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A Escala de Bem-estar Psicológico (EBEP) é um instrumento de autorrelato baseado no modelo eudaimônico de Ryff, criado para avaliar o bem-estar psicológico como um conjunto de recursos e processos positivos do funcionamento humano, e não apenas como ausência de sintomas. Na versão validada no estudo brasileiro (com universitários), o instrumento ficou composto por 36 itens, respondidos em escala Likert de 6 pontos, organizados em seis dimensões: Relações Positivas com Outros, Autonomia, Domínio sobre o Ambiente, Crescimento Pessoal, Propósito na Vida e Autoaceitação. A pontuação é obtida pela soma dos itens de cada subescala (com inversão de itens específicos), priorizando-se uma interpretação dimensionada por domínios (em vez de um único escore global). O estudo sustenta uma estrutura multidimensional com fatores correlacionados e apresenta evidências de consistência interna e validade convergente por associações esperadas com satisfação de vida, afetos e depressão, mas não propõe pontos de corte clínicos, devendo ser usada de forma integrada à entrevista e a outros indicadores no contexto de triagem, psicodiagnóstico, formulação de caso e monitoramento.
Tempo médio de aplicação:
8 minutos
População-alvo:
Adultos
Usos recomendados:
Triagem e avaliação do nível de bem-estar no âmbito psicológico, entendendo-o como construto multidimensional; e avaliação de intervenções que tenham como objetivo desenvolver características relacionadas às seis dimensões do bem-estar psicológico (p. ex., propósito de vida, autoaceitação, domínio do ambiente etc.).
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 36 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 6 pontos (1 = Discordo totalmente a 6 = Concordo totalmente)
Organização: 6 subescalas (Relações Positivas com Outros, Autonomia, Domínio sobre o Ambiente, Crescimento Pessoal, Propósito na Vida e Autoaceitação)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Relações Positivas com Outros: Qualidade de vínculos, intimidade, empatia, capacidade de manter relações calorosas e seguras (dimensão interpessoal do bem-estar).
Autonomia: Autodeterminação, independência e regulação do comportamento por critérios pessoais.
Domínio sobre o Ambiente: Capacidade de manejar demandas, organizar contextos e exercer agência no cotidiano.
Crescimento Pessoal: Percepção de desenvolvimento, abertura a novas experiências e autoaperfeiçoamento.
Propósito na Vida: Sentido, direção e metas; coerência narrativa de vida.
Autoaceitação: Atitude positiva em relação a si, integração de qualidades/limites e aceitação do passado.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Não há pontos de corte validados, os escores devem ser interpretados por subescala (soma dos itens por subescala).
Relações Positivas com Outros:
Escore alto: presença de suporte/reciprocidade, maior integração social, potencial fator de proteção.
Escore baixo: isolamento, conflitos interpessoais, menor suporte percebido (útil para hipóteses sobre esquemas interpessoais, habilidades sociais, evitação e/ou vulnerabilidades depressivas).
Autonomia:
Escore alto: maior autogoverno, menor dependência de aprovação externa.
Escore baixo: maior heteronomia, vulnerabilidade a pressão social, indecisão (pode orientar intervenções em assertividade, valores e tomada de decisão.
Domínio sobre o Ambiente:
Escore alto: maior senso de eficácia e manejo de responsabilidades.
Escore baixo: sobrecarga, desorganização, impotência aprendida (pode sinalizar foco para planejamento, solução de problemas, habilidades de enfrentamento e avaliação de funcionamento).
Crescimento Pessoal:
Escore alto: engajamento em aprendizado/mudança, flexibilidade psicológica como recurso.
Escore baixo: estagnação, rigidez, desânimo com projetos formativos (útil para formulações em transições de vida e intervenção baseada em valores/metas.
Propósito na Vida:
Escore alto: maior orientação a metas e sentido percebido.
Escore baixo: vazio existencial, desorientação, perda de sentido (clinicamente relevante em depressão, luto, crises identitárias e prevenção de recaídas (ex.: construção de projetos)).
Autoaceitação:
Escore alto: autoimagem mais integrada e compassiva.
Escore baixo: autocrítica elevada, vergonha, insatisfação com o self (pode direcionar intervenções em autocompaixão, reestruturação de crenças centrais e trabalho com história de vida).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Não são apresentados teste–reteste, dados longitudinais, tamanhos de efeito pré–pós, erro padrão de medida (SEM), RCI (Reliable Change Index), MCID, nem qualquer critério para interpretar mudança individual clinicamente significativa ao longo do tempo.
Em termos práticos, o máximo que o estudo sustenta é que a EBEP pode ser “útil na avaliação de intervenções” como intenção de uso, mas sem evidência empírica de responsividade apresentada aqui.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Sem cutoffs: a EBEP não deve ser usada isoladamente para “classificar” presença/ausência de bem-estar clínico; é instrumento dimensional.
Generalização: evidência apresentada é em universitários do Rio Grande do Sul; recomenda-se cautela para outras populações/realidades clínicas até novas validações.
Escore global: o próprio artigo recomenda interpretar o escore total com cautela, respeitando as dimensões.
6. Sugestões para análise clínica:
Para psicodiagnóstico/formulação de caso, recomenda-se integrar escores com entrevista clínica, história de vida, funcionamento e instrumentos complementares (p.ex., medidas de sintomas e funcionamento), especialmente porque o estudo mostra relação, mas não equivalência, com depressão e afetos.
As questões a seguir se referem à maneira como você lida consigo mesmo e com sua vida. Lmebre-se, não há respostas certas ou erradas, apenas marque a alternativa que melhor descreve como você se sente, no momento, em relação a cada fase.
Ryff, C. D. & Keyes, C. L. (1995). The Structure of Psychological Well-Being Revisited. Journal of Personality and Social Psychology, 69(4), 719-727. https://doi.org/10.1037/0022-3514.69.4.719
Machado, W. L., Bandeira, D. R., & Pawlowski, J. (2013). Validação da Psychological Well-being Scale em uma amostra de estudantes universitários. Avaliação Psicológica, 12(2), 263-272. https://www.redalyc.org/pdf/3350/335027505017.pdf