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1) Objetivo do instrumento
Monitorar variações diárias de sintomas depressivos ao longo do tempo, com foco em:
nível médio diário de sofrimento depressivo;
flutuações entre dias (tendência de melhora, piora ou estabilidade);
identificação de dias críticos;
apoio à tomada de decisão clínica e ao monitoramento de resposta ao tratamento.
esta versão EMA é uma ferramenta idiográfica de alta validade ecológica, focada em identificar gatilhos, variações de estado e a resposta imediata a intervenções terapêuticas.
O instrumento não tem finalidade diagnóstica nem substitui avaliações retrospectivas padronizadas.
2) Escala de origem (referência conceitual)
Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9)
A escala original serve exclusivamente como matriz conceitual dos conteúdos (humor, anedonia, energia, cognições negativas, concentração, ativação psicomotora e ideação suicida), não como referência psicométrica direta.
3) Conceito avaliado
Estados depressivos cotidianos, entendidos como manifestações situadas no tempo e sensíveis ao contexto, incluindo:
afeto deprimido;
redução de interesse/prazer;
fadiga e baixa energia;
autocrítica e sentimentos de inadequação;
dificuldades cognitivas funcionais;
alterações subjetivas de ativação psicomotora.
Trata-se de uma medida de estado (state-like), não de traço.
Nota importante: A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
População-alvo
Adultos (≥18 anos)
Em acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico
Com sintomas depressivos atuais ou em risco de recaída
Contexto de uso
Clínica individual
Frequência recomendada
1 aplicação por dia, preferencialmente no final do dia
1) Estrutura do instrumento
6 itens principais (intensidade média diária, escala de 0 a 10)
3 item para acompanhar dinâmicas do contexto
Tempo médio de resposta: ~1 minuto
2) Tipo de resposta
Escala numérica de intensidade (0-10)
Ancorada semanticamente (“nada” → “extremamente”)
Foco em experiência média do dia, não em pico isolado.
3) Organização dimensional (hipótese inicial)
Estrutura unifatorial exploratória (sofrimento depressivo diário)
Possibilidade futura de análise por domínios (afetivo, cognitivo, energia/ativação), dependendo de validação empírica.
4) Interpretação dos escores (clínica, não normativa)
Média diária/semanal: nível geral de sofrimento
Tendência temporal: resposta a intervenções
Picos: dias críticos que merecem exploração clínica
5) Observação metodológica essencial
Esta é uma versão EMA inspirada no PHQ-9.
Não é psicometricamente equivalente ao instrumento original.
Seus escores, estrutura e interpretação não devem ser equiparados aos do PHQ-9 tradicional.
Esta EMA diária é indicada quando o clínico deseja acompanhar o curso cotidiano da depressão, complementando a medida global.
Ela é especialmente útil:
no início do tratamento (linha de base dinâmica);
durante mudanças terapêuticas ou farmacológicas;
em pacientes com recaídas frequentes;
quando há discrepância entre relato em sessão e funcionamento diário.
Na prática, o clínico pode esperar:
visualizar tendências semanais (melhora gradual vs. estagnação);
identificar dias sistematicamente piores (ex.: segundas-feiras);
observar quais dimensões “puxam” o sofrimento (ex.: autocrítica antecede piora do humor).
Em sessão, os dados devem ser usados de forma colaborativa, para:
validar a experiência do paciente;
formular hipóteses funcionais (“quando a energia cai, o humor acompanha”);
planejar intervenções comportamentais ou cognitivas específicas.
A EMA complementa o PHQ-9 tradicional:
PHQ-9 → visão global, retrospectiva, comparável a normas
EMA → visão idiográfica, temporal e contextualizada
Nunca deve substituí-lo como única forma de avaliação.
6) Boa prática científica
Serviços que utilizarem esta EMA de forma sistemática devem, sempre que possível:
acumular dados longitudinais;
avaliar confiabilidade temporal;
examinar associações com escalas tradicionais;
revisar periodicamente a adequação clínica do instrumento.
Pensando no dia de hoje, desde que você acordou até agora…
Desenvolvido por: Kroenke, K., Spitzer, R. L., & Williams, J. B. W. (2001). The PHQ-9: Validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606–613. https://doi.org/10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x
Adaptado por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
**Este é um instrumento adaptado e construído pela própria equipe da HumanTrack. Nesses casos, os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem à marca, não podendo ser reproduzidos e nem adaptados sem autorização e sem a expressa atribuição de autoria.
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