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O instrumento "Marcadores Reduzidos da Personalidade" é uma versão reduzida de marcadores para avaliação da personalidade no modelo dos Cinco Grandes Fatores (CGF), composta por adjetivos descritivos de traços de personalidade. Avalia cinco dimensões amplas: Extroversão, Socialização, Conscienciosidade, Neuroticismo e Abertura. Sua fundamentação teórica deriva da hipótese léxica e do modelo dos Cinco Grandes Fatores, segundo o qual diferenças individuais relevantes tendem a estar codificadas na linguagem cotidiana por meio de descritores de personalidade.
Tempo médio de aplicação:
7 minutos
População-alvo:
Adultos
Usos recomendados:
O instrumento é indicado principalmente para triagens psicológicas, avaliações breves e pesquisas em personalidade em que seja necessário obter rapidamente um perfil geral dos Cinco Grandes Fatores
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 25 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos, ancorada em 1 = “Discordo totalmente” e 5 = “Concordo totalmente”.
Organização: 5 fatores (Extroversão, Socialização, Conscienciosidade, Neuroticismo e Abertura)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Extroversão:
Itens/marcadores: Comunicativa, Quieta, Tímida, Desembaraçada, Inibida. Escores mais altos, após tratamento adequado dos itens negativos, indicam maior sociabilidade, assertividade e expressividade social. Escores mais baixos sugerem maior reserva, timidez ou inibição social.
Socialização
Itens/marcadores: Amável, Gentil, Simpática, Bondosa, Compreensiva. Escores altos sugerem maior orientação interpessoal positiva, cooperação e sensibilidade ao outro. Escores baixos podem indicar menor expressão de cordialidade, menor flexibilidade interpessoal ou estilo relacional mais distante.
Conscienciosidade:
Itens/marcadores: Dedicada, Esforçada, Responsável, Organizada, Cuidadosa. A direção negativa reflete a orientação estatística do fator, não necessariamente sentido clínico negativo. Escores altos nos marcadores indicam maior responsabilidade, planejamento e esforço; escores baixos sugerem menor organização, menor persistência ou menor orientação para deveres.
Neuroticismo:
Itens/marcadores: Pessimista, Deprimida, Insegura, Ansiosa, Aborrecida. Escores altos sugerem maior vulnerabilidade emocional, maior presença de afetos negativos e maior propensão a instabilidade emocional. Escores baixos sugerem maior estabilidade emocional relativa. Embora clinicamente relevante para formulação de caso, o fator não deve ser usado isoladamente para inferir transtornos de ansiedade, depressão ou outros diagnósticos.
Abertura:
Itens/marcadores: Criativa, Artística, Filosófica, Aventureira, Audaciosa. Escores altos indicam maior abertura a experiências, criatividade e exploração de possibilidades. Escores baixos podem indicar estilo mais convencional, prático ou menos orientado à novidade. A menor consistência interna dessa subescala exige cautela interpretativa.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
A pontuação pode ser obtida a partir do cálculo da média dos itens de cada fator. A escala de resposta varia de 1 a 5, de modo que cada subescala tende a variar de 1 a 5. Os estudos brasileiros não apresentam pontos de corte validados. Também não apresentam categorias como baixo, médio ou alto, nem normas por sexo, idade, curso, região ou população clínica. Portanto, qualquer interpretação categorial deve ser evitada ou apresentada apenas como hipótese clínica não normativa.
Na prática clínica, recomenda-se interpretar os escores de modo dimensional, observando o perfil relativo entre fatores. Por exemplo, elevação em Neuroticismo combinada a baixa Extroversão pode sugerir maior retraimento associado a afetos negativos; baixa Conscienciosidade pode indicar dificuldades de organização, adesão a metas ou planejamento terapêutico; baixa Socialização pode apontar dificuldades interpessoais ou menor responsividade a estratégias focadas em cooperação e vínculo. Essas interpretações são hipóteses clínicas e devem ser integradas a entrevista, observação, história de vida e outros instrumentos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Também não apresenta RCI, MCID, estabilidade teste-reteste ou recomendações de frequência de reaplicação. Assim, embora a medida possa ser reaplicada em pesquisas ou acompanhamentos exploratórios, o artigo não fornece evidência suficiente para afirmar que o instrumento detecta mudança clínica confiável ao longo do tempo.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O instrumento não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico psicológico, decisão clínica conclusiva ou classificação de personalidade. O estudo foi realizado com universitários do Rio Grande do Sul, por amostra de conveniência, sem amostra clínica e sem normatização ampla. Não foram testadas validade convergente com outros instrumentos nacionais dos CGF, validade de critério, estabilidade temporal ou estrutura fatorial confirmatória. Os próprios autores recomendam estudos futuros com amostras ampliadas, análises confirmatórias, investigação de validade convergente e avaliação de critérios externos.
O instrumento reduzido não pretende substituir medidas compreensivas de personalidade, como BFP, NEO-PI-R ou escalas fatoriais específicas, mas funcionar como medida breve em condições específicas de avaliação.
6. Sugestões para análise clínica:
Em triagem e formulação de caso, o instrumento pode auxiliar na descrição breve de tendências de personalidade relevantes ao funcionamento psicológico. Neuroticismo pode ser integrado a indicadores de sofrimento emocional, regulação afetiva e vulnerabilidade ao estresse. Extroversão pode orientar hipóteses sobre busca de apoio social, assertividade e padrões de evitação interpessoal. Conscienciosidade pode informar adesão ao tratamento, planejamento, rotina e execução de tarefas terapêuticas. Socialização pode contribuir para compreensão de empatia, cooperação, estilo de vínculo e manejo de conflitos. Abertura pode auxiliar na estimativa de flexibilidade cognitiva, criatividade e receptividade a intervenções reflexivas ou experienciais.
Para uso clínico responsável, recomenda-se combinar os marcadores reduzidos com entrevista clínica, instrumentos específicos de sintomas, medidas de funcionamento, histórico psicossocial e observação qualitativa. Quando houver necessidade de avaliação abrangente da personalidade, o artigo sugere que instrumentos mais completos continuam sendo preferíveis.
A seguir, você encontrará uma lista de características pessoais. Leia cada palavra com atenção e indique o quanto ela descreve você, considerando como você costuma ser na maior parte das situações. Para responder, complete mentalmente a frase “Eu sou uma pessoa...” antes de cada característica e marque a opção que melhor representa seu grau de concordância. Não existem respostas certas ou erradas; responda de forma sincera, de acordo com sua percepção sobre si mesmo.
Hutz, C. S., Nunes, C. H., Silveira, A. D., Serra, J., Anton, M., & Wieczorek, L. S. (1998). The development of the big five markers for personality assessment in Brazil. Psicologia: Reflexão e Crítica, 11, 395-411. https://doi.org/10.1590/S0102-79721998000200015
Hauck Filho, N., Machado, W. D. L., Teixeira, M. A. P., & Bandeira, D. R. (2012). Evidências de validade de marcadores reduzidos para a avaliação da personalidade no modelo dos cinco grandes fatores. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 28(4), 417-423.https://doi.org/10.1590/S0102-37722012000400007