comportamentos de risco, impulsividade ou traços de personalidade borderline
Subescalas Clarity e Awareness estão associadas a baixa inteligência emocional e podem indicar necessidade de treino de reconhecimento emocional
Altos escores em Impulse e Goals podem indicar risco de comportamentos disfuncionais (ex.: automutilação, fuga, evitação)
Clarity e Awareness comprometidas dificultam o trabalho de insight e mentalização
Pode ser integrado ao DASS-21 para entender como desregulação emocional interage com sintomas ansioso-depressivos-estresse (avaliação transdiagnóstica); DERS + ERQ - contraste entre estratégias e dificuldade; DERS + instrumentos de traços de personalidade ou funcionamento interpessoal pode ser útil para investigação clínica
Instrumento útil para identificar alvos terapêuticos em abordagens como DBT, ACT, Terapia Focada nas Emoções ou Terapia do Esquema
Por favor, indique a frequência que as frases a seguir se aplicam a você, selecionando o número apropriado conforme escala abaixo ao lado de cada item.
Quase nunca (0-10%)
Algumas vezes (11-35%)
Cerca de metade do tempo (36-65%)
A maior parte do tempo (66-90%)
Quase sempre (91-100%)
Gratz, K. L., & Roemer, L. (2004). Multidimensional assessment of emotion regulation and dysregulation: Development, factor structure, and initial validation of the Difficulties in Emotion Regulation Scale. Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment, 26(1), 41–54. Springer Nature. https://doi.org/10.1023/B:JOBA.0000007455.08539.94
Cancian, A. C. M., Souza, L. A. S., Silva, V. H. P., Machado, W. L., & Oliveira, M. S. (2019). Psychometric properties of the Brazilian version of the Difficulties in Emotion Regulation Scale (DERS). Trends in Psychiatry and Psychotherapy, 41(1), 18–26. https://doi.org/10.1590/2237-6089-2017-0128
Gross, J. J. (1998). The emerging field of emotion regulation: An integrative review. Review of General Psychology, 2(3), 271–299. https://doi.org/10.1037/1089-2680.2.3.271
Gross, J. J., & Muñoz, R. F. (1995). Emotion regulation and mental health. Clinical Psychology: Science and Practice, 2(2), 151–164. https://doi.org/10.1111/j.1468-2850.1995.tb00036.x
Gratz, K. L., & Tull, M. T. (2023). Acceptance-based emotion regulation therapy: A clinician’s guide to treating emotion dysregulation & self-destructive behaviors using an evidence-based therapy drawn from ACT & DBT. New Harbinger Publications.