Escalas para Imagem Corporal e Alimentação
Confira as escalas padronizadas disponíveis para avaliação de imagem corporal e alimentação. Instrumentos validados com pontuação estruturada para uso clínico.
Escalas Padronizadas
Clinical Impairment Assessment Questionnaire (CIA 3.0)
O Clinical Impairment Assessment Questionnaire (CIA 3.0) é um instrumento de autorrelato composto por 16 itens, desenvolvido para avaliar o grau de comprometimento psicossocial causado por características de transtornos alimentares nos últimos 28 dias. Ele foi desenhado para ser aplicado imediatamente após a avaliação de características atuais de transtornos alimentares (ex.: EDE-Q) para garantir que essas características estejam bem claras na mente do respondente.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos (> 18 anos)
Usos recomendados
Triagem de significância clínica/impacto funcional associado a sintomas de Transtornos Alimentares (complementar ao EDE-Q ou entrevista).
Apoio à decisão de “caso clínico”.
Monitoramento de resposta ao tratamento (sensível à mudança; útil em reavaliações).
Pesquisa/epidemiologia clínica sobre carga funcional dos Transtornos Alimentares (com limitações pela ausência de normas populacionais).
Questionário de Aceitação e Ação da imagem corporal (BI-AAQ)
O Questionário de Aceitação e Ação da imagem corporal (Body Image-Acceptance and Action Questionnaire (BI-AAQ) é um instrumento desenvolvido para avaliar flexibilidade psicológica diante de pensamentos, sentimentos e sensações relacionados ao corpo e à imagem corporal.
A inflexibilidade psicológica da imagem corporal (pontuações mais baixas) refere-se a um padrão de resposta rígida caracterizado por: (a) tentativas persistentes de evitar ou controlar experiências internas desagradáveis relacionadas ao corpo (peso, forma corporal, sensações de "sentir-se gordo"); (b) fusão cognitiva com pensamentos autodepreciativos sobre a aparência; (c) estreitamento comportamental, com prejuízos na capacidade de viver conforme valores importantes em função da preocupação com a imagem corporal.
Por outro lado, a flexibilidade psicológica da imagem corporal (pontuações mais altas após reversão) indica a habilidade de estar presente com experiências corporais desconfortáveis, aceitá-las sem lutar contra elas, e agir de forma consistente com valores pessoais mesmo diante de insatisfação corporal.
O BI-AAQ fundamenta-se teoricamente no modelo de Inflexibilidade Psicológica proposto pela ACT, que postula que o sofrimento psicológico não decorre primariamente da presença de conteúdos internos negativos (ex.: insatisfação corporal), mas sim da relação inflexível que o indivíduo estabelece com esses conteúdos. Estudos empíricos demonstram que a inflexibilidade da imagem corporal atua como mecanismo de vulnerabilidade e manutenção de transtornos alimentares, compulsão alimentar, busca patológica pela magreza e autocrítica.
Tempo médio de aplicação
3 a 5 minutos
População-alvo
Mulheres adultas (> 18 anos)
Usos recomendados
Avaliação de processos transdiagnósticos envolvidos em comportamentos alimentares alvos;
Triagem de risco para transtornos alimentares;
Formulação de caso em TCC/ACT;
Monitoramento de mudança clínica em intervenções voltadas à imagem corporal.
Questionário de Aceitação e Ação do Craving por Comida (Food Craving Acceptance and Action Questionnaire) (FAAQ)
O Questionário de Aceitação e Ação do Craving por Comida (FAAQ - Food Craving Acceptance and Action Questionnaire) avalia flexibilidade psicológica frente a experiências internas relacionadas à alimentação, especificamente, aceitação de pensamentos/sentimentos e impulsos alimentares e a disposição (willingness) para manter comportamentos alimentares saudáveis mesmo na presença desses eventos privados, em linha com o modelo da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).
