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Objetivo clínico do instrumento
Acompanhar, no contexto real do(a) paciente, a prática de técnicas de relaxamento (com foco em respiração diafragmática/respiração lenta) e suas repercussões na ansiedade, tensão corporal e funcionamento diário, para subsidiar formulações de caso e intervenções em TCC/AC. Evidências nacionais e manuais de TCC descrevem a respiração diafragmática e o relaxamento como estratégias de manejo fisiológico da ansiedade e componentes de planos terapêuticos na APS e ambulatórios especializados.
Público-alvo:
Adultos e adolescentes em psicoterapia cognitivo-comportamental com queixas de ansiedade, estresse, pânico, insônia ou somatizações leves/moderadas; aplicável em atenção primária e serviços ambulatoriais.
Finalidade:
Monitorar intensidade subjetiva de ansiedade/tensão, contexto, gatilhos e efeitos percebidos após a prática, além de frequência e qualidade da execução (aderência/tempo/ritmo), permitindo avaliar dose-resposta e ajustar o plano terapêutico. (Base conceitual de registrar “antes/depois” e duração inspirada no recurso anexo, adaptada e expandida para múltiplas dimensões.)
Fenômeno psicológico avaliado:
Autorregulação emocional por vias fisiológicas (ativação parassimpática/queda da hiperexcitação), ansiedade subjetiva, padrões situacionais e comportamentais associados. Revisões brasileiras e diretrizes clínicas descrevem a técnica como redutora de excitação autonômica e útil em planos de cuidado para ansiedade.
Como será usado pelo paciente:
Poderá ser breve e e o tempo pode variar de 3 a 5 minutos; os momentos podem ser combinados (1 ou mais vezes ao dia + após eventos estressantes, ou em dias específicos); será registrado: intensidade antes/depois (0-10), técnica utilizada, tempo de prática, contexto/ gatilhos e efeitos percebidos. (A estrutura “antes/depois” e “tempo” é sustentada pelo objetivo de verificar efeito imediato da prática.)
Principais usos clínicos e contextuais
Psicoeducação e treino de habilidades (TCC/Protocolo Unificado) com verificação de prática entre sessões.
Base para discutir barreiras de adesão, aperfeiçoar técnica (p. ex., mão no abdome/peito, ritmo lento), e prevenir “uso de segurança” que interfira em exposição.
Limitações e cuidados específicos
Não substitui avaliação clínica; usar combinado com entrevista e outras medidas.
Atenção a hiperventilação/parestesias em transtorno do pânico: orientar respiração lenta diafragmática e interromper se piorar sintomas.
Em condições respiratórias/cardiopulmonares, seguir orientações de saúde e adaptar ritmo/tempo. (Princípio de segurança geral.)
Formato e aplicação
Este recurso é um diário de automonitoramento composto por oito perguntas principais (escalas lineares de 0 a 10 e campos abertos). A proposta é auxiliar na execução de estratégias de relaxamento, ao mesmo tempo em que estimula e incentiva a auto-observação relacionada ao antes e depois do exercício. A comparação entre o nível de ansiedade antes e depois da prática, somada à duração e à qualidade da técnica, contribui para identificar efeitos imediatos e tendências de progresso.
Como interpretar as respostas
Redução de 2 pontos ou mais na ansiedade após a prática sugere boa resposta à técnica.
Ausência de mudança ou piora dos sintomas indica necessidade de revisar a execução (ritmo respiratório, postura, ambiente).
Qualidade abaixo de 6/10, com pouca melhora, sugere treino adicional ou ajuste das instruções.
Gatilhos repetidos (como ruminação, locais cheios ou tarefas de alta exigência) podem indicar alvos para reestruturação cognitiva ou exposição gradual.
Padrões clínicos a observar
Padrão dose-resposta: quanto maior a duração e consistência da prática, maior costuma ser a redução de ansiedade.
Padrão situacional: em quais lugares ou contextos o relaxamento funciona melhor?
Padrão de barreiras: quando e por que o paciente deixa de praticar (distrações, cansaço, falta de privacidade).
Padrão de segurança: quando o relaxamento é usado para evitar situações temidas. Aqui, o terapeuta deve orientar o uso planejado, sem impedir a exposição.
Mudanças clínicas relevantes
Aumento da frequência e da qualidade da prática → ganho de autoeficácia e autorregulação.
Uso em situações mais desafiadoras → sinal de generalização da habilidade.
Redução sustentada da ansiedade basal → indicativo de melhora global do quadro, especialmente quando combinada a psicoeducação e técnicas cognitivas.
Integração com o plano terapêutico
Este instrumento deve ser usado em conjunto com entrevistas e observações clínicas e, se possível, com instrumentos breves de ansiedade (como GAD-7 ou DASS-21).
Ele complementa o treino de habilidades previsto em protocolos como o Protocolo Unificado (Barlow et al., 2025) e os manuais de TCC (Clark & Beck, 2021), servindo como base para discutir adesão, barreiras e efeitos percebidos da prática.
Cuidados éticos e técnicos
O registro não deve ser usado isoladamente para diagnóstico ou tomada de decisão terapêutica.
Em casos de pânico ou hiperventilação, priorizar respiração lenta e diafragmática, interrompendo se os sintomas piorarem.
Pacientes com doenças respiratórias ou cardíacas devem seguir orientação médica e adaptar o ritmo.
Sugestões de análise clínica
Calcule o “efeito imediato”: diferença entre ansiedade antes e depois da prática.
Observe as dimensões:
Fisiológica: intensidade de ansiedade e sintomas físicos → orienta treino respiratório e relaxamento muscular.
Comportamental: frequência e duração da prática → indica adesão e necessidade de reforço.
Contextual: onde e com quem o paciente pratica → guia ajustes de ambiente e generalização.
Cognitiva: observações sobre pensamentos ou aprendizados → subsidiam reestruturação cognitiva.
Este registro ajuda você a praticar e acompanhar exercícios de respiração e relaxamento no dia a dia:
Antes de praticar, marque seu nível de ansiedade/tensão (0-10);
Anote rapidamente o contexto e possíveis gatilhos;
Pratique o exercício combinado;
Registre o que praticou e por quanto tempo;
Depois, marque novamente sua ansiedade/tensão (0-10) e o que mudou.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Clark, D. A., & Beck, A. T. (2016). Terapia Cognitiva para os Transtornos de Ansiedade: Tratamentos que Funcionam: Guia do Terapeuta. Artmed Editora
Clark, D. A., & Beck, A. T. (2024). Vencendo a ansiedade e a preocupação: com a Terapia Cognitivo-Comportamental. Artmed Editora
Hofmann, S. G. (2022). Lidando com a ansiedade: estratégias de TCC e mindfulness para superar o medo e a preocupação. Artmed Editora
Barlow, D. H., Farchione, T. J., Sauer-Zavala, S., Latin, H. M., Ellard, K. K., Bullis, J. R., ... & Cassiello-Robbins, C. (2025). Protocolo Unificado para Tratamento Transdiagnóstico de Transtornos Emocionais: Guia do Terapeuta. Artmed Editora