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O BIS-11 (Barratt Impulsiveness Scale – 11ª edição) é um instrumento de autorrelato que avalia impulsividade como um traço multidimensional, integrando aspectos de tomada de decisão rápida, dificuldade de inibir respostas automáticas e baixa orientação ao futuro. O modelo teórico original (Barratt) postula três componentes principais: Impulsividade Motora, Impulsividade Atencional e Não Planejamento. No Brasil, estudos confirmaram predominantemente uma estrutura de dois fatores: Falta de Controle Inibitório e Falta de Planejamento.
Principais usos clínicos:
Apoio ao diagnóstico diferencial em transtornos por uso de substâncias, TDAH, transtornos de personalidade (ex.: borderline, antissocial), transtorno explosivo intermitente e comportamento suicida.
Monitoramento de mudanças ao longo do tratamento psicoterápico e/ou farmacológico.
Pesquisa em personalidade e impulsividade em populações gerais e clínicas.
Tempo médio de aplicação
10–15 minutos.
População-alvo
Adultos (18–84 anos).
Usos recomendados
Triagem, avaliação diagnóstica, formulação de caso, acompanhamento terapêutico, pesquisa acadêmica.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 30.
Tipo de resposta: Escala Likert de 4 pontos (1=rara/nenhuma frequência, 4=quase sempre).
2. Organização em subescalas:
Modelo Internacional (3 fatores): Atencional, Motor, Não Planejamento.
Modelo Brasileiro validado (2 fatores): Falta de Controle Inibitório e Falta de Planejamento.
2.1. Descrição das subescalas e dimensões:
Falta de Controle Inibitório: Mede a dificuldade de inibir comportamentos automáticos, controlar foco atencional e conter impulsos imediatos. Itens: 2, 3, 5, 6, 8*, 9*, 11, 14, 16, 17, 18, 19, 20*, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 28.
Interpretação: escores altos indicam dificuldade de inibição e maior impulsividade motora e atencional.
Falta de Planejamento: Mede tendência a tomar decisões sem considerar consequências futuras. Itens: 1*, 4, 7*, 10*, 12*, 13*, 27, 30*.
Interpretação: escores altos indicam foco predominante no presente, baixa organização e menor cautela.
OBS: Os itens 15 e 29 do BIS-11 não pertencem a nenhum dos fatores principais porque, nas análises fatoriais feitas no Brasil e em outros países, eles não mostraram correlação forte o bastante com os grupos de itens que definem cada dimensão da impulsividade. Foi identificado que esses dois itens medem preferências cognitivas e interesse por atividades intelectuais, e não impulsividade.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs)
Método de cálculo: soma dos escores, considerando que os itens marcados (*) são invertidos.
Escore Total: 30 a 120.
3.1. Pontos de corte clínico (normatização brasileira):
Escala Total:
Percentil: ≤5 / Escore: ≤45 / Interpretação: Muito Baixo impulso
Percentil: 6-25 / Escore: 46-55 / Interpretação: Baixo impulso
Percentil: 26-74 / Escore: 56-67 / Interpretação: Médio (faixa normativa)
Percentil: 75-94 / Escore: 68-78 / Interpretação: Alto nível de impulsividade
Percentil: ≥95 / Escore: ≥79 / Interpretação: Muito Alto impulso (clínico)
Média (desvio-padrão): 61,92 (10,29)
Intervalo: 30-120
Subescala 1 - Falta de Controle Inibitório:
Percentil: ≤5 / Escore: ≤27 / Interpretação: Muito Baixo (alta capacidade de controle inibitório)
Percentil: 6-25 / Escore: 28-33 / Interpretação: Baixo
Percentil: 26-74 / Escore: 34-42 / Interpretação: Médio
Percentil: 75-94 / Escore: 43-49 / Interpretação: Alto
Percentil: ≥95 / Escore: ≥50 / Interpretação: Muito Alto (dificuldades significativas de inibição)
Média (DP): 38,63 (7,79)
Intervalo: 20-80
Subescala 2 - Falta de Planejamento:
Percentil: ≤5 / Escore: ≤11 / Interpretação: Muito Baixo (planejamento elevado)
Percentil: 6-25 / Escore: 12-14 / Interpretação: Baixo
Percentil: 26-74 / Escore: 15-20/ Interpretação: Médio
Percentil: 75-94 / Escore: 21-25 / Interpretação: Alto
Percentil: ≥95 / Escore: ≥26 / Interpretação: Muito Alto (baixo planejamento futuro)
Média (DP): 17,95 (4,10)
Intervalo: 8–32
OBS: Os percentis são os limites estatísticos que mostram a posição relativa na população. Os escores são os números brutos que correspondem a cada faixa percentílica. Para interpretar, você compara o escore total do respondente com esses intervalos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Estudos internacionais indicam sensibilidade a mudanças clínicas em dependência química e TDAH.
Dados de RCI (Reliable Change Index) não apresentados nos estudos brasileiros.
Pode ser reaplicado para monitoramento longitudinal (ex.: cada 3–6 meses).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente como critério diagnóstico.
Pode haver enviesamento por desejabilidade social.
Deve sempre ser complementado por entrevista clínica e outras medidas qualitativas.
6. Sugestões para análise clínica:
Falta de Controle Inibitório Alto: correlaciona-se com risco aumentado de comportamentos impulsivos imediatos (ex.: agressividade, compulsão).
Falta de Planejamento Alto: sugere foco no presente, maior vulnerabilidade a decisões precipitadas.
Escores muito baixos: podem indicar resposta defensiva ou tendência a controle excessivo.
É possível combinar com outros instrumentos, como ASRS (TDAH), UPPS-P (Impulsividade Multidimensional), PHQ-9 (humor depressivo).
Utilizar resultados para hipóteses de formulação (p. ex., impulsividade como fator de risco transdiagnóstico) e planejamento de intervenções específicas (ex.: treino de habilidades de inibição, psicoeducação sobre tomada de decisão).
As pessoas divergem nas formas em que agem e pensam em diferentes situações. Esta é uma escala para avaliar algumas das maneiras que você age ou pensa. Leia cada afirmação e preencha o círculo apropriado no lado direito da página. Não gaste muito tempo em cada afirmação. Responda de forma rápida e honestamente.
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