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O Questionário de Aceitação e Ação-ll (AAQ-II), versão brasileira, é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar flexibilidade psicológica, conceito central da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Ele operacionaliza a inflexibilidade psicológica/evitação experiencial, entendida como a dificuldade em aceitar pensamentos, emoções e memórias dolorosas, prejudicando a ação guiada por valores. Tem como objetivo clínico avaliar o grau de inflexibilidade psicológica, associado a sofrimento emocional e dificuldades de regulação. Fundamenta-se no modelo de flexibilidade psicológica de Hayes et al. (2006).
Tempo de aplicação:
< 5 minutos
População-alvo:
Adultos em geral; trabalhadores da atenção primária em saúde e pacientes em psicoterapia ou psiquiatria.
Usos recomendados:
Triagem clínica, avaliação de processos em psicoterapia (especialmente ACT e TCC de terceira onda), investigação transdiagnóstica, pesquisa em saúde mental e monitoramento de progresso terapêutico.
1. Estrutura do instrumento:
7 itens, escala Likert de 7 pontos (1 a 7).
Escore total: mínimo 7 e máximo 49 pontos.
Na versão brasileira, escores altos indicam maior flexibilidade psicológica; baixos, maior inflexibilidade/evitação experiencial.
2. Descrição do fator único:
Inflexibilidade psicológica (IP): avalia a tendência a evitar ou tentar controlar pensamentos e sentimentos indesejados, mesmo quando isso compromete ações consistentes com valores pessoais.
Itens: todos os 7 itens
Escores médios brasileiros: M = 32,5; DP = 8,6.
3. Interpretação dos escores:
Escores altos: refletem maior flexibilidade psicológica, aceitação de experiências internas e capacidade de agir de acordo com valores.
Escores baixos: indicam maior inflexibilidade psicológica e evitação experiencial, geralmente associados a maior sofrimento, depressão, ansiedade, estresse e prejuízo de bem-estar.
Possíveis diferenças sociodemográficas: homens pontuaram mais alto (maior flexibilidade) que mulheres; flexibilidade aumenta levemente com a idade.
3.1. Pontuação e cutoffs:
Método de cálculo: soma ou média dos itens (escores possíveis: 7 a 49).
O estudo brasileiro não apresenta pontos de corte clínicos validados.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
É um instrumento sensível à mudança e pode ser usado em monitoramento longitudinal, especialmente em ACT. Frequência de reaplicação: conforme ciclo terapêutico (ex.: a cada 6–8 sessões).
5. Cuidados éticos e limitações:
O AAQ-II não deve ser utilizado isoladamente para diagnósticos.
Resultados precisam ser integrados a entrevista clínica, observação e outros instrumentos (ex.: DASS-21, WHO-5, CompACT).
Limitações apontadas: possível sobreposição dos itens com sintomas de estresse e neuroticismo; ausência de cutoffs validados; necessidade de amostras mais diversas.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores baixos sugerem foco terapêutico em aceitação, desfusão cognitiva e trabalho com valores.
Escores altos indicam maior repertório de enfrentamento flexível, podendo servir como recurso no caso.
Boa associação com medidas de depressão e ansiedade sugere utilidade para triagem transdiagnóstica.
Integração recomendada com: PHQ-9 (depressão), GAD-7 (ansiedade), CD-RISC (resiliência).
A seguir você encontrará uma lista de afirmações. Avalie cada uma delas e marque sua escolha, de acordo com a escala abaixo:
Nunca verdadeiro
Raramente verdadeiro
Poucas vezes verdadeiro
Algumas vezes verdadeiro
Frequentemente verdadeiro
Quase sempre verdadeiro
Sempre verdadeiro
Bond, F.W., Hayes, S.C., Baer, R.A., Carpenter, K.M., Orcutt, H.K., Waltz, T. & Zettle, R.D. (2005). Preliminary psychometric properties of the Acceptance and Action Questionnaire – II: A revised measure of psychological flexibility and acceptance.
Barbosa, L. M., & Murta, S. G. (2015). Propriedades psicométricas iniciais do Acceptance and Action Questionnaire – II – versão brasileira. Psico-USF, 20(1), 75–85.
Berta-Otero, T., Barceló-Soler, A., Montero-Marin, J., Maloney, S., Pérez-Aranda, A., López-Montoyo, A., Salvo, V., Sussumu, M., García-Campayo, J., & Demarzo, M. (2023). Experiential avoidance in primary care providers: Psychometric properties of the Brazilian Acceptance and Action Questionnaire (AAQ-II) and its criterion validity on mood disorder-related psychological distress. International Journal of Environmental Research and Public Health, 20(1), 225.
Cypriano, C. P. (2023). Avaliação psicométrica do questionário de aceitação e ação-II e aferição do impacto do estresse no bem-estar psicológico a partir da inflexibilidade psicológica [Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia]. Repositório UFBA.
Machado, A. B. C., Zancan, R. K., & Oliveira, M. S. (2021). Adaptação do Acceptance and Action Questionnaire for University Students (AAQ-US) para o português brasileiro. Contextos Clínicos, 14(3), 1021–1038.