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A Entrevista para Transtorno de Ansiedade Social é uma ferramenta de avaliação qualitativa da manifestação de sintomas relacionados ao Transtorno de Ansiedade Social e também utilizada para avaliar a gravidade em adultos ou adolescentes. Este instrumento foca em compreender as experiências do paciente em situações sociais, as reações emocionais e físicas que ocorrem e o impacto que esses sintomas têm na vida diária, fundamentando-se nos critérios diagnósticos descritos no DSM-5 e nas principais manifestações clínicas observadas na prática (Schneier, 2021; Stein et al., 2021).
O Transtorno de Ansiedade Social (DSM-5, APA, 2013) é caracterizado por medo acentuado de situações sociais nas quais o indivíduo possa ser exposto a possíveis situações de avaliação negativa dos outros, com medo de agir de maneira humilhante ou ser rejeitado. Ao avaliar, é necessário considerar e capturar, de maneira estruturada, informações sobre:
Sintomas físicos e emocionais;
Comportamentos de evitação;
Impacto funcional (trabalho, estudo, relações sociais);
Histórico de desenvolvimento e fatores precipitantes;
Estratégias de enfrentamento e busca de tratamento.
Tempo médio de aplicação
15–30 minutos
População-alvo
Adolescentes e adultos (a partir de 13 anos), conforme prevalência descrita em Grant et al. (2005), que destaca início típico na adolescência.
Usos recomendados:
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TAS, formulação de caso, acompanhamento qualitativo de progresso terapêutico.
**Instrumento aplicado pelo profissional.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 14 perguntas abertas.
Tipo de resposta: Descritiva, aberta (não estruturada, baseada em narrativa pessoal).
2. Descrição das áreas avaliadas:
A entrevista explora as seguintes dimensões clínicas:
Sintomas físicos de ansiedade (item 2).
Situações específicas que geram ansiedade (item 3).
Comportamentos de esquiva (item 4).
Impacto funcional no trabalho, estudo e relações pessoais (itens 5 e 6).
Histórico e desenvolvimento da ansiedade social (itens 7 e 8).
Medos específicos em situações sociais (item 9).
Preocupação com julgamento social (item 10).
Estratégias de enfrentamento (item 11).
Histórico de tratamento (item 12).
Autoimagem social (item 13).
Preocupação com críticas e rejeição (item 14).
3. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico.
Risco de viés interpretativo sem triangulação com entrevista clínica estruturada, inventários validados ou avaliação comportamental.
Deve ser sempre complementado por dados qualitativos adicionais e observação clínica.
4. Sugestões para análise clínica:
Pode orientar a formulação de hipóteses clínicas sobre os principais medos sociais, padrões de esquiva e impacto funcional.
As respostas podem guiar a escolha de intervenções (ex.: foco em treinamento de habilidades sociais, exposição gradual, reestruturação cognitiva).
Itens sobre impacto em relações pessoais e autoimagem podem indicar áreas prioritárias para intervenção psicoterapêutica.
A partir das respostas às perguntas 3, 4 e 9, elaborar hierarquias de exposição graduada, priorizando situações específicas evitadas ou temidas (ex.: falar em público, reuniões sociais).
Analisar respostas às perguntas 9, 10 e 13 para identificar padrões cognitivos (ex.: “Vou ser julgado como incompetente”, “As pessoas vão me rejeitar”), essenciais para intervenção em reestruturação cognitiva.
Usar as informações das perguntas 4 e 11 para diferenciar evitação ativa e estratégias de segurança (ex.: evitar contato visual, permanecer em silêncio), abordando isso em intervenções comportamentais.
As respostas às perguntas 5 e 6 ajudam a identificar áreas de prejuízo funcional prioritárias (vida acadêmica, profissional, relações íntimas), orientando metas terapêuticas mais específicas e constextualizadas.
Explorar as motivações e dificuldades relatadas para construir metas baseadas em valores, facilitando a adesão ao plano de exposição e a reconstrução de habilidades sociais.
Construída e desenvolvida por Júlio Cézar Gonçalves do Pinho (CRP-12/17614).
American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). https://doi.org/10.1176/appi.books.9780890425596
Grant, B. F., Hasin, D. S., Blanco, C., Stinson, F. S., Chou, S. P., Goldstein, R. B., ... & Huang, B. (2005). The epidemiology of social anxiety disorder in the United States: Results from the National Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions. The Journal of Clinical Psychiatry, 66(11), 1351–1361. https://doi.org/10.4088/JCP.v66n1102
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