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O instrumento é uma entrevista clínica estruturada destinada a identificar sintomas relacionados ao Transtorno do Pânico (TP), considerando três possíveis outros diagnósticos diferenciais e/ou comórbidos, ou até mesmo para descartá-los quando é o caso: Transtorno de Ansiedade Social (TAS), Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e Agorafobia. Fundamenta-se nos critérios diagnósticos do DSM-5-TR (APA, 2023) para avaliar a presença, frequência e impacto funcional desses transtornos. O objetivo clínico é apoiar triagens diagnósticas, formulações de caso e o planejamento de intervenções terapêuticas baseadas em modelos cognitivo-comportamentais (Hofmann, 2022).
O Transtorno do Pânico (TP) é caracterizado por ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhados de preocupações persistentes sobre a ocorrência de novos ataques ou de mudanças comportamentais desadaptativas associadas, como evitação de situações. Esses ataques envolvem súbitos episódios de medo ou desconforto intenso, geralmente atingindo o pico em minutos, com sintomas como palpitações, sudorese, tremores e sensação de falta de ar (APA, 2023; NIMH, n.d.). O instrumento avalia a frequência, intensidade e impacto funcional desses episódios.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 20 a 30 minutos, dependendo da complexidade das respostas do paciente.
População-alvo
Adolescentes e adultos (não especificado no manual, mas compatível com os transtornos avaliados segundo APA, 2023).
Usos recomendados
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico diferencial, planejamento terapêutico, monitoramento de evolução clínica, e pesquisa em saúde mental.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 14 questões principais.
Tipo de resposta: Resposta aberta qualitativa, com foco em frequência, intensidade, contexto e impacto funcional.
1.1. Organização da entrevista por domínios:
Transtorno do Pânico (Itens 1 a 6)
Transtorno de Ansiedade Social (Itens 7 a 9)
Agorafobia (Itens 10 a 13)
Transtorno de Ansiedade Generalizada (Item 14)
2. Descrição das dimensões ou fatores:
Transtorno do Pânico (Itens 1 a 6): Avalia a presença de ataques de pânico, sintomas físicos associados e preocupações antecipatórias. Baseia-se nos critérios de ataques de pânico inesperados descritos no DSM-5-TR (APA, 2023).
Transtorno de Ansiedade Social (Itens 7 a 9): Investiga medos de avaliação negativa e desconforto em situações sociais, característicos do TAS segundo Hofmann (2021) e Schneier (2021).
Agorafobia (Itens 10 a 13): Avalia o medo de lugares ou situações onde escapar pode ser difícil ou a ajuda indisponível, associado a ataques de pânico, conforme DSM-5-TR (APA, 2023).
Transtorno de Ansiedade Generalizada (Item 14): Investiga preocupações excessivas e incontroláveis com múltiplos domínios da vida, núcleo do TAG (Pestrini et al., 2024).
3. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não recomendado o uso isolado; deve ser sempre complementado por entrevista clínica, histórico detalhado e, idealmente, por outros instrumentos padronizados (Grant et al., 2005; Kessler et al., 2005).
O julgamento e análise clínica é importante para diagnósticos mais eficazes.
Recomenda-se avaliações complementares e funcionais do impacto dos sintomas, história de desenvolvimento, contexto cultural e fatores de comorbidade devem ser considerados.
4. Sugestões para análise clínica integrada:
Formulações de caso: Identificar padrões de ansiedade situacional (pânico, social, generalizada ou agorafóbica) para estruturar hipóteses diagnósticas.
4.1. Sugestões de intervenções possíveis para cada domínio:
TP: Estratégias de exposição interoceptiva e manejo de sintomas físicos.
TAS: Treinamento de habilidades sociais, reestruturação cognitiva (Hofmann, 2022).
Agorafobia: Exposição gradual in vivo.
TAG: Técnicas de aceitação, mindfulness e resolução de problemas (Pestrini et al., 2024).
OBS: No contexto clínico, o TP deve ser entendido como uma condição de sensibilidade elevada à ansiedade, no qual os ataques de pânico inesperados geram um ciclo de medo condicionado — medo de sentir medo — levando a mudanças comportamentais como evitação e hiper-vigilância a sintomas físicos (Craske & Barlow, 2007; Roy-Byrne et al., 2006). A avaliação sistemática dos episódios, do grau de preocupação antecipatória e das alterações comportamentais (por exemplo, evitamento de locais públicos) é essencial para diferenciar TP de outros transtornos ansiosos, como Agorafobia sem histórico de pânico (APA, 2023). Identificar esses padrões é fundamental para estruturar intervenções cognitivas e de exposição graduada, comprovadamente eficazes (Stein & Sareen, 2015).
Construída e desenvolvida por Júlio Cézar Gonçalves do Pinho (CRP-12/17614).
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