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A Escala de Adaptabilidade de Carreira (EAC) é a versão brasileira da Career Adapt-Abilities Scale (CAAS). Avalia adaptabilidade de carreira, definida como prontidão e recursos psicossociais para lidar com tarefas vocacionais, transições ocupacionais e problemas de carreira complexos. O modelo teórico utilizado é o da Teoria da Construção da Carreira, com quatro dimensões: Preocupação, Controle, Curiosidade e Confiança.
Tempo Médio de Aplicação:
7 minutos
População alvo:
Adultos brasileiros em processos de desenvolvimento, escolha, transição ou planejamento de carreira.
Usos recomendados:
A EAC é recomendada para avaliar recursos de adaptabilidade de carreira, ou seja, a forma como a pessoa percebe suas capacidades para lidar com decisões, transições e desafios profissionais.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: escala Likert de cinco pontos, com as seguintes âncoras descritivas: 1 (Desenvolvi pouco ou nada), 2 (Desenvolvi mais ou menos), 3 (Desenvolvi bem), 4 (Desenvolvi muito bem) e 5 (Desenvolvi extremamente bem).
Organização: Quatro dimensões (Preocupação, Controle, Curiosidade e Confiança)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
- Preocupação: Orientação para o futuro, planejamento, antecipação e preparação para escolhas educacionais/profissionais.
- Controle: Responsabilidade pessoal, autonomia decisória, autodireção e postura ativa diante da própria carreira.
- Curiosidade: Exploração de oportunidades, investigação de opções, abertura a experiências e busca de informações sobre si e o mundo ocupacional.
- Confiança: Crença na própria capacidade de realizar tarefas, aprender, superar obstáculos e resolver problemas de carreira.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo não apresenta pontos de corte clínicos validados. Também não apresenta categorias normativas como baixo, moderado ou alto. Assim, a interpretação deve ser dimensional e comparativa, observando padrões intraindividuais entre as quatro subescalas e, com cautela, a proximidade ou distância em relação às médias da amostra universitária brasileira.
Escores mais altos indicam maior percepção de desenvolvimento de recursos para lidar com escolhas, transições e desafios de carreira. Escores mais baixos indicam áreas que podem demandar exploração clínica, orientação profissional ou intervenção focal.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O artigo não informa: RCI (Reliable Change Index); MCID (Minimal Clinically Important Difference); índices de responsividade; dados de teste-reteste; frequência recomendada de reaplicação; pontos de corte para classificar melhora, piora ou mudança clinicamente significativa.
Portanto, para uso clínico ou em orientação profissional, a EAC pode ser reaplicada de forma exploratória para acompanhar mudanças percebidas nos recursos de adaptabilidade de carreira, mas não há, neste artigo, parâmetros validados para afirmar mudança clínica confiável ou clinicamente significativa.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
- A Escala de Adaptabilidade de Carreira (EAC) deve ser utilizada como instrumento de apoio à avaliação e à intervenção em orientação profissional, e não como medida diagnóstica isolada. O artigo indica seu uso em intervenções “de modo experimental e como instrumento de rastreamento”, o que exige cautela na interpretação clínica.
- O estudo brasileiro foi realizado com 990 universitários brasileiros, com média de idade de 25,8 anos. Portanto, a evidência principal de validade se aplica a estudantes universitários, não necessariamente a adolescentes do ensino médio, trabalhadores não universitários, pessoas desempregadas, população clínica ou idosos.
- O estudo apresenta evidências de validade fatorial e consistência interna, mas não apresenta validade convergente, discriminante ou de critério com outros instrumentos psicológicos.
- Os autores observam que os escores tendem a ficar acima do ponto médio da escala, o que pode reduzir a capacidade discriminativa em alguns contextos. Isso recomenda cautela ao interpretar resultados muito altos.
6. Sugestões para análise clínica:
Leitura clínica sugerida por domínio:
Preocupação baixa: pode indicar pouca antecipação do futuro profissional, dificuldade de planejamento ou baixo engajamento com decisões de carreira. Pode orientar intervenções de clarificação de metas, linha do tempo vocacional e planejamento de próximos passos.
Controle baixo: sugere menor senso de agência, dificuldade de assumir responsabilidade pelas escolhas ou tendência à passividade/procrastinação. Pode orientar trabalho com tomada de decisão, autonomia e responsabilização gradual.
Curiosidade baixa: indica exploração restrita de possibilidades, menor busca de informação ou pouco contato com alternativas ocupacionais. Pode orientar tarefas de exploração, entrevistas informativas, pesquisa de cursos/profissões e ampliação de repertório.
Confiança baixa: sugere dúvidas sobre competência para executar planos, superar obstáculos ou resolver problemas. Pode orientar intervenções voltadas a autoeficácia, resolução de problemas, treino de habilidades e construção de experiências de domínio.
Diferentes pessoas usam diferentes pontos fortes para construir suas carreiras. Ninguém é bom em tudo, cada um de nós enfatiza alguns pontos mais do que outros. Por favor, avalie o quanto você desenvolveu cada uma das seguintes habilidades. Por favor, marque a resposta de acordo com o seu momento atual, isto é, de acordo com o modo como você vê, hoje, o quanto desenvolveu cada uma das habilidades a seguir.
Savickas, M. L., & Porfeli, E. J. (2012). The Career Adapt-Abilities Scale: Construction, reliability, and measurement equivalence across 13 countries. Journal of Vocational Behavior, 80, 661-673. https://doi.org/10.1016/j.jvb.2012.01.011
Audibert, A., & Teixeira, M. A. P. (2015). Escala de adaptabilidade de carreira: Evidências de validade em universitários brasileiros. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 16(1), 83-93. https://www.redalyc.org/pdf/2030/203041069009.pdf