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A Escala de Avaliação do Relacionamento (EAR) é um instrumento breve de autorrelato desenvolvido para avaliar o nível global de satisfação em relacionamentos íntimos. Seu objetivo é captar, de forma sintética, como a pessoa percebe a qualidade do seu relacionamento atual, considerando aspectos como satisfação geral, atendimento de necessidades, expectativas, vínculo afetivo e presença de problemas.
A EAR foi concebida para ser aplicável a diferentes tipos de relacionamento amoroso, não se restringindo ao casamento formal, podendo ser utilizada com pessoas em namoro, união estável ou outras configurações relacionais. Trata-se de uma medida unidimensional, ou seja, os itens avaliam conjuntamente um único construto: a satisfação global com o relacionamento.
Tempo médio de aplicação:
3 a 5 minutos
População-alvo:
Adultos em relacionamentos amorosos (casados, união estável, namoro/noivado; aplicável a diferentes arranjos relacionais).
Usos recomendados:
Triagem rápida de satisfação/sofrimento relacional;
Monitoramento de progresso em psicoterapia individual ou de casal;
Medida de desfecho em intervenções breves (sempre em conjunto com entrevista clínica e outros indicadores).
A proposta original enfatiza utilidade como estimativa “de base” (“ballpark estimate”) e aplicabilidade ampla.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 7 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de cinco pontos (variando conforme itens)
Organização: Unidimensional
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
O construto é unidimensional e engloba os seguintes aspectos relacionais:
Atendimento de necessidades pelo parceiro;
Satisfação geral com o relacionamento;
Avaliação comparativa/benchmark social;
Arrependimento/evitação;
Discrepância expectativa–realidade;
Componente afetivo/amor;
Carga de problemas/conflitos.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo brasileiro não apresenta pontos de corte validados para a EAR.
Escore alto (após inversão dos itens 4 e 7): maior satisfação global, maior alinhamento entre necessidades/expectativas e experiência atual; menor presença de arrependimento e menor saliência de problemas. Coerente com forte associação com satisfação diádica e ajustamento conjugal na EAD.
Escore baixo: maior probabilidade de sofrimento relacional e/ou risco de instabilidade, especialmente se acompanhado de altos níveis de “problemas” (item 7) e arrependimento (item 4) antes da inversão.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo brasileiro não apresenta dados de sensibilidade à mudança, RCI ou MCID.
Ainda assim, pela brevidade e boa consistência interna (α=0,87–0,89), a EAR é pragmaticamente adequada para monitoramento seriado, desde que a interpretação seja clínica e contextual (mudanças pequenas podem refletir flutuações situacionais; ideal combinar com indicadores de conflito, violência, saúde mental, uso de substâncias e eventos de vida).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser usada isoladamente para decisões diagnósticas ou conclusões sobre “qualidade” do relacionamento; é um autorrelato global e pode ser influenciado por contexto agudo (p.ex., conflito recente, idealização, medo de exposição).
No estudo brasileiro, as amostras são de conveniência e não probabilísticas, limitando generalizações normativas amplas.
A própria lógica do instrumento é ser “curto e genérico”; quando for necessária uma avaliação detalhada (p.ex., padrões de comunicação, violência, sexualidade, coparentalidade), é indicado usar medidas mais abrangentes e entrevista clínica estruturada/semiestruturada.
6. Sugestões para análise clínica:
Triagem: escores baixos ou queda acentuada ao longo do tempo → aprofundar em (a) conflitos recorrentes (item 7), (b) arrependimento/ambivalência (item 4), (c) discrepância de expectativas (item 5), (d) necessidades não atendidas (item 1).
Formulação de caso:
Perfil com baixo item 1 + item 5 sugere foco em necessidades, acordos e expectativas (contratos, alinhamento de objetivos).
Baixo item 6 com altos problemas sugere investigar distanciamento afetivo, possíveis sintomas depressivos/ansiosos e padrões de evitação/hostilidade.
Monitoramento: aplicar em intervalos regulares (ex.: a cada 4–8 sessões) como “termômetro” de satisfação, e correlacionar com eventos críticos e intervenções realizadas.
A seguir estão algumas perguntas sobre como você percebe seu relacionamento atual. Leia cada pergunta com atenção e marque a alternativa que melhor representa sua experiência.
Hendrick, S. S. (1988). A generic measure of relationship satisfaction. Journal of Marriage and the Family, 50, 93-98. https://doi.org/10.2307/352430
Hernandez, J. A. E. (2014). Evidências de validade da Escala de Avaliação do Relacionamento. Estudos de Psicologia (Campinas), 31, 327-336. https://doi.org/10.1590/0103-166X2014000300001