Tipo de aplicação:
Instrumento autoaplicável
Tempo médio de aplicação:
5 a 8 minutos
População-alvo:
Adultos
Usos recomendados:
Triagem e formulação de caso em problemas alimentares, monitoramento da flexibilidade psicológica em intervenções de controle de peso/TCC-3ª onda, e pesquisa clínica.
Questionário de Fusão Cognitiva relacionada à Imagem Corporal (CFQ-BI)
O Questionário de Fusão Cognitiva relacionada à Imagem Corporal (CFQ-BI) avalia o nível de fusão cognitiva especificamente relacionado à imagem corporal, isto é, o grau em que pensamentos sobre corpo, forma e aparência são tomados como verdades literais, rígidas e dominantes no comportamento. Fundamenta-se no modelo de Inflexibilidade Psicológica da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), no qual a fusão cognitiva é entendida como um dos principais mecanismos transdiagnósticos presentes em psicopatologias, especialmente nos transtornos alimentares, compulsão alimentar, perfeccionismo corporal e comportamentos disfuncionais relacionados ao corpo.
Tempo médio de aplicação
3 a 5 minutos
População-alvo
Mulhres adultas (> 18 anos)
Usos recomendados
Clinicamente, o CFQ-BI contribui para:
Triagem de risco para transtornos alimentares;
Formulação de caso com foco em processos (ACT);
Monitoramento de processos associados a distorções da imagem corporal;
Avaliação de mecanismos que mantêm restrição alimentar, compulsão e purgação;
Apoio a intervenções focadas em desfusão cognitiva e flexibilização comportamental.
Sick Control One Stone Fat Food Questionnaire (SCOFF)
O questionário SCOFF (Sick Control One Stone Fat Food Questionnaire) foi desenvolvido para identificar possíveis transtornos alimentares, utilizando um acrônimo que representa suas cinco perguntas principais: Sick, Control, One stone, Fat, Food, com foco em detecção precoce/triagem para acelerar encaminhamento e avaliação diagnóstica. Construto avaliado: sinais nucleares de TA por itens dicotômicos ligados a: vômito autoinduzido quando muito cheio, perda de controle alimentar, perda ponderal rápida, distorção/insatisfação corporal (“sentir-se gordo apesar de magro”) e centralidade da comida na vida.
Tempo médio de aplicação
3 minutos
População-alvo
Adultos (> 18 anos)
Usos recomendados
Triagem em contextos clínicos e de saúde (p.ex., ambulatórios, atenção primária, saúde universitária) para identificar quem precisa de anamnese ampliada e/ou avaliação especializada.
URICA para Hábitos Alimentares (University of Rhode Island Change Assessment) (URICA)
A URICA para Hábitos Alimentares (University of Rhode Island Change Assessment) objetiva identificar em que estágio de motivação o indivíduo se encontra em relação à mudança de hábitos alimentares, para apoiar a escolha de estratégias terapêuticas mais adequadas e o monitoramento da motivação ao longo do tratamento. O instrumento é fundamentado no Modelo Transteórico (TTM, Prochaska & DiClemente, 1983), que concebe a mudança comportamental como um processo dinâmico e temporal, dividido em estágios sequenciais (Pré-contemplação; Contemplação; Ação e Manutenção).
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
Público-alvo
Mulheres adultas em tratamento para transtornos relacionados a hábitos alimentares.
Usos recomendados
Triagem motivacional em serviços de redução de peso e reeducação alimentar;
Apoio à formulação de caso em obesidade e transtornos relacionados a hábitos alimentares;
Planejamento terapêutico centrado em estágio de mudança (e.g., foco em aumento de consciência em Pré-contemplação, trabalho de ambivalência em Contemplação, suporte comportamental em Ação/Manutenção);
Pesquisa clínica sobre motivação e adesão em intervenções de mudança de hábitos alimentares.
Além das escalas padronizadas, existem outros tipos de instrumentos para imagem corporal e alimentação, como entrevistas clínicas e registros de automonitoramento.
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