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Objetivo clínico
A Versão EMA da Escala de Autocompaixão (EMA-A) avalia as flutuações diárias na forma como o indivíduo trata a si mesmo diante de dificuldades, falhas ou sofrimento. O instrumento foca na capacidade de autorregulação e na presença de padrões de autocrítica ou isolamento em tempo real (ou quase real). Fundamenta-se na Terapia Focada na Compaixão (CFT) e na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), permitindo identificar processos de inflexibilidade psicológica no cotidiano.
Nota importante: A escala original (SCS) é uma medida retrospectiva padronizada; esta versão EMA é uma medida idiográfica de alta validade ecológica, ideal para capturar a variabilidade intraindividual, mas ainda não possui validação psicométrica independente.
Utilização prática
Tempo médio de preenchimento: Inferior a 2 minutos.
População-alvo: Adultos em processo psicoterapêutico, especialmente aqueles com altos níveis de autocrítica, depressão, ansiedade ou transtornos de personalidade.
Situações recomendadas: Monitoramento de progresso terapêutico, identificação de gatilhos para autodepreciação e fortalecimento de habilidades de autocompaixão em intervenções baseadas em mindfulness.
Validade psicométrica - EMA
A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
Estrutura do instrumento EMA
Total de itens: 6 itens de processo + 2 itens contextuais.
Tipo de resposta: Escala linear de 0 a 10 (0 = "Discordo totalmente / Nada"; 10 = "Concordo totalmente / Muito").
Organização: Dividida em Polos Positivos (Autobondade, Humanidade Comum, Atenção Plena) e Polos Negativos (Autojulgamento, Isolamento, Hiperidentificação).
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje até agora".
Frequência: Diária
Usos recomendados (versão EMA)
Monitoramento longitudinal da autocrítica vs. autobondade.
Apoio à formulação de caso (ex.: entender se o isolamento social aumenta após uma falha percebida).
Planejamento de intervenções de "pausa autocompassiva" em dias de maior vulnerabilidade.
Complementação da medida SCS original (aplicada, por exemplo, mensalmente).
Estrutura do instrumento (EMA)
O instrumento é composto por 6 itens principais que refletem as três dimensões da autocompaixão em seus polos adaptativos e desadaptativos:
Bondade vs. Julgamento: Como o sujeito se tratou.
Humanidade vs. Isolamento: Como percebeu sua conexão com o outro no sofrimento.
Atenção Plena vs. Hiperidentificação: Como lidou com as emoções difíceis do dia.
Descrição dos itens / domínios EMA
Item 1 (Autobondade): "Hoje, fui gentil e compreensivo(a) comigo mesmo(a) em relação às minhas dificuldades."
Item 2 (Autojulgamento): "Hoje, fui duro(a) e crítico(a) comigo mesmo(a) por causa dos meus erros ou falhas."
Item 3 (Humanidade Comum): "Hoje, tentei lembrar que as dificuldades fazem parte da vida de todas as pessoas."
Item 4 (Isolamento): "Hoje, me senti sozinho(a) ou isolado(a) no meu sofrimento."
Item 5 (Atenção Plena): "Hoje, procurei observar meus sentimentos com equilíbrio, sem exagerá-los ou ignorá-los."
Item 6 (Hiperidentificação): "Hoje, me senti 'atropelado(a)' ou dominado(a) por sentimentos negativos."
Item Contextual 1: "Houve algum evento estressante hoje? (Sim/Não)"
Item Contextual 2: "Qual o nível de estresse geral do seu dia? (0-10)"
Pontuação e interpretação (versão EMA)
A pontuação deve ser analisada através da média dos itens positivos (1, 3, 5) versus a média dos itens negativos (2, 4, 6).
Itens negativos indicam que, quanto maior o escore, maior a tendência de autojulgamento, isolamento e/ou hiperidentificação.
Itens positivos indicam que, quanto maior o escore, maior a tendência de autobondade, humanidade comum e/ou atenção plena.
Nível Médio: Indica a tendência predominante do paciente na semana.
Variabilidade (Oscilações): Pacientes com alta labilidade emocional podem apresentar picos de autojulgamento em dias de estresse, indicando baixa resiliência emocional.
Padrões de Contexto: Avalie se a presença de um "evento estressante" (Item Contextual 1) dispara automaticamente o "Isolamento" (Item 4).
Não há cutoffs clínicos validados para esta versão EMA. A interpretação deve se basear em padrões intraindividuais (nível médio, variabilidade e relação com contextos), e não em comparações normativas.
Mudança clínica e sensibilidade (conceitual)
A eficácia da intervenção clínica pode ser observada pela:
Redução da reatividade: O paciente continua tendo dias estressantes, mas o escore de "Autojulgamento" diminui gradualmente.
Aumento da recuperação: Após um pico de "Hiperidentificação", o paciente retorna mais rápido ao seu nível base de "Atenção Plena" no dia seguinte.
Cuidados éticos e limitações
Este instrumento não deve ser usado para diagnóstico de transtornos mentais. Em casos de ideação suicida ou crises agudas, o monitoramento EMA pode sobrecarregar o paciente; a frequência deve ser ajustada ou interrompida se gerar angústia adicional.
Sugestões para análise clínica integrada
Visualize o gráfico de linha para cruzar os dados de Autojulgamento com o Nível de Estresse. Se as linhas subirem juntas, o foco terapêutico deve ser o desenvolvimento de estratégias de desfusão cognitiva e autobondade especificamente para situações de alta demanda.
Compare os resultados semanais da EMA com a aplicação mensal da escala SCS original para verificar se as mudanças diárias estão se consolidando em uma mudança de traço de personalidade.
Alerta científico / boa prática
Mudar a janela temporal e a frequência altera o construto funcionalmente medido (de traço/retrospectivo para estado/momentâneo).
Os parâmetros psicométricos da escala original de Souza e Hutz (2016) não se transferem automaticamente para esta versão.
O uso deve ser estritamente complementar.
A partir de agora, vamos acompanhar como você lida com os desafios do seu dia a dia. Todos nós passamos por momentos difíceis, erros ou sentimentos desconfortáveis. O objetivo deste registo diário não é julgar as suas reações, mas sim compreender os seus padrões para que possamos trabalhar melhor neles em terapia.
Como preencher:
Responda preferencialmente ao final do dia, antes de dormir.
Refira-se especificamente ao que aconteceu hoje. Não se preocupe com o que sentiu ontem ou de forma geral na vida.
Não existem respostas certas ou erradas. Seja o mais honesto possível com o seu estado atual.
0 significa que aquilo "não aconteceu" ou você "discorda totalmente", e 10 significa que aquilo foi "muito intenso" ou você "concorda totalmente".
Este acompanhamento ajuda-nos a ver "fotografias" do seu dia, permitindo identificar o que gatilha a autocrítica e como podemos fortalecer a sua autocompaixão na prática.
Desenvolvido por: Neff, K. D. (2003). Development and validation of a scale to measure self-compassion. Self and Identity, 2, 223-250.
Adaptado por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
**Este é um instrumento adaptado e construído pela própria equipe da HumanTrack. Nesses casos, os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem à marca, não podendo ser reproduzidos e nem adaptados sem autorização e sem a expressa atribuição de autoria.
Neff, K. D. (2003). Development and validation of a scale to measure self-compassion. Self and Identity, 2, 223-250.
Souza, L. K. de, & Hutz, C. S. (2016). Escala de Autocompaixão. In C. S. Hutz (Ed.), Avaliação em Psicologia Positiva (171-173). São Paulo: CETEPP.
de Souza, L. K., & Hutz, C. S. (2016). Adaptation of the self-compassion scale for use in Brazil: evidences of construct validity. Temas em Psicologia, 24(1), 159-172.